Flamengo repudia Lei de meia-entradas e vê teor político.

O valor do ingresso no Campeonato Carioca virou polêmica. Um dia depois de a Ferj aprovar a nova política de preço, com a venda apenas de bilhetes promocionais, Flamengo e Fluminense, os únicos clubes contrários à proposta apresentada por Eurico Miranda, presidente do Vasco, anunciaram que estudam medidas para reverter a decisão. Tudo para preservar os direitos dos seus sócios-torcedores, os principais prejudicados. Enquanto isso, o Rubro-Negro admitiu: os associados, caso a medida seja mantida, não terão mais direito à meia-entrada. 
Foi em um comunicado, divulgado pela gerência de comunicação, que o Fla se manifestou. A resposta sobre a continuidade do desconto de 50% ao sócio-torcedor foi clara: 
– Esta é uma possibilidade fora da realidade. O Flamengo entende que a decisão do arbitral confronta uma tendência do futebol mundial e brasileiro que é o fortalecimento dos clubes através de seus programas de Sócio-Torcedor. Esta medida – que ressalta uma visão míope da realidade – torna o futebol carioca menos competitivo frente aos outros estados. Promovendo o Programa Sócio-Torcedor, estamos trabalhando com a possibilidade de estádios mais cheios e, consequentemente, proporcionando mais renda aos nossos adversários uma vez que, no Campeonato Carioca, está prevista a divisão da renda das partidas entre os clubes. 
Pelo acordado na reunião na Ferj, na tarde de quinta-feira, não haverá venda de ingressos com valor inteiro. Serão comercializados apenas bilhetes meia-entrada. Os valores variam entre R$ 5 (jogos entre pequenos) e R$ 50 (clássicos). A medida visa aumentar a frequência de torcedores no estádio. Em 2014, a média de público pagante foi de 2.828 pessoas. 
– Temos a certeza de que ninguém obrigará o Flamengo a “trabalhar” com preços inferiores aos custos de operação dos jogos em que o clube detém o mando de campo. Admitir isso é fomentar a violação à livre iniciativa (um princípio constitucional). Vale lembrar que o tabelamento de preços só é admitido excepcionalmente e, ainda assim, no caso de preservação de um outro valor constitucional. O que entendemos não ser o caso. Este tipo de iniciativa está cada vez mais colocando os clubes cariocas em situação de penúria frente aos seus adversários no Brasil. Não é por acaso que os clubes cariocas são os mais debilitados financeiramente do futebol brasileiro. E ainda: o Flamengo é contra atitudes que usem o futebol carioca para alavancar carreiras políticas e pessoais, onerando os clubes. Já sabemos onde tal caminho nos levará – completou o texto rubro-negro. 
O Tricolor se manifestou de forma mais amena: 
– O Fluminense votou contra porque tem projetos que dão benefícios aos sócios. O marketing do clube vai estudar o caso e tentar encontrar uma solução. 
Atualmente, o Fla tem 53 mil sócios-torcedores. O Flu, 24 mil. Ambos os clubes prometem manter os programas. Mesmo que a Ferj diga que não voltará atrás.
– O que foi definido no arbitral não tem volta. A planilha será publicada no site, com os preços de todos os estádios e do Maracanã. Mas não acredito que teremos nenhum tipo de problema com Flamengo e Fluminense. No meu entendimento, ficou bem esclarecido. Ficou uma coisa simpática porque o ingresso é considerado caro. Foi feita uma tabela de acordo com os estádios, os clássicos. Todo mundo aceitou a proposta do Eurico. Achei que foi tranquilo – comentou o vice-presidente José Luiz Martinelli.

Fonte: GE