Medida da Fifa pode criar “caos” no mercado brasileiro.

Em 1º de janeiro deste ano, entraram em rigor as novas medidas da Fifa contra a “terceira parte” nos contratos de jogadores de futebol. A entidade máxima espera acabar com a participação de empresários e fundos de investimento nos direitos econômicos de atletas.
Os contratos assinados até 31 de dezembro não serão afetados. No entanto, os acordos fechados até abril de 2015 (com a participação de terceiros) só poderão ter um ano de duração. A partir de 1º de maio, será totalmente proibida a presença de investidores.
Para Marcelo Jucá, presidente da comissão de direito desportivo da OAB do Rio de Janeiro, a regra vai atingir em cheio o mercado de transferências do Brasil.
– O Brasil vai sentir muito, pelo menos de imediato. Pode-se dizer que vai gerar um certo “caos”, porque hoje, no Brasil, praticamente 90% dos atletas são negociados dessa maneira, fatiados entre clubes, empresários ou empresas de investimento – afirmou o especialista.
Muitos dos principais astros do futebol brasileiro têm participação de fundos de investidores e empresários em seus direitos econômicos. O meia Everton Ribeiro, do Cruzeiro, duas vezes eleito o melhor jogador da Série A, tem participação de 60% da Raposa, 30% da RF Sports e 10% de um fundo de investimentos paulista. Paulo Henrique Ganso tem 68% de seus direitos federativos ligado à empresa DIS e só 32% pertencem ao São Paulo. O chileno Aránguiz, do Internacional e titular da seleção de seu país, tem 70% de seus direitos ligados à DIS e apenas 30% com o Colorado.
A Fifa anunciou a proibição a terceiros em setembro do ano passado, em entrevista coletiva.
– Agora nós tomamos a decisão, uma decisão firme, de que a terceira parte nas negociações deve ser proibida. Mas não isso não pode ser feito imediatamente. Haverá um período de transição – disse Blatter, na ocasião.
Com a medida da Fifa, o Flamengo teria acelerado a contratação do atacante Marcelo Cirino, do Atlético-PR, com a participação de terceiros. A chegada do jogador ainda não foi anunciada oficialmente, mas os documentos teriam sido assinados no fim do ano, para fugir das novas regras. O clube pagará 5 milhões de euros (cerca de R$ 16,5 milhões) por 50% dos direitos econômicos do jogador. A outra metade fica com a Doyen Sports, que já participou no ano passado da transferência de Leandro Damião do Santos para o Inter.

Fonte: SporTV

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