Gilmar Ferreira – Conversei rapidamente com um dirigente do alto escalão da Gávea na tarde da última terça-feira.
Foram duas ou três perguntas respondidas com sangue nos olhos e firmeza no discurso _ típico de quem tem a responsabilidade de cumprir orçamentos, alcançar metas e zelar pela reputação da instituição.
Falou pouco, mas disse o suficiente: o Flamengo está mesmo dividido entre ser glorioso ou ser histórico.
E a saída de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, foi o lado visível da saudável divergência política.
Emerge na Gávea um grupo que tem a plena convicção que só mesmo uma instituição do tamanho do Flamengo pode ir às últimas consequências na luta contra um poder viciado _ ainda que, maquiavelicamente, este mesmo poder “jogue” a favor do clube de vez em quando, e com o claro intuito de se perpetuar na Federação de Futebol do Rio.
O acordo provisório com a Ferj, firmado pelo presidente Eduardo Bandeira, tem a influência de rubro-negros mais calejados, onde pontificam o ex-presidente, Kleber Leite, e o atual presidente do Conselho de Beneméritos, Michael Assef, adeptos de outra linha de defesa dos interesses do clube.
Mas do outro lado tem gente boa disposta a pôr um fim no velhaco e nocivo modelo de governança empregado por Rubens Lopes no comando da entidade.
O explosivo Bap, por ora, sai da trincheira.
O Flamengo, porém, tem ainda atiradores de elite que não se entregarão facilmente.
A guerra não terminou…
EQUÍVOCO.
O simpático Eduardo Bandeira, no entanto, pisou na bola em suas avaliações sobre o episódio da invasão da torcida ao vestiário do Macaé.
Primeiro, ao politizar um evento que desgraça o futebol e que poderia, facilmente, ter tido desfecho ainda pior.
Depois, ao oficializar sua estranheza, dizendo que a torcida do Flamengo mostrou-se pacífica em 2014.
Não é verdade.
Rápida pesquisa na internet vai provar que no ano passado não foram poucos os casos de pancadarias protagonizados por facções organizadas do clube.
