Esporte Interativo – Apresentado pelo Flamengo em dezembro de 2014, Rodrigo Caetano foi tratado como reforço de peso. Um reforço com a missão de reforçar o plantel. Até agora, para a temporada de 2015, foram seis novos nomes, com destaque ao atacante Marcelo Cirino. No entanto, para fechar o elenco, o diretor-executivo de futebol do Rubro-Negro revelou ao Esporte Interativo que ainda busca mais dois atletas. “28 ou 29 jogadores no grupo é um número bom”, disse. Isso e mais você confere nesta entrevista exclusiva, que passou por assuntos como mercados árabe e chinês, perspectivas do Flamengo para o futuro e sua relação com Vanderlei Luxemburgo. Confira:
Cárdenas acabou de ser anunciado pelo presidente do Atlético-MG. Houve especulações de que o Flamengo teria tido interesse no meia. Procede?
“Não. Nunca houve nenhuma espécie de contato nem conversa interna sobre o atleta por parte do clube. As especulações são falsas.”
Até agora, as negociações que deram certo para o Flamengo no ano não vazaram na imprensa. Quando saíram, estavam bem perto do momento em que os jogadores foram anunciados oficialmente. Em contrapartida, tratativas com atletas como Montillo, Conca e Cícero, que viraram quase uma novela, não avançaram. A que você credita essa diferenciação?
“Isso explica o porquê de nós negarmos quando perguntados sobre determinados jogadores. Toda exposição atrapalha. Não é porque não queremos falar. Em qualquer negociação, quando vaza o nome, a dificuldade aumenta. São poucos os bons nomes hoje em dia. Quando vaza, a concorrência aumenta. O Flamengo ainda não está com a condição financeira boa o suficiente para disputar com certos clubes. Certamente, em 2016 a situação vai mudar, e poderemos brigar com armas mais fortes nas negociações.”
Como você avalia o elenco rubro-negro neste momento?
“Elenco equilibrado. Temos boas peças em quase todas posições. Jogadores experientes e, outros, jovens. Temos 26, contando com os 3 goleiros e o Paulinho, que tá retornando de lesão. Carecemos de mais umas 2 peças. Se vierem, teremos um número bom: 28 a 29 atletas. Isso também possibilita a utilização de jovens, o que faz parte da história do clube.”
Qual a política adota pelo clube em relação à formação do elenco para este ano?
“O primeiro passo foi reduzir o elenco para um número viável ao orçamento. Trabalhamos muito para realocar jogadores que não faziam parte dos planos nesse momento (casos de Muralha, Mattheus, Negueba e outros). Nós sempre soubemos que tínhamos condições de fazer investimento em 2 ou 3 atletas. O outros teriam que vir sem muito custo. Até agora, foram 6. Calculamos mais 1 ou 2.”
Para que posições?
“Pensamos, no momento, em um meia sem, necessariamente, características desse tão falado “10 clássico”, que tá cada vez mais escasso. No futebol moderno, há mais espaço para atletas mais versáteis.”
Como tem sido trabalhar, novamente, com o Vanderlei? Em que ele mudou de dois anos para cá?
“O Vanderlei é um dos melhores, senão o melhor técnico do Brasil. Muitos perguntam sobre como é trabalhar com ele e se ele centraliza as coisas. Muito pelo contrário. Ele discute, ele divide. O que não pode é um clube desprezar a experiência e conhecimento que ele tem. O Vanderlei é competitivo, assim como eu. Até por termos sido atletas temos essa vontade de vencer sempre, até mesmo fora das quatro linhas. Isso até facilita nossa relação. Tínhamos um excelente convívio e agora está melhor ainda. Ele, com mais experiência e, talvez, com a readequação, estritamente, à função que exerce, e eu, também, com mais vivência. É um aprendizado trabalhar com o Luxemburgo. E ele está muito motivado para voltar a ganhar títulos pelo Flamengo.”
Mais motivado que em 2013, pelo Fluminense?
“No Fluminense foi diferente. Ele pegou o time em situação difícil e foi por pouco tempo. Por vezes, fica a impressão de que ele fez um mal trabalho por lá, o que não é verdade.”
Em 2015, por quais títulos o clube briga?
“Vamos querer ganhar o campeonato estadual, a Copa do Brasil e o Brasileirão. Se não tivermos problemas no ano, e permanecermos com o elenco como está, a possibilidade aumenta.”
Assusta o mercado chinês e árabe?
“Não assusta porque já era previsto. A verdade é que a situação econômica do Brasil avançou bastante nos últimos anos, e ficamos próximos dos clubes europeus. Não na aquisição, mas nos salários. Os brasileiros que jogam em portugal, por exemplo, são, em maioria, jogadores não consagrados. Tem mercados, hoje, que não absorvem os atletas brasileiros. O que acaba absorvendo são esses mercados alternativos, única e exclusivamente porque eles tem condição de adquirir e pagar salários superiores. Exemplos disso são Diego Tardelli, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, alguns dos únicos que jogavam no Brasil e tiveram oportunidade na Seleção, e acabaram indo para esses mercados.”
Em relação a essa melhora financeiras dos clubes brasileiros. Fala-se muito que o mercado de futebol no país viveu uma bolha nos últimos anos. E que, agora, os clubes estariam sendo confrontados com a realidade.
“Alguns clubes já estão se readequando. Essa famosa bolha se refere áquilo que foi prometido e não foi cumprido. As diretorias estão conseguindo entender melhor como a coisa funciona. A verdade é que os clubes não irão passar por problemas: já estão passando. Consequentemente, o número dos contratos tem caído. Eu vislumbro algo positivo nisso, que é a obrigação que os clubes passarão a ter para honrar seus compromissos. Talvez esse seja o maior diferencial. Os jogadores, hoje, optam por clubes com credibilidade, que honram seus compromissos.
O Flamengo é um deles?
“Sim.”
Quem são os outros, no Brasil?
“Não gosto de falar sobre o trabalho feito por outros clubes. Mas há, sim, algumas diretorias trabalhando com competência neste sentido.”
O que pode dizer sobre o imbróglio envolvendo Flamengo e Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ)?
“Isso é a instituição que está discutindo. Há pessoas com mais capacidade que eu para falar sobre isso. Minha obrigação é cuidar do futebol do clube.”
Durante a novela envolvendo Conca, Mario Bittencourt, do Fluminense, te elogiou por “negociar certo”. Como diretor de futebol do clube de mais torcida no país: o que é negociar certo?
“É fazer com os outros clubes o que você gostaria que fizessem contigo. Naquele momento, o Flamengo se postulou como interessado na negociação do conca e oficializamos a proposta. Não desviamos do caminho de que quem tinha a decisão final era o Fluminense. É isso que nós queremos que os outros clubes façam conosco.”


























