Flamengo em Foco – Léo Moura foi o maior e o melhor lateral-direito que vi jogar pelo Mengão. Aos 23 anos, acompanho o futebol rubro-negro desde 1998, quando tinha de seis pra sete. Me lembro que foi ali, na Copa do Mundo, que comecei a gostar do esporte. Não parei mais.
Dali em diante vi muita gente ostentar a camisa 2 do Flamengo. Jorginho, Maurinho, Alessandro, Rafael… Nomes que foram bem durante um tempo, mas nenhum se destacou tanto quanto Léo Moura, que desde 2005 ocupa o posto. Jogou muito. Muito mesmo. E percebam que o verbo jogar está no passado, já que nas últimas temporadas vem oscilando e, acredito eu, poderia ter saído antes.
Pelos números alcançados e serviços prestados, o “Moicano” é ídolo da torcida, sim. Oito títulos, titular em todos eles. Está entre os dez atletas que mais vestiram o Manto Sagrado, participou de conquistas importantes como duas Copas do Brasil e um Brasileirão. Títulos nacionais que o Flamengo não ganhava há tempos, antes de sua chegada.
Lembro com muita clareza alguns dos lances mais marcantes de Léo: o cruzamento para o gol de Luizão no primeiro jogo da final da CdB contra o Vasco, a assistência para Adriano no épico jogo contra o Santos, no Maracanã em 2009, os golaços contra Cruzeiro e América do México, em 2007 e 2008, respectivamente. Léo foi, indiscutivelmente, o melhor lateral que vi pelo Flamengo até hoje. Tanto pelo tempo de casa, quanto pelos serviços prestados.
Mas o seu tempo chegou há, pelo menos, dois anos. Em 2012, na conturbada renovação, acabou ficando no Flamengo mesmo sem contrato pois ninguém o quis. Pegou banco pra Wellington Silva durante alguns jogos da temporada e só renovou pois o então titular meteu o pé pros tricoletes.
Entre 2013 e 2015, os números provam que Léo foi pouquíssimo produtivo em campo. Foram apenas quatro gols marcados – contra Internacional, Santos, Botafogo e Atlético-MG – e seis assistências, segundo dados do Footstats. Para um lateral que chegou a marcar 13 vezes em uma única temporada e dar mais de dez assistências por ano no auge, Léo fez pouco.
Não é complexo de vira-lata querer sua saída. Agradeço muito pelos serviços prestados, mas acho que ele andou fazendo hora extra nos últimos anos e colocou em xeque sua idolatria, visto que os números da enquete do GloboEsporte.com são bastante expressivos.
É inegável que, em um futebol mercadológico, um atleta permanecer dez anos no mesmo clube é considerado caso raro. Mas aparentemente, Léo sempre quis mais do Flamengo do que o Flamengo exigia dele. Sempre que chegava a hora de uma renovação, o salário tinha que aumentar, a medida que o atleta ficava mais velho e a qualidade do futebol não acompanhava.
O Moicano, então, teve a sorte de sair por cima. Não fosse a proposta norte-americana, ficaria sem contrato após o estadual. Os Azuis pareciam não o querer desde o início, visto que em 2013 foram os responsáveis por segurar a renovação. Léo saiu por cima pois conseguiu um contrato de três anos em uma liga em ascensão, onde vai ganhar mais, em dólar, e ser respeitado por tudo que conquistou com a camisa do Mais Querido em uma liga que carece de qualidade técnica. Bom pra ele e para o clube, que não se manchou com a parcela de torcedores que idolatram o atleta e com a mídia, que certamente cairia em cima. Aos que falam que não existe time sem o “capita”, lembro que o Zico se despediu do Flamengo em 1990 e estamos aí até hoje.
Desejo boa sorte no Fort Lauderdale Strikers e, novamente, agradeço pelos serviços prestados. Valeu, Léo Moura!
Lucas Soares

