Lancenet – Após a invasão de cerca de 90 pessoas ao Edifício Hilton Santos, no Morro da Viúva, na última terça-feira, o departamento jurídico do Flamengo conseguiu uma liminar na 36ª Vara Cível, por meio do juiz Leonardo Alves Barroso, para a reintegração de posse do prédio, que foi arrendado pela REX, em 2013, por 25 anos. Mesmo com a empresa do grupo de Eike Batista sendo a responsável pelo prédio, os advogados do Rubro-Negro se anteciparam para traçar uma estratégia e preservar o maior patrimônio do clube.
– O Flamengo é o proprietário e o prédio é o imóvel de maior valor para o clube. Enviamos um advogado na terça-feira, os representantes da REX estiveram lá também, porém, não recebemos mais notícias. Assim, definimos uma estratégia, pois não poderíamos aguardar muito tempo. Fizemos isso, ajuizamos a ação logo em seguida, e conseguimos a liminar – destacou o diretor jurídico Bernardo Accioly, que ainda destacou que o acontecimento fará com que o clube e a REX tenham uma nova conversa para discutir o contrato.
– Desde o segundo semestre do ano passado estamos vindo notificando a REX por conta do estado de abandono do local. Recentemente, colocaram um tapume para dar sensação de segurança, porém, nenhuma obra começou. Estão procurando um terceiro para dar continuidade à obra, mas isso deve ter a anuência do Flamengo, sabemos que a situação deles é complicada, e após esse episódio vamos precisar ter uma nova conversa, ou mesmo uma tentativa de uma eventual retomada do imóvel.
Ainda de acordo com Accioly, a empresa de Eike terá de pagar um valor mínimo de aluguel ao clube, já que ainda não concluiu a conversão do prédio para um hotel:
– O Flamengo recebeu as parcelas iniciais, mas como a conversão para hotel ainda não foi concretizada, algo que está em contrato, em janeiro, terão de pagar um aluguel pelo imóvel. o contrato é bem feito e não pode ser resgado de uma noite para o dia. Antes era um risco e agora aconteceu. Se não tem condição de manter o minimo de segurança, se devolve.
Além disso, o advogado mostrou preocupação não só com o imóvel, mas também com as famílias que invadiram o prédio. Para Accioly, uma operação deve ser bem preparada para amparar os familiares.
– Ainda não se sabe quando vai haver essa reintegração. Isso é um trâmite, tem de ser oficiado, polícia, assistência social, tem uma preocupação do juiz. O próprio Flamengo não quer violência, e evitar qualquer tipo de incidente. Tem que ser uma coisa bem programada, com presença da defesa civil, médicos, ambulância e uma operação preparada até por ser um prédio, e não um terreno.

