República Paz & Amor – Confesso que estranhei um pouco que nenhum dos brilhantes articulistas do República, com exceção da Nivinha que se dedica primordialmente às artes visuais, tenha resenhado o protocolar sacode que o Mengão Papaizão deu no Flor no último domingo. Tenho certeza que não foi por soberba, arrogância ou esquecimento e sim, por absoluta falta de tesão pra comentar um dos Fla-Flus menos disputados dos últimos 50 anos.
Sem diminuir em nada o mérito da expressiva vitória do Flamengo precisamos ponderar esse resultado em função da apatia e alheamento do nosso adversário diante do jogo que poderia salvá-los da ignominiosa, e muito provável, eliminação precoce do carioqueta. Claro que para isso eles teriam que se superar e jogar como homens e, questão de gênero à parte, o Flor mal e mal entrou em campo. Astênico, choroso e sem vergonha, o Flor ofereceu pouquíssima resistência ao Flamengo, que nem precisou se esforçar muito pra chacoalhar com elas e bater mais uns pregos no há muito encomendado caixão tricolor.
Foi um Fla-Flu muito fraco, como fraco tem sido todo esse pobre campeonatinho. O time do Flamengo não tem nada com isso, muito pelo contrário. Foi o Flamengo quem mais investiu e quem mais brigou para que esse arremedo de competição adquirisse alguma relevância e dignidade. Tarefa quase impossível em face evidente compromisso da FERJ e de seus parceiros em transformar a presente edição do nosso rural em pornochanchada. Que a pornochanchada me perdoe pela má comparação, porque as pornochanchadas pelo menos atraíam o público, o que não é o caso do Campeonato Carioca quando o Flamengo não joga.
Somos, indubitavelmente, o trem pagador do futebol nacional e, não por acaso, os 3 maiores públicos da temporada em todo o país são dos jogos em que o Mengão foi o protagonista. Nossa torcida é foda. Tão foda que não merecia ter que assistir a tantas peladas assim pagando. Enquanto não encontram uma forma de recompensar as multidões rubro-negras pela sua abnegação e assiduidade o que importa é que o Flamengo cumpriu seu papel, fez os 3 pontos, consolidou-se na liderança do certame, aumentou seu saldo de gols, abiscoitou o Troféu Super Clássicos e a Taça Adidas e ficou a um passo da sua 21a Taça Guanabara. O resto foi só diversão e gargalhadas com o enésimo faniquito de Fred e a chuva de gols e pênaltis em Nova Friburgo, onde os comediantes da camisa feiona conseguiram a façanha de ter 3 pênaltis a seu favor e ainda assim perderem o jogo. Que timaço.
Não precisamos de nada ou de ninguém para atestar nossa grandeza e nosso poderio. Mas temos que admitir que é quase irresistível a atração pela comparação. Aliás, comparar está na essência de qualquer atividade esportiva. Entretanto, que mérito pode haver em comparar o Flamengo, todo bonito, com as contas em dia e receitas significativas nas bilheterias, com nossos pobres adversários do carioqueta? Eu mesmo respondo, pois não há mérito algum em tal comparação. O Flamengo está em um nível técnico, tático e organizacional tão acima dos demais participantes do torneio papa-goiaba que compara-lo com qualquer um dos filiados da FERJ é a mais descarada covardia.
Essa vantagem imensa do Flamengo é um privilégio justo, pelo qual o Flamengo vem trabalhando incansavelmente dentro e, principalmente, fora de campo. Mas que como qualquer privilégio traz em seu bojo uma reponsabilidade. O Flamengo, por ser imenso como já é e por estar trabalhando duro para ser maior ainda tem a obrigação de passar o rodo e trazer mais uma taça do Campeonato Carioca para a nossa interminável galeria de troféus à beira da Lagoa. Simplesmente não dá pra ficar 3 meses jogando essas peladas todas, carregando nas costas 15 timinhos e os maganos da FERJ pra não ser campeão. Isso seria muita otarice.
Para que a conquista do 34o carioqueta se dê da forma mais suave e amigável possível é fundamental que o Mengão se despeça da fase tosca do campeonato com uma vitória sobre o Nova Iguaçu, na noite de hoje em Macaé. Assim garantimos a 21a Taça Guanabara, vamos pro mata-mata com a vantagem dos empates e mantemos a palhaçadinha em níveis aceitáveis. Porque no meio dos jogos finais do Carioca teremos compromissos pela Copa do Brasil e nada melhor para ser tetra da CB do que antes de maiores peripécias garantir a manutenção do status quo no Rio de Janeiro. Assim jogaremos contra o perigoso Salgueiro (time bravo do Polígono da Maconha pernambucano) tranquilões, em dia com nossas obrigações e livres para doutrinar mais uma vez o Brasil.
Falando em estar em dia com as obrigações não podemos deixar de citar o golaço que o Flamengo marcou ontem em seu Conselho Deliberativo. Os 225 conselheiros presentes à reunião votaram e decidiram, de maneira unânime, que a porra-louquice administrativa está definitivamente extinta no Flamengo. Com a aprovação da emenda no estatuto que implanta a responsabilidade fiscal e financeira na administração do clube o Flamengo confirma seu pioneirismo no esporte nacional e dá um importante passo para a plena profissionalização do futebol brasileiro. Agora, pelo menos no Flamengo, acabou aquela história de contratar, comprar e gastar um dinheiro que não se tinha e deixar a conta espetada pro sucessor se virar e pagar. Ufa! Já não era sem tempo. Palmas pros conselheiros e pros gestores do clube que tornaram isso possível.
Sei bem que tem uns rubro-negros por aí que ainda não perceberam o alcance da decisão histórica que o Flamengo tomou ontem. Mas podem acreditar, foi épico! Agora estamos realmente em outro patamar. Mas nunca é demais lembrar que isto é apenas o começo. A adoção da responsabilidade fiscal, os salários em dia, as CNDs e o respeito aos contratos assinados podem ser a melhor defesa. Mas a torcida gosta é de ver gol. E o melhor atacante pro Flamengo no momento ainda é o Sócio-Torcedor.
Vai que é tua, rubro-negro.
Mengão Sempre
