Flamengo em Foco – Recentemente o Flamengo se sagrou como o primeiro clube de futebol a ter uma Lei de Responsabilidade Fiscal, o que junto às práticas administrativas já implementadas nesta gestão colocam o clube na vanguarda administrativa do futebol brasileiro, tornado sua credibilidade no mercado ainda maior e sua imagem inabalável, o que além de patrocinadores, atrai parceiros como a Doyen e jogadores disputados no mercado.
Entretanto, a excelência administrativa e nos esportes olímpicos (onde não é só o Basquete que ganha títulos importantes), não tem sido vista no futebol nessa gestão cheia de erros absurdos de contratações (Carlos Eduardo, André Santos, Elano e outros), excesso de troca de treinadores e constante briga contra o rebaixamento. Vão dizer que isto ficou para trás, que os culpados foram substituídos por profissionais competentes e etc., mas aí eu pergunto: O que garante que tudo isso não acontecerá novamente?
Esta semana as especulações sobre uma possível saída de Luxemburgo pro São Paulo estiveram presentes em todas as mídias e ganharam fôlego com declarações do treinador de que ouviria qualquer clube que o procurasse. Vejam, não é de forma alguma absurdo que Luxemburgo receba e analise propostas, tão pouco seria imperdoável se trocasse o cargo de técnico do Flamengo pelo de manager do São Paulo, já que este sempre disse que gosta de acumular funções de treinador e diretor de futebol. Como qualquer profissional, ele tem o direito de aceitar propostas que lhe pareçam mais vantajosas, sejam a nível financeiro, geográfico ou de cargos/plano de carreira.
O Flamengo se manifestou dizendo que o treinador tem contrato e multa, nesse meio tempo houve a declaração da recusa do Luxemburgo à proposta do São Paulo e hoje o Flamengo anuncia a volta de Jayme de Almeida, ex-treinador do clube, para o cargo de auxiliar. Oras, não é de se espantar que a contratação soe para os torcedores como se o Flamengo se armasse para uma possível saída de Luxemburgo, deixando uma imagem frágil e ainda a péssima impressão de que a saída do atual treinador implicaria na efetivação de Jayme.
Mas o que isso tem a ver com uma vanguarda no futebol? Em 2013 o Flamengo falou em criar um plano de carreira para os treinadores e que até então pouco andou. Em algumas trocas na base de fato houve promoção de treinadores de estágios anteriores, mas em outras trouxeram treinadores de fora, além disso a exceção de Jayme nenhum outro foi efetivado no profissional.
Falei anteriormente sobre a necessidade de reformular a base, preocupando-se não apenas com as habilidades relativas ao futebol como também com o ser humano, mas enquanto não há como providenciar tal estrutura, porque não começar com as comissões técnicas?
Hoje em dia a maior parte dos treinadores são de ex-jogadores, muitos não possuem formação universitária e menos ainda são os que tem especialização. A experiência não compensa a falta de conhecimento formal e, pior, estes treinadores não costumam produzir qualquer material escrito que sirva como bibliografia para cursos de graduação e especialização. O resultado desse ciclo vicioso é que pouco se pode aprender com o que foi feito e testado no passado em termos táticos, técnicos, disciplinares e de preparação psicológica.
A maior parte do trabalho feito por um treinador é invisível, executado durante a semana no centro de treinamento, dentro das concentrações e vestiários e nem sempre este trabalho é refletido em campo. O sucesso e a falha são importantes, diria até que os fracassos mais importantes que os êxitos, e a publicação destes em forma de artigos ou até livros ajudaria imensamente aos treinadores de todo o país a desenvolverem seu trabalho e técnicas ainda melhores. Não se trata de armar a concorrência e sim de trabalhar para evoluir o esporte praticado no país.
Agora imaginem se o Flamengo fizesse uma parceria com uma universidade particular, a qual ofereceria vagas e bons descontos a funcionários do clube e jogadores da base, enquanto o clube serviria como laboratório, dando vagas de estágio a alunos de destaque e montando em conjunto com a universidade um programa de pós-graduação voltada para o futebol e futuramente a outras modalidades esportivas.
Acrescentaríamos ao processo de formação de jogadores e trabalho com os profissionais caráter científico capaz de ajudar a melhorar a performance atlética dos jogadores, as práticas táticas e de apuração técnica. Os profissionais do clube produziriam material acadêmico sistematicamente, que alimentaria essa via de mão dupla com a universidade.
Para finalizar, os profissionais que começariam na base iriam galgando os degraus mais altos até o futebol profissional, sua avaliação profissional medida não apenas por conquistas de títulos, mas também por índices de desenvolvimento de jogadores e produção cientifica. Um verdadeiro plano de carreira que formaria profissionais identificados, sintonizados com a cultura do clube e sua diretriz de formação, assim mesmo que perdêssemos um desses profissionais de excelência rubro-negra para seleção ou outro clube, logo teríamos outro apto assumir dando continuidade ao cerne do trabalho, mesmo que pontualmente um detalhe ou outro mudasse.
Imaginem ver o Flamengo, hoje referência de administração no futebol, ser referência também na formação de jogadores, treinadores e dirigentes! Sentir frio na espinha ao ver o Real Madrid, Barcelona, Bayern ou Manchester United perderem o treinador ao invés de ficar pensando em queda no São Paulo!
Só para exemplificar, hoje o Flamengo tem como treinador nos juniores (sub-20) o Zé Ricardo, que já fez um ótimo trabalho nos outros estágios da base como na geração que ficou 80 jogos invicta, quase 4 anos. Em caso de saída do Luxemburgo, por que não fazer uma composição do Deivid (atual auxiliar) com o Zé Ricardo para ser interino até contratar um treinador pro profissional? Ou, caso o Luxemburgo saia em dezembro (tendo o Zé Ricardo passado um ano no juniores), por que não considerá-lo como treinador pro profissional? Isso faria muito mais sentido que recontratar o Jayme, profissional que pode ser um ótimo gerente pelo relacionamento que consegue ter com os jogadores, mas que mostrou não ter o necessário tecnicamente para ser um bom treinador.
Saudações Rubro-Negras
Em tempo: Nada do que falei acima implica em gasto financeiro pro clube.
Náyra M. Vieira

Primeiramente, parabéns pela reflexão. Concordo contigo. Os grandes times do mundo que vc citou são marcados por uma CULTURA predominante disseminada desde as escolinhas até o time profissional, passando por funcionários e dirigentes. O FLAMENGO sempre teve uma cultura própria no futebol e nos esportes olímpicos, mas que de um tempo pra cá veio sendo dilapidada por péssimos dirigentes. Se tivermos uma cultura, tanto esportiva quanto administrativa, teremos autonomia e não ficaremos reféns de treinador algum. Quanto ao fato de chamar o Jayme, fiz a mesma leitura que vc.
Viajou, Jayme teve uma carreira longa no flamengo bem como no futebol do espírito santo, chegando mesmo a ser campeão lá. Não acredito q não tenha mostrado capacidade, pelo contrário, demonstrou capacidade inovação, mesmo diante de outros tec. Como Dorival, Jorginho e Mano q com o mesmo time não tiveram o mesmo desempenho. Saiu por conta dos resultados ruins de um time inicialmente em formação. Muitas contratações antes da libertadores e depois muitas contusões.
* acredito q tenha mostrado capacidade.