Fonte: Blog do Mansur
Há duas maneiras de olhar para o Avaí x Flamengo deste domingo. Se opção for por restringir a avaliação aos 90 minutos de jogo, a conclusão é de que se viu uma partida ruim, disputada por dois times de padrão técnico sofrível e que teve seu placar influenciado diretamente por um erro grotesco da arbitragem.
Mas se a opção for por incluir o jogo no contexto da temporada rubro-negra, da trajetória recente do Flamengo, o leque de preocupações aumenta. Dentro e fora de campo, há questões sérias afetando o desempenho.
Comecemos fora de campo. A elogiável e respeitável opção por reestruturar um clube do tamanho do Flamengo, impõe um esforço duro de realizar. Como os investimentos no futebol costumam minguar, a balança só se equilibra razoavelmente com excelência na gestão esportiva. Mas o Flamengo variou o modelo, mostrou falta de convicção, trocou o comando do futebol e do time freneticamente e, no mercado, não foi tão eficiente até aqui. Erros que, justiça seja feita, não se repetem apenas no período delimitado pela atual gestão. Vêm de algum tempo.
O fato é que, nos últimos anos, enquanto era elogiado no administrativo, o Flamengo sempre adiava o salto esportivo. É possível compreender que o trabalho de estancar a crise financeira tenha demorado mais do que o previsto. De novo, não há pecado, embora não fosse a promessa inicial. Acontece. É do jogo.
Mas agora, o clube afirmou ter algum dinheiro para contratar, acenou com nomes de certa repercussão. E, a rigor, só quando o período de contratações se fechar será possível julgar se a expectativa foi correspondida ou não. Mas a verdade é que está diante de um desafio novo, o do tal salto esportivo, uma competição no mercado mais pesada.
Contratação de jogador, no Brasil e em boa parte do mundo, é assunto favorito de nove entre dez torcedores. E já que o clube alimentou, o efeito dominó é imediato: torcedores, opinião pública e imprensa usam e abusam do tema.
O caso é que se criou uma sensação de que tudo o que está em campo é provisório. Quem joga, esquenta o lugar de quem virá. E não se sabe ainda quem virá. Em que posição joga. Então, todos passam a fazer o papel de substituídos em potencial. E quem vai ao estádio, já não quer ver mais os que estão em campo. Prefere sonhar com um time ainda virtual. Diminui a tolerância com o time real. Há pressão excessiva sobre quem tenta contratar e sobre quem tenta jogar.
Mas tudo isso é contornável. Difícil de contornar é a trajetória recente do time. Era justo esperar que o Flamengo que frequentou as últimas posições no Brasileiro passado, que cresceu nitidamente com Vanderlei Luxemburgo, que manteve o treinador e trouxe um bom atacante, fosse progredir em 2015. Natural que ganhasse repertório, deixasse de ser quase exclusivamente dependente da velocidade, do contra-ataque.
Só que, no lugar de evoluir, o time piora. Contra o Avaí, foi incapaz de conduzr a bola da defesa ao ataque, viveu de bolas longas, foi indigente na criação. Pode-se contar nos dedos os momentos em que trocou três ou quatro passes seguidos em manobras ofensivas. E pior: perdeu a alma.
Impossível disfarçar a sensação de que, mesmo com os problemas que vêm de fora do campo, o time que está em campo poderia, e deveria, render mais. Nem o jogo de velocidade, que parecia pouco mas já foi suficiente, o Flamengo de hoje consegue reeditar. Vanderlei não encontra caminhos. Mas os erros técnicos em campo, a dificuldade de execução de jogadas serve, no mínimo, para dividir a responsabilidade entre treinador e jogadores.
O Flamengo ainda não estreou no Brasileiro. Com ou sem reforços, convém não adiar tanto.

Paulo Pelaipe e Ximenes contrataram melhor e com menos dinheiro. Ainda tô esperando ver o que o Rodrigo Caetano vai fazer, porque até agora só trouxe baba.