Fonte: Renato Maurício Prado
O Vasco é o novo campeão estadual, após 12 anos de jejum. Surpreendente? Nem tanto. Num torneio nivelado pela mediocridade geral, ganhou quem prevaleceu nas semifinais e finais, ou seja, na hora da verdade. Em quatro jogos, dois contra o Flamengo, dois contra o Botafogo, o Gigante da Colina venceu três e empatou um. Fim de papo.
Impossível não registrar, entretanto, a coincidência da conquista ter sido do clube dirigido pelo maior aliado do presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, enquanto os coirmãos que lhe fizeram oposição (leia-se a dupla Fla-Flu) ficaram pelo caminho, sofrendo com suspensões de jogadores e treinadores, baseadas no mais esdrúxulo dos regulamentos.
Mas, como diria o velho João Saldanha, “vida que segue” e parabéns aos campeões. O pior Carioquinha dos últimos anos não merece mais que isso. Nem enganar, consegue mais.
Faz sentido?
O borderô da final é um exemplo perfeito do absurdo que rege o futebol desse estado. Da renda de R$ 3.286,580,00, cada clube faturou apenas R$ 771.557,93, e o Botafogo ainda teve que tirar daí R$ 5.580, por conta do exame antidoping.
O Consórcio Maracanã embolsou R$ 563.266,51 com o aluguel. A Federação Estadual de Futebol do Rio de Janeiro ficou com R$ 320.813 mil. O total das despesas somou R$ 1.687.496,21, ou seja metade da renda como um todo.
Do jeito que está, todo mundo perde e só a Ferj ganha… Dá-lhe, Rubinho!
Sonho impossível
Não é original a ideia de Flamengo e Fluminense, que agora falam em disputar o Estadual de São Paulo, em 2016, abandonando o falido Carioquinha. Quando dirigiu o Fla, Kleber Leite tentou fazer a mesma coisa, pelos mesmos motivos (brigas com a Federação) e não conseguiu.
Bocejos no ringue
A chamada “luta do século”, entre Floyd Mayweather e Manny Pacquiao, foi uma das coisas mais irritantes do esporte, nos últimos tempos. Apesar de ainda ser capaz de movimentar milhões e milhões de dólares num só combate (vide as bolsas dos dois lutadores), o boxe demonstra estar mesmo muito mal das pernas, quando dois de seus principais lutadores na atualidade protagonizam espetáculo tão enfadonho.
Nunca pensei que fosse ouvir da boca de um boxeador algo como o que li, foi disparado pelo espalhafatoso Mayweather, após ser considerado o vencedor, embora a maior parte do tempo tenha apenas fugido ao combate e contra-atacado com golpes tímidos:
– Lutei com o regulamento debaixo do braço – justificou-se.
Era só o que faltava. A praga tão disseminada entre os nossos “professores” da bola chegou aos ringues. Parei com o boxe. E olha que já fui fã ardoroso de Éder Jofre, Muahamad Ali, Myke Tyson etc. Mas, esses pugilistas de hoje em dia, praticam um outro esporte. Não é à toa que o MMA tem crescido tanto.
Tragicômico
Você percebe que algo está fora da ordem quando quem alardeia a volta do respeito é exatamente um dos mais desrespeitosos personagens do nosso futebol… Parece até político falando de malfeitos…
Tragédia anunciada
Já tivemos torcedor morto por um vaso sanitário atirado da arquibancada, em Recife; outros, assassinados em tocaias nas ruas e estradas; o sangue já manchou arquibancadas de norte a sul, em cenas de selvageria explícita, e nada, rigorosamente, nada acontece. Nesse último final de semana, o gramado do Castelão (arena da Copa) foi invadido, após o término da final, e o que deveria ser festa se tornou uma enorme pancadaria entre boçais. Caminhamos, a passos largos, para tragédias gigantescas, como as que aconteceram em Sheffield, na Inglaterra, e Heysel, na Bélgica. E ninguém faz nada…
Falando sério
No panorama atual, alguém aposta um centavo nas possibilidades de um clube do Rio se tornar campeão brasileiro? Não vale o Botafogo pela Série B…
