Fonte: Renato Mauricio Prado
A final da Liga dos Campeões nos mostrou como o futebol ainda pode ser bonito, bem jogado e eficiente. O gol do Barcelona, logo no início da partida, obrigou a Juventus a partir para o ataque e o que se viu no Estádio Olímpico de Berlim foi um espetáculo futebolístico de primeira grandeza. Algo impossível por aqui, hoje em dia, entre outras coisas, porque não temos mais craques.
O último que nos restou, Neymar, estava em campo no sábado passado, com a camisa do Barça. E fez bonito. É verdade que a pobreza técnica (e tática) do nosso futebol não está ligada apenas ao maior poder econômico de europeus e asiáticos — a escassez de grandes jogadores deve-se também a vícios nas divisões de base, dificultando o florescimento dos verdadeiros talentos.
Mas que para fazer um timaço, atualmente, em qualquer parte do mundo, é preciso muita grana, nem se discute. O que dói é saber que rios de dinheiro, gerados aqui pelo velho e violento esporte bretão, não contribuem em quase nada para a saúde financeira de nossos clubes. Até porque têm sido sistematicamente desviados para bolsos indevidos, como vem provando as investigações do FBI.
Aliás, está comprovada também a gigantes potoca de que a Copa tupiniquim impulsionaria o futebol brasileiro — restou-nos apenas a humilhante goelada por 7 a 1 e um sem-número de arenas deficitárias pelos quatro cantos do país.
Mas que uma porção de gente lucrou com ela, lucrou… E como!
A hora H
Quem conhece as relações entre José Maria Marin e Marco Polo del Nero sabe que é quase impossível imaginar que o primeiro tenha feito algo, em seu mandato como presidente, sem o conhecimento e a participação do segundo.
Assim como Joseph Blatter, na Fifa, Del Nero deveria anunciar a sua renúncia da CBF e sair de cena, de fininho, rezando por destino melhor do que o de seu parceiro, que ora amarga uma prisão na Suíça.
Seria a hora perfeita para os clubes se unirem e fundar a Liga, colocando à frente dela um presidente limpo de toda essa sujeirada e com prestígio suficiente para recolocar o futebol brasileiro em seu verdadeiro lugar. Admito, não é uma missão fácil. Mas nada pode ser simples para quem está no fundo do poço, como é o nosso caso.
Sinal de alerta
Qual é o time titular do Flamengo? Essa é uma resposta que o técnico Cristóvão deve responder o mais rapidamente possível. Desde o início do ano, ainda com Vanderlei, a escalação era trocada a cada partida. Se o elenco já não é lá grande coisa, como a equipe vai se entrosar e ganhar ritmo de jogo se muda sem parar?
Em tempo: Oswaldo de Oliveira e Marcelo (também de Oliveira, bicampeão com o Cruzeiro) são dois dos treinadores que os dirigentes rubro-negros têm como sonho de consumo. É bom Cristóvão começar a dar resultados rapidamente…
Alívio
De um botafoguense bem-humorado e feliz com a campanha de seu time na Série B:
— Estou gostando desse negócio de disputar a Segundona, viu? Acho até que deveríamos considerar a possibilidade de continuar por lá… É só alegria!
Decepção
E Novak Djokovic derrotou Rafael Nadal, mas perdeu feio para Stanislas Wawrinka na final de Roland Garros. O suíço, que sempre viveu à sombra de Roger Federer, fez um torneio impecável, batendo, entre outros, o seu compatriota mais famoso e massacrando Nole na partida que decidiu o título. Vitória surpreendente mas incontestável e merecida pelo que Stan jogou em Paris.
Ausência forçada
A coluna de domingo passado não foi publicada porque eu estava em Conservatória para uma exposição de cães pastores alemães (minha nova e grande paixão). De lá, não houve jeito de conseguir uma conexão firme o bastante que me possibilitasse redigir e enviar o texto, por isso, peço desculpas aos leitores. Como contrapartida, prometo, em breve, numa das folgas do nosso futebol, contar um pouco da história de Rin Tin Tin (meu campeão!) e desse mundo fantástico dos pastoreiros. Se houvesse, no mundo da bola, a amizade e o companheirismo que une os criadores desses cães, nossas competições seriam, com certeza, bem melhores.

Você deveria tomar vergonha na cara em falar qua a final da liga foi esse jogo todo, teve uns 15 min de bom jogo. Foi mais feio que bonito tocava a bola pro goleiro e a juve não acertava um toque de 10 cm e o Barcelona ficava tocando a bola no meo de campo so isso agora pq o tem grandes jogadores foi bonito fou bonito uma merda isso sim
A supremacia européia atual no futebol, inclui
uma estrutura formada há décadas. Entretanto, não implica necessariamente
em conquistas ininterruptas. Conseguimos ser pentacampeões, 2 vezes vice, 3
vezes 3 lugar… em copas do mundo, além de conquistarmos vários outros títulos
internacionais importantes. O meu entendimento é que, quando queremos adotar o
estilo europeu de jogar futebol, nossa performance fica abaixo dos europeus obviamente
porque eles são melhores no tal estilo, de cintura rígida e poucos dribles,
muita força física, bolas alçadas e toques de primeira. O nosso estilo inclui
fundamentalmente o drible. Este fator diferenciador, creio eu, vem da
necessidade de se safar das dificuldades. Daí, a capacidade elevadíssima do
brasileiro, infelizmente, em enganar, ter malandragem, saber, como ninguém,
passar para trás. Acho que o drible nasceu aí. Na tentativa de ter estilo
europeu, estamos trazendo brasileiros que atuam na Europa. ainda bem que muitos
não se submeteram totalmente ao estilo internacional e dão o seu recado. Na
Copa 2014, Oscar, Hulk, Luiz Gustavo e outros, mostraram suas cinturas duras e
pouca criatividade. Ficaram de fora Tardelli, Elias, Robinho, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho… bem
como o estilo definido de uma equipe base (o bi-campeão nacional ficou fora da
copa).
Apesar de marcante e de expressar a fraca estrutura da equipe de Scolari e a indiferença da CBF para o que realmente importava, a derrota de 7 a 1, foi um ponto fora da curva. Acho que, com os mesmos jogadores daquela partida, poderíamos até ganhar, jogando novamente. Penso ainda que, com a recente mudança, já estamos competitivos, pois o drible voltou. William está me agradando, fazendo lembrar jogadas de Jairzinho. Tardelli, Elias, Robinho, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho têm muito a apresentar, jogando o verdadeiro futebol brasileiro. O Brasil foi tri-campeão após o fiasco de 66 (ainda que tivesse, à época, uma das melhores safras de jogadores). Talvez não sejamos hexa em 2018, mas acredito que, mantendo o estilo atual, sairemos da próxima copa, com cabeça erguida.
O problema é que na Espanha tem 2 times grandes e 2 médios e o resto é palha. No Brasil são 12 times grandes e 6 médios…
Por isso que sou a favor da espanholização do futebol brasileiro. Se tivéssemos 4 times grandes e uns 8 médios o nível desses times seria muito melhor.
Antes era assim.
Na década de 60, mandavam Santos e Botafogo.
Na de 70 foram Palmeiras e Inter.
Na década de 80 Flamengo e Atlético MG eram a base da seleção…
Da década de 90 em diante começaram a levar nossos craques em massa para a Europa e pulverizaram o futebol brasileiro.
A Espanha foi campeã mundial com 6 jogadores do Barcelona, que jogavam juntos e tinham conjunto.
A Alemanha também tinha 6 jogadores do Bayern.
A Itália, onde os melhores jogadores também estão pulverizados em várias equipes também têm muita dificuldade na hora de fazer a sua seleção jogar bem.
Futebol é sobre tudo conjunto. O dia em que tivermos 4, 5 jogadores do Flamengo + uns 4, 5 do Corínthians ou de outro time na seleção, a seleção voltará a ser quase imbatível.