Fonte: Ninho da Nação
Na temporada passada muitos não quiseram reconhecer José Neto como o melhor treinador porque argumentaram que ele “tinha em mãos uma equipe forte”.
Como se a equipe jogasse por si só. Que bastaria um time recheado de grandes jogadores que o resultado seria automático. Como se ter bons atletas tirassem os méritos do Neto.
Eduardo Agra, comentarista da ESPN, foi certeiro, à época, quando elegeu o treinador Rubro Negro o melhor do campeonato: “Fazer um time de estrelas jogar como equipe, com doação, com coletivismo, acho mais difícil do que fazer um time médio”.
Essa temporada é a prova cabal de que não basta montar uma seleção que se conquistará todos os campeonatos. Guerrinha, técnico do Bauru, teve em mãos um dos melhores elencos dos últimos anos, aclamado por todos, porém precisou de cinco jogos nas quartas e semifinais e foi varrido na final pelo Flamengo.
José Neto teve fases turbulentas e os questionamentos vieram, alguns justos. A demora por vezes em pedir tempo, parar o jogo e impedir a reação do adversário é um dos seus grandes problemas. Ter mantido Herrmann e Marcelinho de titulares nos custou seis derrotas no primeiro turno do NBB e atuações sofríveis. Ter usado pouco o Felício quando Meyinsse não vinha bem é outro ponto.
Mas vejo alguns pontos positivos, como o enfrentamento ao Marcelinho Machado e ter tido o aval da diretoria. Foi a partir dessa punição que o Flamengo voltou aos trilhos e conseguiu cinco vitórias seguidas, sendo três dessas disputadas em São Paulo e sem o experiente jogador: Franca, Pinheiros e Palmeiras.
E fez Benite crescer ofensivamente, conseguindo média de incríveis 19,2 pontos nessas cinco partidas e, com Olivinha de titular, viu um Flamengo marcando mais e fazendo boas marcas defensivas, sofrendo média de 64,2 pontos, inferiores aos 80,1 pontos por jogo.
Na 11ª vitória consecutiva novas mostras de um José Neto com sangue nos olhos e querendo sacudir a equipe. Contra o Rio Claro e já com o terceiro lugar garantifo o treinador fez a torcida no Tijuca silenciar incredulamente os cantos tamanho a surpresa, e depois aplaudir, pela bronca dada: Neto ficou irritado e indignado com a postura do time defensivamente e parecia querer sacudir um a um.
Nas 22 últimas partidas deste NBB (12 pelo segundo turno e 10 pelos playoffs), o Flamengo venceu 20, perdendo apenas as duas para São José nas quartas de final.
Justamente nessas duas partidas, o time voltou a demonstrar um basquete irregular. Entretanto a equipe se uniu antes do quinto jogo das quartas de final contra São José, lavou roupa suja e conseguiu uma vitória espetacular: 98 x 64.
Com Olivinha e Benite de titulares o Flamengo marcou demais na semifinal e final. Basta lembrar os quase seis minutos que deixou Limeira sem pontuar no quarto final da primeira partida da semifinal e depois ter limitado o forte ataque do Bauru a menos de 70 pontos. Foi o grande diferencial do Flamengo.
Na temporada passada esse blog escolheu José Neto como o melhor do Brasil. Pelo metade final da temporada, pelas grandes atuações contra duas grandes equipes na fase decisiva, pela postura de sacudir o time quando via que não estava correspondendo dentro de quadra, o blog repete a premiação ao treinador Rubro Negro como o melhor do NBB.
André Amaral
