Fonte: Site Oficial Flamengo
A segunda-feira (21.06) começou com uma notícia triste para toda a Nação Rubro-Negra: a morte de Carlinhos, ex-técnico e ex-jogador do clube. Um dos maiores ídolos do Flamengo, Júnior, trabalhou com o “Violino” e deu emocionado depoimento sobre o falecimento.
Nele, conta que Carlinhos foi fundamental para sua participação no título Brasileiro de 92. “Estávamos comemorando o titulo Carioca de 91. Perguntei a ele: ‘O que você vai fazer? Vai renovar o contrato?’. Ele, com a calma de sempre, falou: ‘Se você renovar eu renovo!’. Falei ‘Então está fechado, estou contigo pro Brasileiro’. Resultado: foi a conquista do Penta Brasileiro de 92”, lembrou Júnior.
Confira o depoimento completo:
“Mais um mestre se foi!
Hoje nosso Carlinhos “Violino”, como era conhecido, nos deixou!
Quem teve o privilegio de conviver, seja profissionalmente ou na vida pessoal, com esse cara que só transmitia coisas boas… Sei que era às vezes rabugento, mas isso fazia parte da sua forma de vida.
Eu tive a honra de ser seu atleta no fim da minha carreira e foi a melhor coisa que podia me acontecer. Afinal, essa parceria rendeu títulos que para mim ficarão como alguns dos mais importantes da minha carreira, principalmente o Brasileiro de 92.
Com sua fala mansa e seu jeito calmo de ser, conseguia as coisas sem gritar ou se exaltar. Posso dizer que essa convivência com ele me fez jogar até os 39 anos. Sua confiança no meu trabalho e seu incentivo para continuar jogando foram fundamentais para que isso acontecesse.
Lembro que estávamos comemorando o titulo Carioca de 91 no La Mamma, onde íamos sempre comemorar as vitórias e conquistas. Perguntei a ele: “O que você vai fazer? Vai renovar o contrato?” Ele, com a calma de sempre, falou: “Se você renovar, eu renovo!” Eu falei “Então está fechado, estou contigo pro Brasileiro”. Resultado: foi a conquista do Penta Brasileiro de 92! Se não fosse sua resposta, eu teria pendurado as chuteiras naquele momento!
Obrigado, amigo, por tudo que fez por mim e pelo Flamengo! Gratidão eterna!!”



























O tempo dos gigantes no Mengo terminou. Agora Carlinhos, outros também partirão. Logo, mais rubro-negros dirão: eu não o vi jogar, eu não o vi treinar. Tristes tempos esses que vivemos e que ainda nos aguardam. Ídolos de pés de barro já começam a povoar o imaginário da torcida, iludindo-a com frases de efeito: flamengo é flamengo e outras que tais. Não é novidade os que que beijam o escudo apenas com os lábios, distanciando-o do coração, puxando a camisa com as mãos volúveis para os fotógrafos de plantão. Já tivemos Andrade, Bebeto e Tita. Mas na era dos heróis, havia os que ficavam, os que partiam contra a vontade, os que amavam de verdade as cores rubro-negras. Moderato (alguém ouviu falar dele?), jogou com uma cinta após ser operado de apendicite. Isso em 1927. Tentem imaginar o que era ser operado em 1927. E ainda fez um gol, que nos garantiu a vitória por um de diferença, já que o América fez o seu. Recentemente dois treinadores foram dispensados e isso gerou um mal-estar dos diabos, inclusive com a cumplicidade de parte da torcida. Carlinhos foi dispensado algumas vezes e sempre retornou com o amor que só os que amam de verdade conhecem. Era um General, mas sempre se oferecia como soldado. Era Gigante pois se imaginava pequeno, apenas mais um flamengo. Mas a sua grandeza não residia justamente aí?
Participo do grupo Fladarfeiro da Bahia. Sempre apelidamos os darfs. Os dois próximos se chamarão Carlinhos e Violino. É pequena a homenagem, mas bem adequada a quem nunca se imaginou gigante, embora fosse.