
Este é o meu trigésimo-sexto post aqui no RP&A. Alguns foram otimistas e outros nem tanto, houve os que passearam fagueiros pelos felizes caminhos da ironia, os que comemoraram vitórias e os que lamentaram derrotas, argumentos a favor e contra o mesmo técnico, um pouco de tudo. Mas lembro de apenas um texto raivoso. O título era “A Brigada dos Tesoureiros Radicais” e foi publicado em 17 de maio, depois do empate em dois a dois com o Sport, no Maracanã, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro.
Naquele domingo o Sport abriu dois a zero, conseguimos chegar ao empate mas, ao contrário do que situações semelhantes costumam provocar, engoli o resultado e a atuação sentindo um travo de derrota. E eu detesto perder para o Sport.
Além disso, no final daquele jogo e vestindo a camisa número 87, para fazer média com a sua iludida torcida, Diego Souza falou mais bobagens do que somos capazes de aceitar da parte de quem sai de uma partida com a cabeça quente.
No curto período em que dirigiu a seleção brasileira, Leão costumava causar estranheza em suas convocações. Certa vez, questionado sobre o tema numa mesa-redonda, ele disse o seguinte: “No Brasil há muitos jogadores que são menos reconhecidos do que merecem, e muitos que são supervalorizados sem merecer.”
Tremendo enganador, Diego Souza é titular absoluto do segundo time. O tipo de jogador que tem muito mais empresário do que futebol ou, como diz Caetano Veloso na letra de “Eclipse oculto”, é muito mais fama do que proveito.
Fizemos um bom jogo e soubemos aproveitar a justa expulsão de Samuel Xavier. Futebol é hoje tão corrido que cansa até quem está assistindo, daí que jogar com um a menos torna tudo mais difícil. Como não tínhamos nada com isso, fizemos o que precisávamos fazer, giramos a bola, defendemos bem a nossa área – sofremos apenas um lance de perigo, no primeiro tempo, quando o zagueiro Matheus Ferraz cabeceou no travessão, e Paulo Victor fez sua única defesa no segundo tempo aos 43 minutos. Entretanto, é preciso criticar a reincidente falta de competência do time para matar a partida, numa arriscada repetição do que já acontecera contra o São Paulo. É certo que não corremos riscos, mas só voltamos a incomodar o Sport já no final, numa ótima deixada de Cirino que Alan Patrick completou para fora e num belo passe de Alan Patrick que Paulinho concluiu em cima do goleiro Danilo Fernandes. Pouco.
Sim, precisamos tocar os sinos, erguer as mãos aos céus e encomendar missa de ação de graças: depois de sete partidas consecutivas, que pareceram uma eternidade, finalmente terminamos um jogo sem levar gol. Estou gostando da confiança de Paulo Victor, que não tem mostrado receio em disputar bolas aéreas além da pequena área. A zaga foi firme, o meio-campo mandou no jogo – quem diria que Alan Patrick fosse tão importante para o nosso time –, mas, insisto, precisamos aprimorar as finalizações. Com as exceções que confirmam a regra, jogos de futebol têm cada vez mais marcação e menos oportunidades. É importante treinar exaustivamente e definir com frieza, para depois não reclamar do calor, da chuva, do gramado, do juiz ou da falta de sorte.
Acho que já escrevi aqui que esse papo de G4 não faz minha cabeça. Time grande que se preza tem que entrar no Brasileirão pensando em título, e não em vaga na Libertadores. Entretanto, diante de tantos erros que cometemos e dos tantos contratempos que tivemos de encarar em 2015, pegar essa vaguinha aí pode se transformar num círculo virtuoso: a vaga empolga a magnética, nosso programa de sócio-torcedor decola, a grana jorra, o time se fortalece. A diferença para o Palmeiras é de apenas cinco pontos, ainda há muita água para correr por baixo da ponte, quem sabe?
Para encerrar, recorro ao auxílio luxuoso do Mercio Querido, figuraça que não teve medo de encarar a responsa de substituir o insubstituível Muhlenberg no GE. Ontem, em sua página no facebook, Mercio postou o seguinte: “Já planejei como gastar o dinheiro de loterias nas quais não joguei. Já tive sexo dos bons com mulheres que nem conheci. Por que o Sport não pode comemorar título de um campeonato que não disputou? Cada doido com sua mania.”
Genial.
Jorge Murtinho
Fonte: República Paz & Amor
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Muito bom texto Murtinho. Parabéns e saudações rubro-negras.