
A eliminação na Copa do Brasil nas oitavas de final poderia por si só ser considerada um vexame já que o Flamengo tradicionalmente vai muito bem em competições mata-mata. Mas o peso aumenta sobremaneira quando consideramos que a eliminação aconteceu para o pior time do Brasil em relação a sua série, praticamente já rebaixado para a série B, motivo de piada rodada após rodada. A humilhação se completa com a perspectiva de que o Flamengo só ganhou do Vasco esse ano sob temporal, Maracanã alagado, perdendo outros 5 jogos (o jogo ontem era de placar agregado, portanto 2 a 1).
Entretanto, apesar de muitos considerarem pontualmente a derrota ou tomarem como um problema pontual contra o Vasco, nosso Nêmesis em 2015, precisamos dar alguns passos pra atrás e realmente avaliar o cenário do Flamengo este ano. Não chegou a decisão do Carioca, eliminado na Copa do Brasil precocemente, brigando para não cair no Campeonato Brasileiro e, pior de tudo, conseguindo fazer jogos ruins mesmo com a força máxima em campo, o que não deveria acontecer com nomes como Guerreiro, Ederson e Sheik no time.
O que deu errado? Como um time que tem uma das mais altas folhas salariais do país não funciona? Como um time com uma torcida como a do Flamengo não consegue se garantir em casa mesmo com médias altas de público?
Como entra e sai ano e o Flamengo continua brigando para não cair????
Para tentar responder essa pergunta devemos olhar para trás e ver o caminho percorrido de 2013 até aqui e tentar entender como chegou-se a essa situação.
Treinadores
Diretores de Futebol
Dorival Jr havia feito um bom trabalho de recuperação no Flamengo em 2012, montou um time sólido com padrão de jogo e vitorioso em 2013, aliás, o melhor treinador desse triênio. Porém desde 2012 já se sabia de seu contrato com aumentos progressivos, assim a pergunta que fica é: Por que deixaram que ele conduzisse a pré-temporada, treinasse durante meio carioca e “montasse o plantel”?
Outra coisa a chamar a atenção é a média de duração dos treinadores: 3 meses no meio do ano e 5 meses no início do ano, sendo que os treinadores cuja função é “pagar incêndio”, casos de Luxemburgo e Jayme, cujo único objetivo era livrar o Flamengo do rebaixamento, acabam ganhando sobrevida pela permanência na série A, ou seja, a perspectiva para Oswaldo é ficar até pelo menos o Carioca caso a atual administração vença as eleições.
Um dado que até então havia me escapado e me saltou os olhos nesse levantamento: Os novos treinadores são anunciados geralmente no dia seguinte ou no mesmo dia da demissão do antecessor, a exceção de Mano Menezes que demorou 1 semana.
Além disto tudo, repararam que os treinadores têm perfis diferentes? Seja de conduta pessoal, relacionamento com jogadores e preferências de treino e arrumação de time, até mesmo de perfis preferidos de jogadores. Veja se tem cabimento o treinador 1 montar o elenco da maneira A, chega o treinador 2 que gosta do elenco da maneira B e começa a atentar reformar na medida do possível aquilo que já começou ruim, aí vem o apagador de incêndio que prefere um estilo C, mas que já praticamente não tem como mexer no time por que o elenco está quase todo fechado, janela encerrada para compra e acaba tendo como opção apenas fazer feira na série B.
Resumindo as impressões anteriores, podemos notar a total falta de compreensão da importância do treinador de futebol para um time por parte do Conselho Gestor. Nitidamente eles olham os treinadores livres no mercado, riscam os nomes que já passaram por eles, fazem levantamento do salário e pegam o mais barato. A exceção aí foi Mano Menezes, sonho de Pelaipe, que além de não ser barato não foi escolhido por estar sobrando.
Essa atitude do Conselho Gestor é típica de quem acredita que o treinador é um simples distribuidor de colete que faz discursos motivadores, uma concepção que poderia caber no século passado, mas está longe de ser verdade no século XXI, basta vermos o perfil dos melhores treinadores do mundo hoje. Enquanto não for parte do planejamento ter um treinador estudioso com domínio das técnicas mais modernas de treinamento e organização do time, enquanto não tiverem a concepção de que nenhuma figura é mais importante que o Capitão do Navio, continuaremos vendo um bando em campo que muito pouco lembra um time e vive de estragar bons jogadores.
Quantos treinadores saíram do Flamengo desde 2013 e fizeram sucesso em outro clube? Quantos jogadores saíram do Flamengo desde 2013 e fizeram sucesso em outro clube?
Outro fator preocupante é o modo como o diretor de futebol é tratado hierarquicamente. Se todos os departamentos do Flamengo são profissionais e os seus diretores tocam e muito bem seus departamentos a ponto de o clube ser referência de gestão, no futebol temos a exceção. O futebol do Flamengo é amador, seu diretor é um gerente que resolve as coisas do dia a dia, mas não tem poder nas grandes decisões, estas são tomadas pelo Conselho Gestor como todos que saem do Flamengo (diretores e treinadores com exceção do elegante Ximenes) acusam.
Sabe o dado que aponta essa “desimportância” do diretor executivo? Ney Franco trouxe Ximenes, que mesmo fazendo ótimo trabalho foi “demitido” por Luxemburgo, que trouxe Rodrigo Caetano. Além disto, em várias oportunidades houve declarações de diretores dizendo que não participaram da reunião do Conselho Gestor, apesar de “no papel” fazerem parte do conselho, como anunciado no site oficial.
Eu reconheço todos os méritos administrativos da atual gestão, acredito que o Flamengo foi colocado novamente nos trilhos e tem tudo para ser o maior clube da América do Sul no futuro, mas enquanto o futebol for gerido por amadores esse futuro continuará sendo longínquo. Por isso minha opinião é a de que não se pode tratar a eleição como as pessoas vem fazendo, cultivando uma dicotomia nociva oriunda das religiões monoteístas que para afirmar o poder do bem, representado por seu deus, cria um mal absoluto na forma do seu nêmesis.
O Brasil tem uma forte cultura personalista, que empurra o país para pensamentos de fortalecimento do executivo. Do mesmo modo que se ataca muito mais forte o PT por ser o partido que ocupa a presidência, muitas vezes fechando os olhos para o legislativo corrupto composto por diversos partidos, falamos do PT de Lula, do PSDB de FHC, da Rede de Marina, sem pensar que os partidos são conduzidos não por uma, mas por um grupo de pessoas que definem as diretrizes e caminhos a serem seguidos. No Flamengo não é diferente, atribui-se as coisas boas ao Bandeira e as coisas ruins aos seus “inimigos”, fecha-se os olhos para seus erros por considerar os acertos mais relevantes, porém o fato é que o Flamengo é um time de futebol e este esteve longe de ser bem-sucedido neste triênio e não por falta de dinheiro, já que as folhas salariais têm figurado entre as maiores do país.
Não estou aqui para fazer propaganda política, mas para pedir que todos reflitam de modo centrado e racional, sem eleger santos e pecadores, apenas considerando de fato o que foi feito esses anos e os resultados apresentados ao longo dos anos. Todos falam que Wallim não sabe nada de futebol e não posso discordar disto após ele dizer que o Maracanã e o Mineirão eram campos neutros às vésperas de um Flamengo x Cruzeiro pela Copa do Brasil, porém eu pergunto: O que mudou no futebol desde a saída de Wallim em 02/06/2014?
Em 2016 o futebol certamente estará em xeque, não dá para continuar se sustentando apenas em bons resultados de gestão, patrocinadores querem times vencedores para associar sua marca e, hoje, o Flamengo está longe de ser vencedor, até no momento em que teve sua maior vitória, a Copa do Brasil, esteve no seu pior momento de luta contra o rebaixamento, tendo terminado muito perto do Z4 a ponto de quase ser rebaixado por um erro (inadmissível, diga-se).
Saudações Rubro-Negras
Fonte: Flamengo em Foco
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Excelente explanação
Faltou falar que em 2012 - 11º lugar, 2010 - 14º lugar, 2006 - 11º lugar, 2005 - 16º lugar, 2004 - 18º lugar, 2003 - 12º lugar. Em outras gestões fomos mal também. SRN