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Porque a Copa Sul-Minas-Rio é fundamental para os clubes e o vai-e-vem da CBF

Redação
Redação
Publicação: 21/10/2015
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Atualização: 21/10/2015
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“Vou discutir futebol com quem paga folha, com quem não pode andar na rua quando o time perde. Esse é que manda no futebol, que conhece futebol.”

Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético Mineiro e CEO da Liga Sul-Minas-Rio, explicando que não quer discutir com o pessoal de federações e confederação que, segundo ele, não conhecem a realidade dos clubes.

“O primeiro trimestre é a pior fase do ano para os clubes. A receita é muito baixa, pois não tem bilheteria em janeiro. E nem em fevereiro, com o Carnaval atrapalhando ainda mais na maioria dos anos. A rigor, nem em março a receita é boa. As despesas, porém, não deixam de existir. Os clubes zeraram totalmente os cofres em dezembro, pagando salário, férias e 13º. Nunca há reservas para começar o ano e todo ano é a mesma história: “cheque especial” (linhas de crédito automático) no limite e dinheiro emprestado dos bancos. O começo de ano quebra a maioria dos clubes.”

Executivo da área de finanças e controle de um dos maiores clubes brasileiros e também um dos mais organizados.

As citações acima traduzem o porquê da criação da Liga Sul-Minas-Rio e de sua Copa. Os grandes clubes trabalham hoje com folhas de pagamento muito grandes e precisam de injeções maciças de dinheiro todo mês.

Como os balanços de nossos clubes são, na maioria, pouco detalhados, tomei como base o custo total do futebol, formado, por salários, direitos de imagem, obrigações trabalhistas e todos os demais custos de um time grande jogando por todo o Brasil, para dar uma ideia da ordem de grandeza dos valores gastos e que precisam entrar no caixa dos clubes.

Considerando os oito maiores clubes da nova Liga, a saber: Cruzeiro, Internacional, Atlético Mineiro, Flamengo, Grêmio, Fluminense, Coritiba e Atlético Paranaense (em ordem pelo custo total do Futebol em 2014), temos um total de R$ 1,125 bilhão. Naquele ano, porém, parte dos custos do Fluminense foram bancados pela Unimed. Para ter uma visão mais realista, fiz uma estimativa por comparação para o custo total inteiramente por conta do clube, chegando ao valor de R$ 1,2 bilhão.

Esse valor representa um custo médio anual com o futebol, para esses oito clubes, no valor de R$ 150,4 milhões.

O que nos dá um custo mensal médio, por clubede R$ 12,5 milhões.

Esse valor representa um custo total médio de R$ 37,5 milhões para o primeiro trimestre do ano. Hoje, possivelmente, o único clube que talvez consiga bancar esse valor é o Flamengo, mas somente em teoria, como se não houvesse adiantamentos de valores de patrocínio e direitos de transmissão.

Os valores de 2015 são menores que os de 2014, aparentemente e pelo que mostram números preliminares de alguns clubes, mas trabalhando ainda com os números da temporada passada, Cruzeiro, Internacional e Atlético Mineiro gastaram com o futebol um total próximo de R$ 600 milhões!

Somente no primeiro trimestre de 2014, os três clubes dispenderam quase R$ 150 milhões com o futebol. Mais de R$ 16 milhões cada um deles por mês!

Apesar dos direitos de transmissão, os estaduais não proporcionam nada que se aproxime desses valores, principalmente para os times gaúchos e mineiros.

A sangria é brutal.

Essa é, sem a menor dúvida, a principal razão que leva esses clubes a brigarem pela realização da Copa Sul-Minas-Rio: melhorar o fluxo de caixa nos três meses críticos de início de temporada. Para isso, contribuirá o interesse dos torcedores pelas partidas, muito mais atraentes que as dos estaduais, a possibilidade de melhores patrocínios e, claro, um reforço sensível no caixa pelos direitos de transmissão.

O recuo da CBF

Quando tudo parecia certo, com a bênção da CBF, entrou em cena o presidente da Federação Carioca, a FERJ, que confrontou a CBF e exigiu o cancelamento da Copa Sul-Minas-Rio.

Diante dessa investida a CBF recuou e convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para discutir a questão e liberar ou não a realização da Copa.

Nos últimos meses, logo depois da prisão de José Maria Marin e da movimentação e aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte, a Confederação ficou mais “simpática” e efetuou várias mudanças, inclusive estatutárias.

Dentro de uma nova política “CBF boazinha”, em tudo diferente do que se viu na longa direção de Ricardo Teixeira, a criação da Liga e a realização da Copa Sul-Minas-Rio já estavam aprovadas, até a FERJ protestar.

A briga política iniciada no Campeonato Carioca ganhou um novo palco e novos atores.

À primeira vista a posição da federação do Rio de Janeiro, estimulada por Botafogo, Vasco e os clubes pequenos, parece que sairá vencedora, mas do outro lado estão quatro federações de peso – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais – e há articulações em curso. Creio que o resultado é incerto, embora penda para a posição da FERJ.

O grande pano de fundo, porém, continua sendo o calendário e o número de datas reservadas aos torneios estaduais. Em algum momento, que não poderá demorar muito, o futebol brasileiro terá que discutir tudo isso a fundo e procurar uma solução de consenso, que permita aos grandes clubes maiores receitas e garanta sobrevivência digna aos pequenos.

Fonte: Olhar Crônico Esportivo

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