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Clube de Futebol: uma empresa familiar

Redação
Redação
Publicação: 21/11/2015
1 comentário
Atualização: 21/11/2015
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Futebol – o jeito empresa familiar dos clubes, a profissionalização da gestão e o torcedor-acionista” – Parte I

Vocês verão a seguir o primeiro de um total de três textos sobre gestão e profissionalização dos clubes de futebol. Essas considerações são do Cesar Grafietti, que é economista e Gerente de Crédito do Itaú BBA.

O Cesar é bem conhecido de todos, mas não pelo nome e sim por seu trabalho, pois ele é o coordenador do estudo “Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol”, que teve nesse ano de 2015 sua quarta edição publicada e comentada por este OCE.

Creio ser desnecessário ressaltar que ele é “fanático por futebol e gestão”, gostos que, não por coincidência, estão na raiz e na razão de ser desse espaço.

Nesse primeiro texto o autor mostra a realidade de uma empresa familiar que sai do nada e cresce, cresce, cresce, até que em um determinado momento fica grande demais para ser uma empresa de família, um empreendimento tocado com base nos laços de parentesco. É quando ele mostra a semelhança com os clubes de futebol, para surpresa de muitos.

Esse é o primeiro texto, como disse. Estou certo que todos aguardarão ansiosos pelo segundo, depois de verem o que acontece com uma sociedade que ficou grande demais para gestões pequenas e não profissionais.

Parte I – Futebol, Empresa Familiar

Em meados dos Anos 50 um jovem Empreendedor iniciou suas atividades de produção de baldes de aço. Parecia um negócio promissor, afinal, naquela região do interior de Eldorado o consumo de água se dava a partir de poços cavados nos quintais, e o leite da fazenda central que abastecia toda a região era transportado dessa forma.

O negócio prosperou, cresceu, o Empreendedor casou, teve 5 filhos.

Como bom Pai de Família, o Empreendedor colocou os filhos no negócio desde cedo, e estes continuaram a fazê-lo crescer.

E os 5 filhos deram 12 netos ao batalhador Empreendedor, e agora, em empresa que sustenta um, são 22!

E haja função para acomodar todo mundo, mesmo o negócio tendo expandido para bacias, varais, e inúmeros derivados.

Mas quando o Empreendedor aposentou, começou a disputa pelo poder do grupo, uma vez que o filho mais velho não era exatamente o mais bem preparado, mas o filho do meio tinha mais tino comercial, e o filho mais novo acreditava que seu filho tinha se preparado no Exterior e já poderia assumir novos desafios, e por aí vai.

Haja confusão, e haja cargo para acomodar tudo isso a cada reunião de Diretoria.

Um dia decidiram que a melhor alternativa seria Profissionalizar o grupo, afinal, o mundo está globalizado e a competição com produtos importados reduziu as margens e a necessidade de sustentar, digo, empregar tanta gente acaba consumindo parte importante dos resultados. E contrataram um Presidente “de mercado”, que faria o necessário para colocar a casa em ordem.

Na primeira semana o novo Presidente extinguiu 6 Diretorias, 8 Gerências, 1 Vice-Presidência e gentilmente pediu que todos os membros da Família buscassem “novos desafios”, fora do Grupo. Era necessário cortar custos e a Família teria que viver com uma mesada mensal fixa, fora da gestão.

Qual não foi a bagunça na primeira reunião do novo Conselho de Administração, precedida naturalmente por diversos bate-bocas nos tradicionais almoços de Domingo na casa do Patriarca. Afinal, esta decisão do Presidente era um absurdo, pois na Família havia gente melhor qualificada que ele e que tinha o negócio “no sangue”.

Durou 3 meses a tal “profissionalização” e o agora ex-Presidente foi demitido, mesmo após cortar custos e reorganizar a estrutura de tal forma que os resultados passariam a ser cerca de 40% superiores. E a Família toda voltou, unida, cheia de gás, ao comando do Grupo.

Então, 1 ano depois dessa retomada, encontram-se em processo de Recuperação Judicial, a unidade familiar se foi e sobram problemas para todos os lados.

Corta.

Essa estória, tão comum na vida empresarial Brasileira, retrata com certa fidelidade o que ocorre em muitas empresas chamadas “Familiares”.

Negócios construídos com muito suor e dedicação, mas que com o tempo precisam sustentar mais e mais membros da Família, sem uma estrutura clara de estratégia, mercado, competição e futuro. Empresas assim têm uma tendência à extinção.

Agora, pense no Clube de Futebol do seu coração. Faça um exercício e transforme os Filhos e Netos em Sócios e Conselheiros, e coloque o Presidente do Clube na posição do Patriarca que precisa acomodar uma “Família” tão grande. Considere uma diferença: não buscam dinheiro; buscam status e poder.

Os Clubes Brasileiros de Futebol são como empresas Familiares.

A cada tentativa de Profissionalização surgem empecilhos e dificuldades que abortam os processos praticamente no momento da concepção, sem ao menos dar-lhes a oportunidade de se mostrarem bons ou ruins.

A estrutura societária dos Clubes Brasileiros obriga os mandatários a criarem cargos e alocarem pessoas em funções para as quais muitas vezes não estão preparadas, sem a disponibilidade suficiente de tempo para se dedicar a negócios tão grandes e que movimentam tanto dinheiro como os grandes clubes, cujas Receitas vão de R$ 120 milhões a mais de R$ 300 milhões.

Os Clubes, assim como muitas empresas Familiares, precisam de pessoas dedicadas em tempo integral, com visão clara de mercado, estratégia, controle ferrenho de custos, uso consciente dos recursos tão escassos e busca pela maximização das receitas, de forma a permitir que ambos sejam perenes e sustentáveis no longo prazo.

Porque assim como um clube passa anos vivendo em dificuldades, algumas empresas também, mas um dia a conta chega e da mesma forma que uma empresa pode falir, um clube pode perder a relevância e habitar divisões menos rentáveis, ao deixar de ter força para montar equipes e conquistar títulos.

Obviamente que a Profissionalização pura e simples pode não ser a solução para todos os problemas. Assim como há histórias de sucesso nessa passagem, há tantas outras de erros, bem como há muitas empresas Familiares que permaneceram relevantes e saudáveis sem uma profissionalização plena. Lembre-se que lá atrás falei em “tendência à extinção” e não certeza dela.

O que vemos é a necessidade dos clubes de buscarem uma mudança nas estruturas atuais, seja por uma Profissionalização plena, seja por ajustes intermediários, pois do que temos acompanhado nesses últimos anos, o modelo atual não apresenta resultados memoráveis.

Fonte: Olhar Crônico Esportivo

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1 comentário
  • Eduardo de Freitas disse:
    21/11/2015 às 18:03

    Perfeito, posso fazer uma comparação também com a política onde a nossa presidente colocou um especialista em GENTE no ministério do Esporte só para ganhar apoio (e que se dane os esportistas) mas voltando ao futebol acredito que a maioria dos candidatos a presidente tenham que fazer a mesma coisa para conseguir apoio político dentro do clube uma vez que a eleição só se dá internamente, a partir do momento em que o sócio torcedor tiver uma participação maior nos clubes (o inter já faz isso) acho que a tendência é termos candidatos eleitos mais preparados para o cargo.

    SRN #BOICOTEAOCARIOCA

    Reply

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