É, Jayme, você me representa. Você é tão digno a ponto de aceitar responder pelo time com o clube ainda sob a direção de quem lhe humilhou com uma demissão patética. Aliás, quem tem um mínimo de dignidade sente vergonha do que vem acontecendo e ontem se repetiu. Você então, uma pessoa com a história linda que tem no Flamengo, deve sofrer ao ver esses sanguessugas desmoralizando o Manto Sagrado. Certamente, você se lembra dos tempos de jogador, quando as facilidades não eram tantas e o salário bem menor. Talvez isso tenha melhor qualificado a sua geração de craques. Os meninos humildes que chegavam à Gávea, a maioria torcendo pelo Flamengo, buscavam um prato de comida, um futuro para eles e suas famílias, o orgulho de vencerem na vida. Hoje os empresários mal acostumam esses arremedos de jogador, desde cedo colocando dinheiro no destino de gente com talento discutível e caráter duvidoso.
O resultado foi uma enorme deterioração na qualidade de nossos jogadores, uma produção em massa de embustes, um criadouro de promessas que não vingam e ficam felizes de enganar a vida inteira. O dinheiro é fácil em tempos de um futebol bilionário, um negócio fabuloso nos quatro cantos do mundo, uma fonte inesgotável de dirigentes ricos e alguns privilegiados jogadores a morder uma parte desse bolo. A esmagadora maioria continua como os que sobravam das peneiras que o Jayme passou. Viram empregados de clubes mambembes, se arrastam a vida inteira em troca de muito pouco e de nenhuma glória.
Enquanto isso, a minoria tem a possibilidade de vestir célebres camisas, dos quais raros conseguem envergar o místico Manto Sagrado. Ao invés de defendê-lo como a própria vida, de representarem todos os que ali não conseguiram chegar, de se orgulharem de jogar por quase quarenta milhões de almas, muitos sequer se dão conta da importância do fato. Pensam ser mais uma mera passagem, uma vitrine maior, uma outra ponte, mais uma oportunidade de fama. E se perdem nos labirintos sem volta indicados pelos péssimos conselheiros, se apegam a prazeres efêmeros, vivem a fugaz e enganosa fantasia de uma ou duas manchetes.
Pior do que esses vampiros, seres notívagos e fugitivos do sol, são os seus mecenas. Não apenas os empresários, ervas daninhas de um futebol corroído por interesses quase sempre escusos. Mas em especial os dirigentes incompetentes e incapazes de separar o joio do trigo. Ao se notabilizarem e passarem a frequentar os corredores felpudos da paixão de milhões de torcedores, se julgam acima do bem e do mal. Sentem-se semideuses pela proximidade com os ídolos de pés de barro, pela possibilidade de decidir pelos mortais que gastam seus salários para acompanhar seus times, seja no campo ou na modernidade dos pay per view.
E se repetem momentos como de ontem, na Arena da Baixada. Um bando de inúteis, de descomprometidos, sem identificação com as tradições rubro-negras, insensíveis à amargura de quase quarenta milhões de apaixonados. Para essa gente indigna de vestir o Manto Sagrado, pouco importa se a derrota foi por 3 x 0. Poderia ter sido de 6 x 0, de 10 x 0. Daqui a pouco não estarão mais ali, usurparão em outro lugar. Foram observados no jogo anterior aos risos e sem uniforme no banco de reservas. E os dirigentes, cuja responsabilidade seria exigir profissionalismo e ética dessa gente? Não estão nem aí para isso. Os gerentes de futebol não torcem pelo Flamengo, não têm a menor noção dessa grandeza.
Sofremos ontem nossa 18ª derrota em 37 rodadas. Em 111 possíveis, somamos 49 pontos contra 80 pontos do líder e campeão. Superamos a marca negativa daquela modesta agremiação que agoniza para cair pela terceira vez em dez anos. Eles estão no limbo, mas perderam 17 jogos. E nós ocupamos a 12ª posição na tabela. Para aqueles que se vangloriam disso, para aqueles que julgam a atual gestão acima do bem e do mal por equacionarem a nossa dívida estratosférica, reafirmo não estar satisfeito. Poderemos acabar o campeonato a seis pontos do Z-4. E já ouvi da diretoria que o time não é tão ruim quanto dizem, que não há necessidade de grandes reforços. Depois disso resolvi, após mais de três décadas como sócio-proprietário e votando no Flamengo, que não votarei em ninguém no dia 07/12. Não votarei no menos pior para me cumpliciar com o que está acontecendo.
É, Jayme, também estou muito envergonhado. O seu tempo de glórias com essa camisa era outro. Hoje você está cercado de hospedeiros.
MAGIA NELES!
Alexandre Fernandes
Fonte: Magia Rubro-Negra

” E já ouvi da diretoria que o time não é tão ruim quanto dizem, que não há necessidade de grandes reforços. Depois disso resolvi, após mais de três décadas como sócio-proprietário e votando no Flamengo, que não votarei em ninguém no dia 07/12. Não votarei no menos pior para me cumpliciar com o que está acontecendo”.
Alexandre, sinceramente, qual Rubro Negro de coração está satisfeito com o desempenho do time? Ninguém, com certeza! Vc acha que esta diretoria não é composta por Rubro Negros apaixonados pelo Flamengo? Claro que é!
Acho que um novo treinador com mais autoridade pode dar jeito em alguns (poucos) jogadores para o ano que vem. Grandes reforços vai depender da disponibilidade do mercado e do dinheiro em caixa no Flamengo.
Não desistirei jamais de participar dos destinos do clube, acho que vc também não deveria, pois se este ano o futebol do Flamengo me fez mal, pode ter certeza que o saldo total ainda é bastante positivo, a paixão continua acesa.
SRN
É a diretoria está certa, o time n é ruim, falta é comprometimento e vergonha na cara. SRN
concordo com o jaime, agora espero que ele seja digno tb e na proxima partIda coloque todos no banco e poe a molecada pra jogar. SIMPLES.