Como uma criança numa longa viagem de carro que pergunta “Já chegamos?” setecentas vezes, como um náufrago sem remo que avista terra à uma distância imensa, como um corredor amador que inventou de correr a meia-maratona, sente a panturrilha e está próximo da linha de chegada, o torcedor rubro-negro roga, reza, pede aos santos e demais autoridades competentes na área – cada com sua fé – e implora pelo fim do ano.
Não há mais nada a fazer. Já não havia, verdade seja dita, antes daqueles seis jogos, aqueles seis jogos que encheram de esperança até os mais céticos, havia muito menos nas sete derrotas nos jogos seguintes. O time nunca se encaixou, nem com Luxemburgo, que montou o elenco, nem com Cristóvão, seu sucessor, cuja contratação se provou um dos erros crassos da atual diretoria, apenas superado pela demora em demití-lo. Ao passar às mãos de Oswaldo de Oliveira, enquanto houve vontade por parte do elenco, venceu. Mas, de novo, se limitou a conquistar aqueles 18 pontos seguidos e depois boiar rumo à rodada 38.
Esse é o verbo. Boiar. O Flamengo em 2015 boiou, sem ninguém com coragem suficiente para tomar o controle, sempre passando este de mãos em mãos, todas inexperientes, quase amadoras (e uso esse ‘quase’ com imensa má vontade). Com exceção ao jogo contra o Goiás, muito mais pela vitória expressiva do que por qualquer outro motivo, assistir aos três últimos jogos do Flamengo foi absoluta perda de tempo. O enfado, o desânimo, o azedume em campo se transferiam para o sofá. Não havia por quê. Ainda bem que só falta um.
Fonte: Deixou Chegar
