O presidente será o mesmo, a mentalidade não pode ser

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Se nos gramados o 2015 rubro-negro acabou faz tempo, longe deles teve seu fim significativo nessa segunda-feira, 7 de dezembro. Com 59,28% dos votos (1632 em 2753), Eduardo Bandeira de Mello, candidato da Chapa Azul, foi reeleito presidente do Flamengo. Vitória tranquila, construída em cima da fraca concorrência e da competência administrativa de sua gestão no primeiro mandato.

Em um balanço dos últimos 3 anos, podemos dizer que a entidade Flamengo foi bem regida. Pagamento e renegociação de dívidas, transparência, ganho com patrocínios, adesão e encabeçamento do Profut, liderança no racha com a FERJ e a vigente batalha pela consolidação de uma liga extra-CBF. Um exemplo a ser seguido por empresas Brasil afora.

Só que estamos tratando do nosso Flamengo. Nesse aspecto, a gestão Bandeira (e Wallim, Bap, Landim, Tostes e Gustavo Oliveira – hoje todos na opositora Chapa Verde) falhou feio.

Foram incessantes trocas de técnicos. No período, Dorival Júnior, Jorginho, Mano Menezes, Jayme de Almeida, Ney Franco, Vanderlei Luxemburgo, Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira revezaram o boné de treinador. Em uma dessas mudanças, a vergonhosa demissão de Jayme de Almeida para a contratação de Ney Franco e seu fiel escudeiro Felipe Ximenes.

Nos 3 Brasileiros disputados, briga para não cair em algum momento do campeonato. Em 2013, com o time sem qualquer ambição, uma sabida irregular escalação de André Santos por pouco não nos levou à Série B. Palavras não minhas, mas de Michel Assef Filho, advogado do Flamengo, em email inacreditavelmente “vazado” a pessoas de fora do clube, na época.

Deslizes graves, mas remediáveis. Falhas de gerência. Vacilos que a experiência torna cada vez mais escassos. Pouco perto do grande erro da diretoria no último triênio: a mentalidade.

Logo no início da gestão, Bandeira e companhia tiraram um atraso do Flamengo. Criaram o Nação Rubro-Negra, programa de sócio-torcedor tratado até hoje como salvação do clube. Não é, ao menos enquanto funcionar no atual padrão.

Buscou-se a imediata europeização e consequente elitização do nosso Flamengo. Com a desculpa das gratuidades e do fácil acesso à meia-entrada, a diretoria jogou o preço dos ingressos na lua.

Pra não gastar um absurdo, apenas pagando uma mensalidade cuja única vantagem ao torcedor é o desconto nas entradas. Exatamente isso: paga-se pra pagar menos. Até na prioridade de compra de ingressos, somente o dinheiro vale. Compra primeiro quem tem o plano mais caro, não importa se foi uma ou 50 vezes ao Maracanã no ano. E pra quem mora longe do Rio? Bem, pra estes não há um benefício sequer (sem essa de desconto no iogurte da marca X comprado no supermercado Y; isso o sócio-torcedor do Bangu também tem).

Muito mais que a salvação do Flamengo, o Nação Rubro-Negra se tornou o escudo de Eduardo Bandeira de Mello em tempos de crise nos gramados. Não é difícil notar que o presidente dificilmente toca no assunto futebol quando o time está mal. Se toca, usa a simples máxima: faltam sócios-torcedores.

É hora de parar com tal culpabilização. Acabar com o discurso de que o time só estará bem quando o número de associados for o maior do país. Cabe primeiramente à diretoria fazer do Flamengo o melhor. Cabe a nós fazermos dele o maior. E isso nós sempre fizemos. Pretos, brancos, pobres, ricos, cariocas, cearenses ou gaúchos.

Do jeito que as coisas estão, um quadro utópico com 30 milhões de sócios-torcedores significaria a nossa morte. Iria ao estádio quem pagasse mais, e só. Cessaria-se o contato com o Flamengo, o amor passaria a simples gosto.

Tivemos um protótipo dessa experiência na primeira gestão Bandeira. O preço dos ingressos oscilou de acordo com o desempenho da equipe. Fase boa, valor alto; fase ruim, mais baixo.

Seguindo a regra, muito torcedor que dá a vida por essa camisa assistirá de longe às conquistas. Cederá seu lugar àquele que vai ao estádio porque o time está bem, não porque quem está em campo é o Flamengo. De que vale um título se os vencedores não formos nós? Mais que campeões, temos de ser Flamengo.

Jamais poderá ser a intenção de um presidente nos guiar por esse caminho. Eduardo Bandeira de Mello, estaremos contigo… Desde que estejas conosco.

Fonte: ESPN

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  • Eu queria saber quem da ESPN escreveu este texto. Quem é ele para falar em nome dos torcedores do Flamengo???

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