A novela foi extensa, mas chegou ao fim com a contratação de Federico Mancuello pelo Flamengo. Que negócio foi este? Algo relevante e simbólico quanto ao modelo de gestão que o Flamengo pretende estampar. E isto em termos técnicos assim como em termos do que pode representar o novo reforço para a equipe da Gávea.
De início, o Rojo pedia três milhões de dólares por 50% dos direitos de seu atleta. A primeira proposta do Fla consistiu em 1,5 milhão. O oferecimento foi melhorado até o limite de 2,150 milhões. Ainda assim a direção do Independiente fechava as portas para o negócio. No fim, a contratação saiu com números que envolvem três milhões de dólares, mas por 90% dos direitos do atleta.
Gostem ou não, foi um exemplo de negociação para demais clubes do país. E em termos do que pode significar o jogador? Aí a coisa não é tão simples, pois inúmeras variantes entram em cena. Dentre elas, adaptação, recepção do clube e encaixe do atleta no esquema que Muricy Ramalho pretende implantar. Mas para tanto, convém perguntar: quem é Mancuello?
A pergunta possui duas partes, a primeira é acerca de como ele desempenha seu futebol; a segunda, acerca da personalidade, formação e até histórico de lesões. Disto decorre que este artigo divide-se em duas partes, cada uma com a função de responder as duas indagações acima. Vejamos.
Como joga Mancuello
Este tema tem deixado pouca gente sóbria entre os torcedores. Em parte porque muitos não conheciam o jogador; em parte, pela própria confusão de setores da mídia, que além de não conhecer parece pouco se importar com a falha. Fala-se tudo. E, em geral, repete-se quase tudo o que foi escrito ou falado em algum lugar. Até aí tudo bem, se as informações fossem razoáveis. Mas não são. E longe por certo de ser nossa a culpa. Problema disso é a polivalência que marca Mancuello.
Fácil entender que um jogador pode ser um meia, atuar como meia-atacante e até como atacante aberto pelo flanco. Difícil é aceitar que o cara pode ser um volante, meia pelos lados, meia centralizado ou lateral-esquerdo. Um brinde à confusão, ela é justa. Então ele atuou por todas essas posições? Inútil dizer que tudo isso é mentira. É verdade mesmo. E pior que isso, além de ter atuado em todas elas, suas características ainda permitem que se desloque por outros setores do campo.
Então, a pergunta: ele pode ser um camisa 10? Sim. Mas neste caso, espera-se a repetição daquela história de quando ele foi atuar de lateral-esquerdo. Conseguia fazer a função, mas não o fazia com brilhantismo. Polivalência tem limites. Ela pode ser importante para um jogador, mas com a dose errada pode atrapalhar. Disto decorre que ele não deveria ser um lateral? Exato! E do mesmo modo que não deveria ser sobrecarregado com a função defensiva? Também.
Há uma leitura errada de muitos quanto ao fato de que Mancuello na origem não seja um jogador de centro de campo. Na base do Independiente desde os 14 anos, ele sempre era colocado no meio-campo, e sempre à frente dos volantes, embora, nunca tão avançado, como alguns esperam que atue pelo Flamengo. E nesta posição, o garoto provinciano era um enorme sucesso; marcava muitos gols e sem fazer tantos esforços. Tudo bem que o garoto chegara todo animado em Villa Domínico e com tendência a frequentar o lado esquerdo.
Ocorre que quando criança, no Atlético y Tiro, de Reconquista, ele tinha a tendência a buscar os espaços menos povoado para chegar ao ataque; canhoto que era foi normal que escolhesse a esquerda. Não raro, contudo, aparecia até mesmo na frente, como centroavante. Bagunça era enorme, típica do amadorismo, mas incompatível com a realidade de um clube profissional.
Então, Mancuello foi centralizado, ora à frente de dois volantes ora como um segundo volante. Neste setor do campo, virou um gigante da cantera de Villa Domínico. Não foi à toa que anos depois foi recebido no time principal como “uma solução”. Atrelada a esta visão, a decepção ao menos dos torcedores também se fez compreensível.
Ao ser promovido para o time principal, a concorrência era grande, assim como lacunas no Rojo pelo lado esquerdo do campo. Canhoto que é, Mancuello foi levado a atuar por este setor pelo então técnico Miguel Ángel Santoro. Seguiu na mesma posição com “Tolo” Gallego.
Efeito disso foi que o jovem da cantera teve um duplo desafio pela frente; além de precisar se adaptar à equipe principal teve ainda de se adaptar a outro setor do campo. A pressão dobrada se conjugou com sua pouca condição física, à época, e o condenou ao ostracismo e à impressão de que era somente mais uma joia da base incapaz de se adaptar ao profissionalismo.
De uma hora a outra, Mancuello foi obrigado a correr algo como 70 metros pelo setor esquerdo, precisando retornar e com velocidade para recompor a marcação. Seu corpo sinalizava desgastes que se somavam para culminar na série de lesões dos últimos tempos. Esta é, com efeito, a principal causa deste problema.
Mais à frente abordaremos o papel de Almirón quanto ao posicionamento do jogador. Por hora, batemos o martelo quanto ao fato de que ele pode ser tudo, menos um lateral-esquerdo ou uma peça encaixada pelo lado direito do campo. Muito se falou sobre o fato de que ele era um segundo volante, assim como que ele não poderia ser um camisa 10. No futebol, é complicado determinar as funções de um jogador a partir do número de sua camisa.
Mesmo no setor defensivo nem sempre isto se faz com facilidade. No caso de Mancu, complica-se ainda mais, pois o jogador parece se encaixar em várias posições. Isto ocorre tanto pela sua inteligência tática, e disposição em colaborar, quanto pelas suas características, que podem até leva-lo a vestí-la. Se terá sucesso ou não é outra história, mas que a priori tem condição para isto. Porém, essa indicação, como quaisquer outras, ficaria mais fácil se soubéssemos o que é um camisa 10.
Sequer sabemos o que é um oito, que dirá um 10. Basta pensarmos em nomes históricos que vestiram esta camisa para percebermos que dificilmente eles eram parecidos. Pelé e Rivaldo têm pouco a ver com Ademir da Guia; Giovanni Moreno, ex-Racing tem nada a ver com Riquelme, que tem menos a ver com Ronaldinho Gaúcho, que não é nem Messi nem James Rodríguez.
O que é um 10? Um prêmio a quem defini-lo. Da mesma forma é o camisa oito, embora seja um caso menos complicado do que o anterior é também um daqueles em que as várias funções exercidas por jogadores diferentes nem sempre foram semelhantes. E para entrar na areia movediça, vamos bancar o seguinte: Mancuello é um camisa oito. Todavia, esta afirmação é didática e está longe de ser nada mais do que uma mera indicação. O oito clássico tende a ser um segundo volante, que ao cair para um lado do campo, é para o direito. Mancuello se desloca para a esquerda.

Entre organizar e criar, Mancuello prefere a outro verbo: “dinamizar”. Na prática, pelo que vimos dele em 2014, esse termo sintetiza melhor o seu jogo, assim como o atrela bem às duas funções. Na equipe de Almirón não havia ninguém mais criativo do que Mancu. E isto por um grande acerto do técnico.
Se cabe ao segundo volante também a função defensiva, Almirón tirou essa obrigação das costas de seu meio-campista preferido. Mancuello teve a liberdade de avançar, irrompendo do centro para a esquerda, da esquerda para o centro ou por dentro, algumas vezes. Foi plantado como segundo volante, mas com raízes soltas e liberdade para exercer o melhor de seu futebol: sua capacidade de enxergar os espaços perfeitos para se infiltrar rumo à proximidade da área adversária.
Isto potencializou os seus arremates de média e longa distância, além de torna-lo um fator-surpresa que levava muita confusão à defesa dos rivais. Da mesma forma, gerou um aproveitamento relevante de seu passe qualificado. Então, o desacerto quanto ao seu melhor posicionamento chegava ao fim. Na prática, o que Almirón descobriu foi justo aquilo que Mancuello praticava na base, a posição de segundo volante. E o sucesso do jogador na equipe principal do Rojo pela primeira vez se assemelhou ao que ele obtinha na cantera de Villa Domínico.
Convém, no entanto, destacar o mérito de Almirón, que otimizou as características que o atleta possuía na cantera, ao ampliar sua liberdade pela cancha. Exemplo disso é que o técnico, via de regra, saía para o jogo com um esquema 3-4-1-2 (o seu preferido) e muitas vezes terminava no 3-3-2-2, com Mancuello abandonando a primeira linha e se juntando à armação, mais à frente.
Então, Mancuello pode atuar no Flamengo à frente de Canteros e Arão, por exemplo. Pode também ter a companhia apenas de um volante marcador, sem problemas. Mas se a ideia é a de extrair o seu melhor futebol, o ideal é que ocupe a posição de um “camisa oito” , sem tanto compromisso com a marcação, partindo do centro e atuando livre para organizar e até criar as jogadas da equipe. Isto não o impede de ser um 10 ou um meio-campista aberto pelo lado esquerdo. Mas desde que se tenha claro que esta não é a melhor escalação para Mancu. Que Muricy resolva.

A relação de Mancuello com o futebol começa muito cedo, ainda e sua cidade natal, Reconquista. Numa escolinha de futebol, numa igreja próxima à sua casa, o técnico tinha a mania de impor às crianças um treino bem curioso. “No meu caso, me colocava numa espécie de argola, no qual uma bola era oferecida. Então, eu tinha de fazer todo tipo de brincadeira com ela, sem deixa-la sair da esfera. Meu tio esbravejava? ‘que espécie de treino é esse?’. Graças a isto foi que eu aprendi a manejar a pelota”. Contava o garoto com três anos de idade. E era mais um, dentre os inúmeros que já corriam atrás da bola em sua cidade natal, na província de Santa Fe.
Além desse manejo qualificado da bola, estamos falando de um jogador que tem boa leitura e entendimento do esquema tático de um técnico. Porém, não apenas para segui-lo às cegas, mas para descobrir, na fala do “professor”, os espaços que ficam como lacunas no posicionamento e deslocamento dos jogadores. Vai a campo consciente desses espaços, pois será também por eles que cairá para conduzir a pelota ou armar algumas jogadas.
Esta leitura ele tem como poucos e não é qualquer coisa. Por ela, ele consegue entender todo o funcionamento da equipe, desde o trabalho da zaga à luta dos atacantes para guardarem a pelota no arco. Tal característica aos poucos configura Mancuello para a capitania natural da equipe, algo que Mascherano possui como uma de suas maiores virtudes. Com o tempo, a entrega da faixa de capitão para Mancu subordina-se a meras circunstâncias; algo que se faz natural. Bem cedo, o menino foi jogar no Atlético y Tiro, equipe amadora de sua cidade. Ficou por lá até perto dos 14 anos, quando desembarcar em Avellaneda para compor a base do Rojo.
Afora os anos de cantera, sua primeira etapa pelo Independiente vai de 2008 a 2011. Nunca foi grande coisa. A equipe não apresentava padrão algum até em função de que treinadores deixavam e chegavam ao clube quase a cada mês. Como foi promovido com a alcunha de “joia da cantera”, foi natural que recebesse a camisa de titular. Mas como o time era horroroso, sobrava para ele toda a bronca da torcida; torcida que já não suportava mais os anos difíceis e que já previa que o pior ainda estava por vir.
A partir de 2009, Mancuello passou a jogar pouco e a ganhar a cada dia um motivo novo para afetar sua autoestima. Outros atletas irrompiam da base e ocupavam lugares na equipe, enquanto Mancu assistia quase tudo do banco, sem entender por que aqueles meninos que ele comandava na cantera ganhavam a confiança da torcida, enquanto ele pouco a pouco caia no esquecimento e, pior ainda, na indiferença de todos. Exemplo disso foram as promoções de Velázquez, Fredes e Godoy, além do próprio Patito Rodrígues, uma das soluções que vinha do banco de reservas, na inexplicável conquista da Sul-Americana de 2010.
O técnico à época da Sul-Americana era Antonio “el Turco” Mohamed. Segundo Mancuello, embora quase sempre fosse visto como reserva pelo Turco, foi com ele que teve as primeiras lições após o período da cantera: “Ele nos falava que precisávamos arrumar uma solução para todas as dificuldades, em campo. Ser um jogador profissional, também passava por aquilo”.
Sem espaço no clube, um ano depois, o jogador desembarcou em Córdoba para se somar ao Belgrano. Fora contratado para fazer o setor esquerdo, assim como no Rojo. Só que já havia gente competente cuidando do assunto. Foi deslocado para a lateral-esquerda do campo, onde, novamente, alternou bons e maus momentos. Porém, por sua capacidade de aprender nas situações difíceis, o novo reforço rubro-negro fez da experiência uma nova escola para o aperfeiçoamento de seu futebol.
Aprendeu a marcar, a correr com eficiência, a cobrir espaços vazios, além do entendimento certeiro sobre o momento de tocar a pelota ou de conduzi-la pelo ataque, rumo ao arco rival. O Belgrano foi uma escola para Mancu, embora também por lá o seu corpo, que já somava esforços físicos desproporcionais da época do Rojo, seguiu a ter motivos para toda a rebeldia de 2015.
Retornou no início da temporada 2012/13. O clube era uma bagunça só. No plano institucional, as dívidas se acumulavam e os meses quase de regra eram de 40, 60 ou 90 dias. Mancuello começou a apresentar algumas de suas contusões e não conseguiu fazer a diferença. Ao término do campeonato de 2013, caiu com a equipe para a B Nacional, fato que ocorria pela primeira vez na história do antigo “Rey de Copas” da América do Sul. Mohamed não aguentava mais os cartolas do clube. Uma anedota dá conta de que ele tirava dinheiro do bolso para ajudar “na merenda”. Daí para se mandar para o México foi só aparecer a primeira proposta.
De Fellipe chegou a Villa Domínico para comandar a campanha de retorno à elite. Não sabia a quem eleger como o símbolo disso dentro de campo. Foi então que começou a história de Mancuello como jogador relevante no futebol argentino.
Passou a atuar tanto pelo centro do campo, como segundo volante, como pelo lado esquerdo. Neste momento, seu amadurecimento para o futebol pareceu mais definitivo para o sucesso na B Nacional do que o encontro com o seu posicionamento ideal. Ainda recaía sobre ele a obrigação de marcar e de conduzir a equipe. Um maestro se desenhava no jovem de Reconquista e ele caiu definitivamente nas graças da torcida.
Em verdade, este foi o momento no qual a torcida voltou a acreditar na antiga promessa da base. Ao subir com a equipe para a elite argentina, Mancu ganhou status de ídolo, e teve seu nome cantado frequentemente no Libertadores de América. Entretanto, o melhor ainda estava por vir. E o pior também.
Jorge Almirón assumiu o Clube, em julho de 2014. Sob o seu comando, Mancuello chegou ao melhor momento de sua carreira. Foi um dos artilheiros do campeonato e foi chamado por Martino para a seleção da Argentina. Propostas surgiam de todos os lados e parecia impossível manter o jogador em Avellaneda por muito tempo. No ano em que o Racing foi campeão, o Independiente terminou o campeonato na quarta posição, à frente de Boca, Estudiantes e San Lorenzo. Parte desta campanha, ninguém tinha dúvida de creditar ao bom futebol de Federico Mancuello.
Suas lesões saíam das pernas e atingiam outras regiões: corpo parecia enfraquecido.
Nem bem começou a temporada de 2015 e Mancu começou a sofrer com lesões. Começou com as contraturas, que serviam para avisar que o corpo estava chegando a seu limite e que minis rupturas se acumulavam na sua musculatura. A coexistência de várias enfermidades nesta região do corpo permeava o surgimento de um número incontável de lesões.
Foram torções, principalmente no tornozelo esquerdo, distensões e rupturas fibrilares. Inflamações se alastravam e condicionavam o aparecimento constante de novas contusões. As duas pernas eram afetadas e até a membrana interossea, localizada entre a tíbia e a fíbula e que separa os músculos em anteriores e posteriores, acusava inflamação. Na imagem acima, uma contusão, na partida contra o Arsenal, ainda no fim de 2014; no vídeo abaixo, uma das primeiras de 2015, contra o Newell´s:
No primeiro semestre de 2015 ele entrava e saia da enfermaria, da mesma forma que entrava e saía de campo. A cada vez que apresentava uma lesão um diagnóstico era feito, a partir do qual um tratamento era indicado para a solução do problema. Nada de novo nisso, não fosse pela repercussão que o assunto recebia. O que acontecia com Mancuello, se ele atuara em 2014 de forma esplêndida, quase não sofrendo com as tais lesões de 2015?
Torcedores começaram a desconfiar do jogador e creditaram o problema à sua vontade de forçar a barra para deixar o clube e para a Europa. Muitos, sequer acreditavam que as lesões existiam. O termo “lesiones fantasmas” foi atribuído a ele e cantado em bom tom nos poucos momentos que entrava em campo ou era vista em outros locais.
A reação do jogador ocorreu em dois planos. Isolar-se cada vez mais, quase não saindo às ruas e, dentro de campo, forçar ao máximo as passadas mesmo quando estava com dor. Efeito disso era o de se esperar: o surgimento de outras lesões ou o aprofundamento de algumas já existentes ou abordadas antes por tratamentos. Ocorria que assim que ele se tratava de uma lesão, bastava pisar no gramado para outra diferente aparecer.
Em agosto, esperava-se que ele se recuperasse a tempo de disputar o clássico de Avellaneda, contra o Racing, em 13 de setembro. Não foi nem para o banco de reservas. No dia 2 de abril havia voltado de sua primeira passagem pela seleção, num amistoso preparatório à Copa América, que a Argentina fizera nos Estados Unidos. Retornou com uma grave lesão no músculo isquiotibial direito. Voltaria a campo somente cinco meses depois, em agosto.
Neste período, em vez de ficar de repouso, sempre tentava retornar. E ao que tudo indica, não só por sua disposição, mas também pela liberação médica que recebia do clube. Assim que pisava em campo, sentia uma dor diferente. O mito das “lesiones fantasmas” se propagava. No entanto, na Argentina ninguém jamais questionou uma coisa: os diagnósticos.
Se a atmosfera de crises e mendicância de glória do Rojo afetou Mancuello a partir de sua chegada ao profissional, a deteriorada estrutura do clube fez ainda pior: não ofereceu a ele sequer um diagnóstico decente acerca de suas lesões. O problema foi detectado no último trimestre de 2015. Aconselhado por pessoas próximas, ele mesmo indicou à comissão médica a necessidade de consultas a profissionais particulares.
O diagnóstico foi assustador. Afora as diversas rupturas microscópicas na musculatura, o jogador possuía uma lesão no peito do pé direito que doía há meses, às vezes, mesmo sem um único toque na região. O médico que o atendeu assegurou que a lesão era tão grave que ele só tinha visto dois casos iguais em toda a sua carreira.
Por um lado, ela vinha de uma inflamação maior, ocasionada por diversas outras pequenas nos músculos fibulares. Por outro, a lesão no peito do pé gerava o efeito contrário, levando outras lesões para a região de origem. Uma intervenção era necessária, assim como o tempo ideal para a recuperação. O que mais assustou é que não se fazia necessário muito tempo, mas o devido respeito ao tempo determinado para a recuperação.
A partir daí, constatou-se que ao longo do ano a abordagem dada ao problema de Mancuello foi primária. Houve até erros na avaliação do grau de uma entorse, dada como de grau um, quando era de grau dois. Para se ter uma ideia, a primeira requer em média 12 dias para a recuperação; a segunda, de três a quatro semanas.
Atacava-se o problema errado e isto somente colaborava para o martírio do então “ex-amado” capitão da equipe vermelha de Avellaneda. Exemplo disso foi a forçada de barra para que ele entrasse em campo contra o San Lorenzo, em abril, poucos dias após retornar da seleção com uma seríssima contusão. Todos os dias ele ia a campo, pisava no gramado e corria. Quando os repórteres perguntavam se ele estava bem, dizia que sim, temendo a fúria da torcida, que já o tratava como um jogador mercenário.
Identificado o problema, Mancuello foi submetido ao tratamento correto e após muito sofrimento, pode recuperar-se plenamente. Mas a desconfiança de todos ainda era geral; inclusive do próprio jogador. Precisava entrar em campo. No dia 04 de outubro de 2015, o Independiente foi anfitrião para o River. Era a volta do capitão. Entrou em campo e nada sentiu. Então resolveu correr e tudo para ver no que dava: desconforto algum apareceu. A minha dor, quando estava lesionado não era física, mas a da alma. “O que me doía era não poder jogar; não correr nem estar dentro da cancha, pois é justo lá dentro que um jogador pode falar e sentir-se feliz”.
E voltar a falar pelo seu futebol encerrava um tempo em que sua profunda solidão o encaixotava no quarto ao afasta-los campos. No triunfo do Rojo por 3×0 sobre o River entrou e saiu de campo sem os problemas que se tatuaram no corpo, mas também no espírito e receberam a alcunha de “lesiones fantasmas”. Ao final da partida, a torcida voltou a se reconectar ao seu capitão, que saiu de campo aos gritos de “Mancu, Mancu, Dale Mancu que vos sos del Rojo…”. Chorando e feliz, ele mal conseguia falar e se limitava a acenar com as mãos. Era a primeira vez em um ano que Federico Mancuello jogava sem dor.
Jogos posteriores tratariam de confirmar que fato ele estava curado das inúmeras lesões que o acometeram e que o acorrentaram à enfermaria do clube e ao quarto de sua casa, no fatídico ano de 2015. Este é o jogador que ora chega ao Flamengo.
Fonte: Mauro Cezar Pereira


Essa cara, aliado a postura do Muricy e das novas tecnologias no Mengao, tem tudo para dar certo. As vezes tento conter a euforia, mas estou acreditando em 2016! Pra cima deles!
Não li tudo, apenas os parágrafos que achei mais relevante, mas valeu.
o flamengo esta no caminho certo tem q comprar o q o dinheiro dar torcida tem q entender o presidente não adianta fazer loucuras.
Nao foi o Mauro Cezar que escreveu o artigo. Ele traduziu de outro jornalista.