Hora de acertar os times

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Nesta altura do campeonato, com muita coisa já resolvida em relação à próxima fase da competição, o que tivemos na rodada de ontem foram alguns “treinos”, envolvendo três clubes grandes. No primeiro, ficou clara a imensa superioridade do Flamengo sobre o Resende, muito bem traduzida na goleada de 5 a 0. No segundo treino, já classificados, Vasco e Botafogo mostraram equilíbrio, representado também no empate de 1 a 1.

O jogo com o Resende teve utilidade para o Flamengo, porque contribuiu mais ainda para a aclimatação de Cuéllar e Mancuello, que estão dominando o meio de campo. Na frente, os que se destacaram foram Emerson Sheik e, para minha surpresa, Marcelo Cirino, ambos com dois gols. Guerrero é que não consegue marcar. O jogo se tornou mais fácil para o Flamengo, porque o primeiro gol de Sheik saiu antes de um minuto, e o segundo, de Cirino, logo aos cinco. Daí para a frente, foi um desfile do time em Volta Redonda, com boas atuações até de Gabriel, que entrou no segundo tempo, no lugar de Mancuello. Contundido, Mancuello preocupou os companheiros e a torcida.

Vasco e Botafogo só fizeram bom jogo (ou bom treino) no segundo tempo. O primeiro foi equilibradíssimo e sem graça, chegando até a apresentar jogadas violentas de um lado e de outro. E sem necessidade nenhuma, porque já estavam os dois classificadíssimos para a próxima fase, como os times de melhor campanha, ambos invictos.

No Vasco, um dos destaques foi o atacante Riascos, autor do gol, mostrando que está subindo de produção e se firmando como titular. Emendou para o gol um passe da direita, de Eder Luis, que entrara no lugar de Julio dos Santos. Por outro lado, Nenê é que não mostrou a categoria e a criatividade de outros jogos. Mesmo assim, o Vasco foi um pouco superior no segundo tempo e só não manteve a vitória porque o jovem zagueiro Emerson, do Botafogo, bateu uma falta de forma magistral, nos minutos finais, sem defesa para Martín Silva. Os dois times, assim com o Flamengo, ainda terão que treinar muito até o início do Brasileirão.

A saga dos técnicos

Cristóvão Borges, Ricardo Drubscky, Enderson Moreira, Eduardo Baptista… e… Qual será o próximo técnico do Fluminense? Os quatro citados não passaram pelo clube em oito ou dez anos. Não. Foi de 2015 para cá, ou seja, em um ano, quatro treinadores. E agora? Era o Cuca. Será o Levir Culpi?

Não tenho regras particulares para julgar se o técnico deve ser mantido ou demitido. Não sou a favor da demissão intempestiva dos treinadores, decidida apenas pelos resultados recentes, nem sou a favor da permanência obrigatória de um deles por dez anos. Não estou entre os que, por demagogia ou não, acham simplesmente que não se pode demitir o técnico. Em resumo, no fim das contas: cada caso é um caso.

É lógico também que não se pode construir um time de futebol trocando de treinador de dois em dois meses. Nem mesmo de seis em seis meses. E é assim que os clubes cariocas estão se comportando, não só o Fluminense. O que ocorre é que este, com a atual diretoria, tem se tornado um especialista, uma espécie de exemplo para os outros. Mau exemplo.

O que pode acontecer de bom, no caso tricolor, é que os técnicos cogitados depois da recente saída de Eduardo Baptista são reconhecidamente bons, estudiosos, atualizados, com trabalhos excelentes por onde passaram. Cuca e Levir Culpi. O primeiro chega a ser obsessivo na busca ingrata da perfeição. Passa os jogos caminhando de um lado para o outro e roendo as unhas. O outro, Culpi, é mais sereno, mas também tenta seguir os caminhos do que se chama de “futebol moderno”

Com a hipótese de acertar com Cuca afastada, os olhos da diretoria estão cravados em Levir Culpi, o que pode ser benéfico não só para o Fluminense como para o futebol carioca.

Qualquer que seja o técnico, neste ou naquele clube, o importante é que os dois, clube e técnico, tenham um objetivo predeterminado para executarem juntos o trabalho. O Fluminense começa tudo de novo, mais uma vez, em meio ao Campeonato do Rio e a dois meses do Campeonato Brasileiro.

Clubes calados

O presidente do Flamengo, Bandeira de Mello, tem razão ao comentar a proibição pela Ferj e pela CBF de que o clube mande seus jogos em Brasília, no Estádio Mané Garrincha. “Pelo estatuto, a Ferj tem direito de tudo” — disse ele. “O único direito do Flamengo é obedecer e permanecer calado”.

E é mesmo o que acontece no futebol brasileiro: as federações e a CBF ganhando dinheiro às custas dos clubes, e estes, infelizmente, divididos na hora de assumir o comando no nosso futebol.

Fernando Calazans

Fonte: O Globo

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