“O futebol é a coisa mais importante que eu tenho na vida”, disse Gaúcho, atacante de ofício, logo depois de defender dois pênaltis em partida do Campeonato Brasileiro de 1988, contra o Flamengo, clube em que brilhou mais intensamente. Ontem, Luís Carlos Tóffoli, aos 52 anos, morreu vítima de câncer, deixando claro que, quando alguém que ama tanto o jogo morre, o futebol também morre um pouco.
As defesas naquele jogo disputado no Maracanã, feitas com a camisa do Palmeiras, se tornaram uma façanha passada de geração para geração. Com o tempo, começamos a confundir a competição, os times, mas é provável que nunca deixemos de saber que se tratou de Gaúcho, o louco camisa 9 que profetizou que pegaria pênalti e, minutos depois parou as cobranças de Aldair e Zinho.
O regulamento do Brasileirão daquele ano apontava que todos os duelos que terminassem empatado seriam decididos da marca fatal. Rubro-negro e Alvi-verde ficaram no 1 a 1, com o time visitante tendo um atleta expulso, todas as substituições feitas e o goleiro Zetti gravemente lesionado.
Ainda no tempo normal, Gaúcho levou um gol que, de certa forma, o permitiu se tornar imortal. Não valeu título, classificação, mas valeu o nome marcado na história do estádio, no coração do torcedor palmeirense, que nunca mais deixou de idolatrá-lo.
Curiosamente, as conquistas vieram pelo Flamengo, derrotado pelas mãos do atacante, naquela noite. O clube da Gávea foi quem o revelou e para o qual voltou em 1989, após deixar o Parque Antárctica. Entre outras taças, vieram a Copa do Brasil de 1990, o Carioca de 1991 e o Brasileirão de 1992.
Altos, baixos, idas, vindas, tudo passou, no fim das contas, a bola deu muito para o atacante nascido em Canoas, que retribuiu com muito estilo, seja com cabeçadas mortais, pênaltis defendidos, sorrisos estampados e muita dedicação. Se o futebol pudesse responder a frase que abre esse texto, certamente seria com um imenso “muito obrigado, Gaúcho!”.
Fonte: Esporte Final
