Quando entrar em campo na noite desta quarta-feira para enfrentar o Sampaio Corrêa pela última rodada da Copa do Nordeste, Athirson, técnico do Flamengo-PI, estará encontrando dois velhos amigos. O craque Petkovic, hoje treinador do time maranhense, foi seu companheiro no Rubro-Negro carioca, assim como Maurinho, que antes de trabalhar com o sérvio na Bolívia Maranhense era auxiliar do ex-lateral do Fla. Apesar da amizade, Athirson mandou um recado a Pet, relembrou dos tempos da parceria na Gávea e analisou o perfil do sérvio como técnico.
Athirson e Pet foram companheiros no Flamengo entre o fim dos anos 90 e o começo dos anos 2000, quando o time conquistou o tricampeonato carioca. O brasileiro era um jovem surgindo como grande promessa do futebol canarinho, enquanto Petkovic vinha de algumas passagens por grandes europeus e sucesso no Vitória da Bahia. Athirson lembra bem do impacto da chegada de Pet ao Fla, o que ele garante que valeu a pena.
– Quando ele chegou ao Flamengo a gente brincava que tinha que correr para ele, porque ele nunca foi de ajudar muito na recomposição. A gente se propunha a jogar em um esquema que desse para ele jogar, porque a gente sabia que quando a bola chegava no pé dele, viria uma jogada diferenciada, que sairia possivelmente em gol – narra.
O técnico do Rubro-Negro piauiense exemplifica essa qualidade em um lance no Campeonato Carioca de 2000, em um clássico contra o Botafogo. O Flamengo venceria por 2 a 1 de virada, com dois gols do lateral-esquerdo. Um deles, um golaço com uma participação especial do sérvio, mostrando a sua genialidade na visão de jogo.
– Eu peguei a bola pela lateral na intermediária, fui puxando para dentro, dei um passe na paralela para ele e ele fez o pivô. Segurou a bola, esperou o momento certo da marcação chegar em cima dele, e deu só um toquinho de calcanhar. Só um toque, eu passei muito perto dele, saiu o chute e fiz o gol. Foi um momento marcante, a gente ganhou um clássico no Maracanã muito cheio – lembra o ídolo flamenguista.
Na convivência diária, Athirson lembra de um Petkovic exigente, que era muito aplicado aos treinos e cobrava dos outros companheiros, principalmente dos mais novos, como ele na época. Mas também do cara mais descontraído, que assumiu uma personalidade mais abrasileirada e que também sabia dar conselhos.
– No início ele era muito fechado, depois ficou muito brincalhão. Ele foi pegando nosso jeito, esse jeito carioca de estar sempre brincando. E fora de campo sempre foi sensacional, de um caráter muito grande. Lembro que quando estava naquele momento de transição para ir para Itália, ele me deu várias dicas. Foi numa concentração, me chamou no quarto para conversar com ele com mais tranquilidade e ele me passou toda essa situação, de que seria muito bom para minha carreira pelo aprendizado – conta.
REENCONTRO NO NORDESTÃO
Athirson e Pet estão iniciando a carreira de treinador após brilharem como jogadores. Athirson livrou o São Cristóvão do rebaixamento na Segunda Divisão do Carioca em 2015, mesma época na qual Petkovic fazia boa campanha com o Criciúma na Série B do Brasileirão. Mais de uma década após os tempos de Flamengo, os dois voltam a se encontrar dentro de campo por uma partida oficial, mas de lados opostos.
Athirson continua em um Flamengo, desta vez o piauiense, enquanto o sérvio comanda o Sampaio Corrêa. O seu auxiliar, Maurinho, trabalhava com Athirson no São Cristóvão até receber uma proposta tentadora, a qual foi recomendado a aceitar.
– Eu tenho um amigo muito próximo, que é o Maurinho, que é o auxiliar dele, mas antes era meu auxiliar. Quando ele (Pet) assumiu o Criciúma, Maurinho me contou que teve essa oportunidade e perguntou o que eu achava. Falei: Vai com Deus! É uma oportunidade fantástica – diz.
Acompanhando o trabalho do ex-companheiro como técnico, Athirson é só elogios. O ídolo rubro-negro comenta a visão de jogo privilegiada de Pet, além de ressaltar que a própria história de sua carreira, formado na Europa e com sucesso no futebol brasileiro, representa um diferencial para ele.
– Tem uma visão tática incrível, vem tentando modernizar algumas maneiras de jogos e tem treinamentos fantásticos. Um dia se eu tiver oportunidade de fazer estágio com ele eu gostaria. É um europeu que venceu no Brasil, tem as duas culturas, uma visão bem mais ampla do futebol – analisa Athirson.
Mas, como adversário, o discurso é menos otimista, embora ainda amigável. Athirson sabe que está enfrentando um amigo e, com o auxílio de Maurinho, alguém que tem a vantagem de saber como o treinador gosta de montar o seu time. É por isso que o treinador do Flamengo-PI tenta preparar uma surpresa na manga e desejar sorte aos oponentes, mas só a partir do próximo jogo.
– Maurinho tem um entendimento fantástico, é estudioso, conhece o meu trabalho e vou ter que mudar um pouco minhas características para tentar surpreender (risos). Mas é legal, um confronto bacana entre amigos. Desejo toda a sorte para eles, mas só a partir do próximo jogo – finaliza.
Fonte: GE
