É muito difícil, até mesmo para os mais incansáveis ratos de biblioteca, encontrar na história do futebol mundial um time capaz de rivalizar com o Flamengo no controvertido campo da reversão de expectativas. Nessa especialidade somos, indiscutivelmente, os maiores de todos os tempos.
Durante a semana que precedeu o Flamengo x Atlético, disputado em Brasília pela 14ª rodada do Brasileiro, a imprensa, o empresariado, a magistratura e o clero declararam, peremptoriamente, que o Flamengo seria derrotado e iniciaria, com algum atraso, a sua vertiginosa e muito esperada descida rumo às profundas do Z4.
Se tem uma coisa que aprendemos vivendo na zona que é o Brasil é que em 100% dos casos em que a imprensa, o empresariado, a magistratura e o clero concordam em alguma coisa eles estão 150% errados. Baseados em mistificações, antipatias, inverdades e factoides de R$1,99, os comentaristas de resultado apontaram que as falhas incorrigíveis do Flamengo, não ter meia armador, não ter estádio, vender ingresso pra torcida adversária e, o defeito original, ser do Rio de Janeiro e morar no Leblon, seriam letalmente explorados pelo nosso perigosíssimo e impiedoso adversário.
Venderam tão bem esse peixe que parte da torcida do Flamengo acreditou nesse boi tatá aderindo ao bloco de derrotistas, que na falta de trabalho remunerado, roupa no tanque ou louça na pia, se dedica a trombetear o iminente fim do mundo rubro-negro. Para estes quintas-colunas o resultado do jogo não poderia ter sido mais desastroso. Porque pior que os 3 pontos que mantém o Flamengo em franca disputa pelo hepta foi a negação de suas teses mais caras, tipo a torcida de Brasília é impura, os óculos do Jayme dão azar e Fernandinho não acerta porra nenhuma.
Para gáudio dos verdadeiros rubro-negros (vocês sabem que a maioria deles nem sabia que tinha jogo às 11 da manhã) o Flamengo confirmou seus talentos. Reverteu as expectativas, destroçou com a marra atleticana (colorida e flavorizada artificialmente), instalando o pânico e o desespero nas hostes atleticanas, alquebradas pela fila de 45 anos no Brasileiro. Foi bonito ver a galinha pirando outra vez. Reacendeu aquele fogo sagrado do hepta nos honoráveis rabos rubro-negros. Confirmando as escrituras rubro-negras, quando diz que aqueles que foram humilhados serão sempre esculachados.
Os efeitos alucinógenos do ácido heptanóico ainda não são plenamente conhecidos pela ciência, mas a euforia por ele provocada na torcida do Flamengo confirma que o bagulho é bom. É só sentir o cheirinho pra começar a viajar. E mesmo viajando a torcida viu que o Flamengo conseguiu jogar ainda melhor do que jogou no 1º tempo do domingo passado. Cada vez mais compacto, com a defesa finalmente jogando como homem e com o meio reforçado pelo talento do popular Mancuello o Flamengo parecia mesmo um time disputando o título à vera. Foi muito bom de se ver. Temos que jogar assim todo dia.
Sabemos que é difícil manter a regularidade num campeonato cruel como o Brasileiro, nêgo se machuca, nêgo é convocado, nêgo pisa na lâmpada, essas coisas vivem acontecendo com nêgo. Mas depois que o time aprende a jogar de uma maneira consistente, e isso o Zé Ricardo está conseguindo fazer, os desfalques e as substituições deixam de ser um drama. Contra o Atlético as mexidas não alteraram a maneira do time jogar. Nem Gabriel conseguiu. Ponto pra Comissão Técnica, Jayme e Mozer incluídos.
A receita para o sucesso no Brasileiro é um segredo de Polichinelo, todo mundo já sabe como é que funciona. Não adianta sair correndo e ficar tirando selfie no alto da tabela antes de dezembro, o lance é avançar cautelosamente mantendo uma distância segura tanto dos arrivistas em direção ao Jockey Club de Asunción quanto da confusão dos times ioiô, condenados desde sempre ao sobe e desce divisional. Enquanto consegue se manter no sapatinho frenético o Flamengo é muito mais perigoso.
Vamos em frente, Flamengo. Sem neurose, sem caô. Muito amor no coração.
Mengão Sempre
Arthur Muhlenberg
Fonte: República Paz & Amor
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Muhlemberg manda demais.
Esse é o craque rubro-negro da escrita!
O Flamengo é o Maior do Mundo no quesito surpreender também.
Sem comentários longos..... BELO TEXTO
Grande Muhlemberg!!!!!
"" Não adianta sair correndo e ficar tirando selfie no alto da tabela antes de dezembro, o lance é avançar cautelosamente mantendo uma distância segura tanto dos arrivistas em direção ao Jockey Club de Asunción quanto da confusão dos times ioiô, condenados desde sempre ao sobe e desce divisional. Enquanto consegue se manter no sapatinho frenético o Flamengo é muito mais perigoso.""
Só esse trecho já valeu o texto!!!
Grande Mestre Mulhemberg!!!
Salve Confraria Rubro Negra!!!
Grande abraço!
Hummm aprendeu a escrever né Mulhenberg? Até que enfim...rsrsrsrs.