Arnaldo pede mais autonomia para a comissão de arbitragem da CBF

A CBF mudou o comando da arbitragem do futebol brasileiro, com a nomeação de Marcos Marinho para o comando da comissão que cuida do setor, em substituição a Sérgio Corrêa. O comentarista Arnaldo Cezar Coelho defendeu que a direção da CBF conceda mais autonomia aos responsáveis pela escalação e avaliação dos árbitros. Como uma medida a ser corrigida, Arnaldo cita a indicação de dez profissionais no sorteios que definem quem apita os jogos do Campeonato Brasileiro.

– A direção da CBF tem que deixar a comissão de arbitragem agir conforme a consciência dela. São pessoas técnicas, que conhecem, abnegadas. E assim os árbitros terão mais força. Não é possível você colocar no sorteio (dez juízes por jogo). Parece um jogo de bingo. Você tem que simplificar a escala. Os melhores juízes devem apitar os melhores jogos. Eles podem errar, mas o risco é menor, a margem de erro é menor – afirmou em entrevista ao SporTV.

O juiz da final da Copa do Mundo de 82 defendeu também que a CBF blinde a comissão da influência de dirigentes de clubes. Que, segundo ele, buscariam apenas defender o interesse particular de suas equipes.

– Para a arbitragem melhorar, precisa de uma série de fatores. O principal fator é os dirigentes dos clubes deixarem de ir a CBF para propor fórmulas milagrosas, como fazer um sorteio com dez juízes (para cada jogo). Isso é um absurdo. Ou o dirigente de clube usar o árbitro como bode expiatório. Não tem ninguém em uma comissão de arbitragem que vai conseguir agradar esses dirigentes porque eles só sabem reclamar. Reclamam para transferir a responsabilidade. Quando o clube dele tem um erro que o beneficie, eles não vão à CBF para dizer que o árbitro errou a favor deles. Cabe à presidência da CBF saber amortecer este tipo de crítica. E não atender os dirigentes de clubes, que estão vendo o interesse deles.

Arnaldo afirma que Sérgio Corrêa, comandante da comissão de arbitragem até esta terça-feira, saiu porque “não aguentou a pressão” feita sobre o grupo. E diz esperar que o novo titular não amplie a relação de nomes na escala de sorteios.

– Espero que o coronel Marinho aceite ser presidente de uma comissão que não foi ele que montou. Essa comissão está sendo montada pela própria CBF. Que ele não faça o que ele fazia na Federação Paulista de Futebol. Colocar vinte árbitros em um sorteio. O que é absurdo. Tomara que ele mude um pouco os seus critérios e tomara que essa comissão tenha uma melhor avaliação das arbitragens. Árbitro que errar por falha técnica, não tem que ter só afastamento. Tem que doer no bolso. Tem que mostrar para ele porque foi afastado até ele voltar e aprender com os erros dele.

Fonte: GE

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