Como Fernando Diniz fez Camacho se reinventar após 15 anos de Flamengo

Entre os jogadores do Corinthians que tentará surpreender o Flamengo na reabertura do Maracanã, neste domingo, estará um atleta praticamente nascido e criado na Gávea: Guilherme Camacho, que de titular nas últimas partidas acabou no banco de reservas.

Mas, para quem conhece o jogador há mais tempo, existe um consenso. Uma transformação em seu estilo de jogo e a sequência que gera confiança é que foram capazes de levar Camacho, novamente, ao circuito dos clubes grandes. Meia ofensivo em toda sua história de 15 anos pelo Flamengo, no qual chegou para o futsal quando ainda era criança, ele foi adaptado por Fernando Diniz no Audax.

“Além da continuidade de aprendizado com a gente na base, teve a continuidade com o Diniz”, conta Anthoni Santoro, treinador de Camacho no Flamengo dos 9 aos 16 anos. Na Gávea, o jogador sempre teve histórico de promessa com carga de expectativa para o futuro, mas nunca conseguiu sequência.

A mudança de perspectiva se deu após três temporadas no Audax. Com Diniz, foi adaptado para as funções de segundo volante e, eventualmente, primeiro. É justamente assim, como o homem mais recuado do meio-campo, que ele ganha oportunidades para se afirmar no Corinthians. Para Santoro, essa é uma experiência inédita em relação à formação do jogador, mas também não surpreende tanto.

“No futebol de salão ele demonstrava muita inteligência para o jogo, uma capacidade rápida de assimilar conteúdos e entender as propostas de jogo. Para alguns garotos, eu diminuía o número de informações. Para ele, eu sempre tinha que aumentar. Ele sempre assimilou tudo”, explica o ex-treinador.

A exemplo no que ocorria no complexo sistema de jogo do vice-campeão paulista Audax, em que era o líder do time, Camacho precisa desse entendimento de jogo para triunfar na atual posição pelo Corinthians. Para a comissão técnica, afunção de primeiro volante no 4-1-4-1 é a mais complexa e que demanda leitura do jogador que ocupa. É necessário sincronizar movimentos com os quatro defensores e fechar espaços dos dois lados do campo.

O desempenho de Camacho nessa função é marcado por alguns altos e outros baixos desde que Fábio Carille, então interino, o efetivou como titular depois da saída de Cristóvão Borges. A aposta, passada a era Ralf no Corinthians, é em um jogador com grande capacidade técnica para iniciar as jogadas com mais qualidade. E isso, há poucas dúvidas, o meio-campista pode oferecer.

“Ele sempre teve essa capacidade de construção, de distribuir e de fazer inversões longas e fazer passes curtos”, explica Santoro, que além de treinador é amigo do ex-comandado – os pais de Camacho são padrinhos de casamento dele.

Camacho ao lado de Anthoni Santoro, ainda criança, nos tempos de Flamengo
Camacho ao lado de Anthoni Santoro, ainda criança, nos tempos de Flamengo

O gol marcado por Rildo diante do Cruzeiro na quarta passada, por exemplo, surgiu justamente de uma longa e precisa inversão de bola feita por Camacho. Mas, bastante pressionado pela marcação cruzeirense, ele chegou a falhar em saídas de bola, o que se amenizou quando Oswaldo de Oliveira trocou o posicionamento do time.

No último sábado, Oswaldo de Oliveira surpreendeu. Willians, criticado por uma parte da torcida, foi eleito para dar maior poder de marcação ao meio-campo. Com isso, Camacho acabou no banco de reservas. Aos 26 anos, ele ainda é um jogador de algumas virtudes, mas também margem de crescimento.

Exatamente como o atual Corinthians, sétimo colocado que tenta terminar entre os seis primeiros do Brasileirão. Só assim para salvar um ano difícil e de mais frustrações que alegrias para seus torcedores.

Fonte: Uol

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  • “Para a comissão técnica, a função de primeiro volante no 4-1-4-1 é a mais complexa e que demanda leitura do jogador que ocupa. É necessário sincronizar movimentos com os quatro defensores e fechar espaços dos dois lados do campo.” — E tem gente que reclama do Márcio Araújo por atuar como “guardinha de trânsito”… &;-D

  • Acho que o Camacho teve uma evolução enorme no seu futebol com o Diniz. Ele é meio que um coringa nas ações de meio-campo, defende e apoia, tem bom passe.
    Até pela identificação com o Flamengo, quando voltou a aparecer bem no Audax seria um nome interessante e de baixo custo que vem justamente numa posição que precisamos de jogadores mais versáteis. Hoje só o Arao tem está capacidade de atuar como primeiro volante e como segundo.
    Hoje pelo que veiculou o Globo Esporte o meio para frente dos gambás tem ele Camacho, Rodriguinho, Giovanni Augusto, Romero, Marquinhos Gabriel e Guilherme. Achei bem ousada e sem jogador nato de marcação. Pode ser bom para gente, mas ao mesmo tempo perigoso se tivermos uma apresentação ruim no começo da partida.
    Particularmente acho que eles não vem assim, escutei algo como Willians no meio para fortalecer a marcação e se for no lugar do Camacho, melhor para gente.

    • Tudo bem mas o que o Diniz tem a ver com o Flamengo?, sinceramente não entendi o porque da veiculação dessa notícia.

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