Oiapoque ao Chuí 7 vezes: Maracanã faz o Fla encerrar ciclo de viagens

Voltar ao Maracanã na reta final do Campeonato Brasileiro é motivo de festa para a torcida. Mas também é motivo de alívio para os jogadores. A partida contra o Corinthians, neste domingo, representa o fim do ciclo de viagens do Flamengo para atuar como mandante. A peregrinação, que começou em janeiro, terminou após 28 partidas disputadas fora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Com idas e voltas, levando em consideração distâncias aéreas e trajetos percorridos de ônibus, o Flamengo percorreu quase 28 mil quilômetros para ser mandante. Esta é sete vezes a distância em linha reta entre os municípios de Chuí, no extremo sul do Rio Grande do Sul, e Oiapoque, no extremo norte do Amapá. Para os torcedores que buscam coincidências relativas ao número sete, trata-se de uma conta animadora.

Animador para os atletas, entretanto, é o fim do vai e vem pelo Brasil. Desde janeiro o Flamengo atuou como mandante em Volta Redonda-RJ (nove vezes), Cariacica-ES (oito vezes), Brasília (seis vezes), São Paulo (três vezes), Natal e Juiz de Fora (uma vez cada). Além disso, começou o ano atuando no estádio do América, em Mesquita, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Por isso, atletas e comissão técnica celebram o fato de o Flamengo, a partir deste domingo, não precisar mais percorrer o Brasil para ser mandante. Com o fim das obras e o encerramento de Olimpíada e Paralimpíada, o Maracanã está finalmente liberado para ser novamente a casa rubro-negra.

– Estamos voltando para a nossa casa. O Maracanã vai nos ajudar bastante e também vai diminuir muito as viagens. Assim, diminui o desgaste – destacou o goleiro Alex Muralha.

A preocupação do Flamengo com a frequência de deslocamentos não é de hoje. Em abril, quando a equipe ainda era comandada por Muricy Ramalho, o coordenador científico Daniel Gonçalves explicou qual era a consequência dessa rotina na preparação dos jogadores.

Flamengo mandante sem Maracanã

29 jogos
18 vitórias
6 empates
5 derrotas

Aproveitamento: 68%

– O problema é que começamos muito precocemente a gerar fadiga mental nos atletas, então gerou uma situação preocupante. A logística das viagens é complicada, por mais que você planeje adequadamente. Por exemplo: você sai de Brasília, logo depois de um jogo, mas tem o traslado até o aeroporto e precisa de toda a permissão da Anac para poder viajar. No ônibus, não tem pressurização e despressurização da cabine, que é ruim, mas para subir para Volta Redonda tem duas serras. Isso tudo conta – disse ele na ocasião.

Dos 29 jogos que disputou como mandante fora do Maracanã em 2016, o Flamengo conquistou 18 vitórias, teve seis empates e sofreu cinco derrotas. Isso significa 68% de aproveitamento. No entanto, algumas derrotas marcantes jogam contra os números. Além de ter sido eliminado na semifinal da Primeira Liga (para o Atlético-PR em Juiz de Fora), o Rubro-Negro também caiu na segunda fase da Copa do Brasil (Fortaleza em Volta Redonda) e nas oitavas de final da Copa Sul-Americana (Palestino em Cariacica) como dono da casa.

Trajeto Flamengo  (Foto: Infoesporte)

Trajeto Flamengo 2 (Foto: Infoesporte)

O Campeonato Brasileiro é a última chance de título na temporada. A sete rodadas do fim, o Flamengo encerrou seu ciclo de viagens pelo Brasil após percorrer o equivalente a sete trajetos do Oiapoque ao Chuí. Será que tem algo no ar?

Fonte: GE

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  • Com ctz a comodidade de ter q se deslocar alguns poucos kms fará toda a diferença para a recuperação da equipe, só pensar q ao invés de ter q viajar dias antes da partida, deslocar de avião, hotel, volta, perde um dia de treino, etc…. essa volta ao maracanã tem um significado maior! Mas os jogadores terão que fazer por onde tbm, vai ter q jogar bola! Mostrar em campo q realmente o maracanã ainda significa algo pro flamengo apesar de toda “gourmetização” que fizeram do gigante palco!

  • “O Flamengo percorreu quase 28 mil quilômetros para ser mandante. Esta é SETE vezes a distância em linha reta entre os municípios de Chuí, no extremo sul do Rio Grande do Sul, e Oiapoque, no extremo norte do Amapá”. Além do cheirinho contido na frase, essa estimativa dá a dimensão do desgaste dessa temporada, tanto físico quanto mental, além do prejuízo na preparação, com menos tempo de treinamento. Detalhe que os 28 mil quilômetros considera apenas os jogos como mandante. Se as eliminações do Flamengo no ano foram patéticas, a campanha no Brasileirão é louvável. Por isso, mesmo sendo um crítico ferrenho da atitude da equipe em outras oportunidades, vi a queda no segundo tempo das últimas partidas como consequência dessa maratona. Ter o Maracanã de volta agora vai muito além da mística, é necessário para a recuperação. Sem isso seria muito difícil continuar sonhando com um feito que, no começo do campeonato, era improvável.

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