Muhlenberg: “Vamos juntos!”

Como é grande o Flamengo. Tão grande que por muitas vezes seus feitos assombrosos são malbaratados por nossa exigente torcida. Não por soberba, arrogância ou autossuficiência, mas por considerar tais feitos, erroneamente, nada além do que obrigação. Não é preciso ser condescendente ou ficar com pena dos pequenos para admitir que o alvinegro mineiro também tem lá suas grandezas. Entre elas sua fanatizada torcida, conhecida pela sua capacidade de fazer barulho. Pois no sábado, o Flamengo, sempre épico, mostrou para o mundo que a chamada Massa Atleticana também sabe ficar calada, sem dar um pio. Sim, o Flamengo, mais uma vez, calou o Mineirão. Já está virando hábito o Flamengo tocar o terror na própria casa deles.

O que também já está virando hábito, um mau hábito, é importante que se diga, é o Flamengo não vencer as partidas que domina. Já são duas seguidas nessa reta final do campeonato e isso não é bom. Tivemos o jogo na mão, o controle absoluto das ações, mas demos o mole dos moles, nos contentando com a vantagem mínima e cadenciando, muito antes da hora, um jogo que deveríamos ter mantido a pegada opressora até o apito final.

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Sem chororô, mas ninguém nasceu ontem no Flamengo, com um juiz fraco e caseiro, que estava rezando para que o jogo terminasse empatado, foi cabacisse do Zé ter mandado o time recuar. Chamamos os caras pra cima e sofremos uma pressão doida e desnecessária. O pênalti se originou de uma falta não marcada, o juiz não dava cartão pros caras de jeito nenhum e se esforçou pra estragar o jogo, interrompendo nossos ataques e deixando a porrada comer solta. E com tudo isso acontecendo o nosso capitão Rever não foi capaz de dar uma peitada no sem vergonha. Porra, Rever, pra ser capitão tem que chegar junto e honrar essa braçadeira. Que isto não se repita.

E mesmo com tantos vacilos o Flamengo conseguiu sair do Mineirão maior do que entrou. Esse Flamengo não se assusta, não se deixa intimidar, esse Flamengo é macho pra caramba. Qual outro time do Brasil teria culhões suficientes pra entrar em campo ataviado em camisas cor-de-rosa? O Flamengo é testosterona em estado puro. Só por isso tem conseguido fazer essa campanha histórica, jogando 98 partidas fora de casa em um campeonato de apenas 38 jogos. Como é grande o Flamengo.

Continuamos muito na briga, dependendo não mais unicamente de nós mesmos, mas seguimos bufando e eriçando os pelos do pescoço do porco, que não é de aguentar a pressão e já começa a peidar. Sou mais o Mengão em qualquer jurisdição, e nesse Brasileiro em especial, o Flamengo tem excedido os meus sonhos mais loucos. Tenho orgulho desse Flamengo, quero segui-lo, apoia-lo, ampara-lo, ocupar aeroportos, carregar o nosso busão nos ombros.

Esse Flamengo conseguiu unir a todos. Rubro-negros, arcoíristas safados, jornalistas isentões e quintacolunas que sempre torcem pelo pior se irmanam na hora de ver as façanhas desse vermelho e preto sem medo. Como é grande o Flamengo. Nos próximos 5 jogos devemos seguir o velho provérbio africano: Se você quer ir rápido vá sozinho. Se você quer ir longe vamos juntos.

Fonte: República Paz & Amor