“Neste Natal, troque o ‘pacotão de reforços’ pela boa gestão do futebol”

Para muitos torcedores esta é a melhor época do ano. Seu time de coração está invicto, porque não joga, e sonha com os reforços especulados aqui e ali, inclusive novo treinador. Mas não tem dinheiro para gastar.

Para os cariocas menos jovens, como este que escreve, era a época de comprar o velho ”Jornal dos Sports” e sonhar folheando as páginas rosas com contratações bombásticas, como o alemão Schuster no Fluminense ou Maradona no Flamengo. Quando não previam a montagem de uma ”SeleVasco” ou ”SuperFogão”, com seis ou sete nomes de peso. Tempos de muitos chutes para manter as vendagens dos periódicos.

Hoje a apuração jornalística é muito mais responsável, embora haja um aventureiro aqui e ali. Mas o apaixonado por seu clube mantém o hábito de aguardar ansiosamente pelas negociações, tentar imaginar a nova equipe com os nomes aventados.

Só que o tal ”pacotão de reforços” quase invariavelmente significa que a direção errou feio e montou um elenco fraco. Também indica que os jovens vindo da base não são confiáveis ou falta coragem e sensibilidade para lançá-los no tempo correto.

O presente certo para a torcida neste e em qualquer Natal é a boa gestão do futebol. Estrutura montada em todo o departamento, profissionais capacitados e cientes da cultura e das peculiaridades do clube. Sem centralizar tudo na figura do treinador, que cada vez mais precisa delegar poderes. Ainda que a decisão final do que vai para o campo tenha que ser dele.

No elenco, base mantida com reforços nas posições carentes. Mas isto com avaliação serena e profissional, sem se levar pela paixão imediatista da torcida. Talvez o jogador que irritou as arquibancadas só precise de uma pré-temporada para se alinhar fisicamente aos outros. Ou apenas de tempo de adaptação, sem a insanidade que é chegar, se apresentar na terça e na quinta estar em campo para a estreia no meio de uma competição, entrando direto na máquina de moer carnes e cérebros.

Para rechear o elenco, jovens promissores. De preferência aqueles que já treinaram ou tiveram suas oportunidades entrando poucos minutos. Sem cobrança de protagonismo, amadurecendo o corpo e a mente para a etapa mais importante da carreira. Mas bem formado, nos conceitos do jogo, nas valências físicas e psicologicamente.

Tudo isso requer trabalho sério e não entregar as divisões de base a ex-jogadores por gratidão. Felizmente a mentalidade está mudando e o sucesso de Rogério Micale na Olimpíada e a ascensão de Zé Ricardo no Flamengo são bons exemplos de que o nível está bem mais alto.

Se tudo caminha dentro do planejado, a melhor manchete nos portais de esportes na internet – em tempos de queda nas vendas dos jornais impressos que não souberam se reinventar, inclusive o extinto ”Jornal dos Sports” – é que o trabalho segue seu curso.

Sem necessidade de guinadas radicais ou postura agressiva no mercado apenas para agradar a torcida. Ou os empresários dos jogadores, com comissões para lá e para cá. A história mostra que raramente funciona e deixa um rastro de dívidas que em algum momento cobra seu preço.

Que o Natal seja feliz para os que creem. Com esperanças renovadas pelo que está por vir, baseadas na consciência tranquila de quem sabe onde está e aonde quer chegar. Que assim seja!

PS: #ForçaChape

Fonte: André Rocha | UOL

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  • Gostei mais deste trecho: “Sem necessidade de guinadas radicais ou postura agressiva no mercado apenas para agradar a torcida.”… &;-D

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