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O Maestro de Pele Rubro-Negra!

Cláudio Sampaio
Cláudio Sampaio
Publicação: 25/01/2017
15 Comentários
Atualização: 25/01/2017
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Maestro Júnior

O Maestro de Pele Rubro-Negra

O nome do homenageado deste meu artigo de estreia na respeitada Coluna do Flamengo é Leovegildo Lins da Gama Júnior, conhecido pela Nação simplesmente como Júnior, Capacete ou, de preferência, Maestro.

Nascido há 62 anos na capital da Paraíba, veio para o Rio de Janeiro com 5 anos de idade, tomando gosto, a partir de sua adolescência, por jogar bola na praia.

Na juventude, teve breves passagens pelo futebol de salão, onde aprimorou sua técnica antes de ser integrado às divisões de base do Mengão, no início da década de 70. Estreou em 1974 nos profissionais, então como lateral direito, já se destacando com dois gols decisivos na fase final do Campeonato Carioca daquele ano.

Em 1976, Júnior, mesmo sendo um destro nato, foi transferido para a lateral esquerda, posição na qual se adaptou rapidamente, mostrando extrema facilidade de defender e apoiar, com bons passes e cruzamentos, o que o levou, no mesmo ano, à sua primeira convocação para a Seleção Brasileira.

O detalhe importante é que, apesar de gostar muito de um samba e de apreciar uma cervejinha, o que sempre fez na hora adequada, Júnior era um profissional extremamente dedicado, tendo treinado, com insistência, a batida na bola com a perna esquerda, o que permitiu a ele utilizá-la em muitas jogadas importantes, em especial cruzamentos com bola correndo e em escanteios.

Diferentemente de alguns, Júnior mostrou-se tão bom na Seleção como era no seu Clube, tendo merecido titularidade e destaque nas Copas do Mundo de 1982 e de 1986, ainda na lateral esquerda.

Frise-se, por oportuno, que Júnior é considerado até hoje, entre tantos jogadores de qualidade que envergaram o Manto Sagrado, o maior lateral esquerdo da história do Mengão, time de seu coração no qual, juntamente com seu genial parceiro Zico, se sagrou Campeão Mundial Interclubes em 1981, quando, aliás, recebeu proposta do poderoso Real Madrid, mas preferiu permanecer na Gávea.

Em 1984, o Flamengo vendeu Júnior, então com 30 anos de idade, para o Torino, agremiação italiana na qual atuou, já avançado para o meio de campo, por duas brilhantes temporadas (e um semestre adicional), tendo sido eleito o melhor jogador do campeonato na primeira delas.

Negociado com o modesto Pescara, também da Itália, em 1987, permaneceu dois anos no clube, com status de grande ídolo e capitão, tendo sido escolhido como o segundo melhor estrangeiro do certame, à frente de badaladas estrelas mundiais como Maradona, Careca, Gullit, Rijkaard e Van Basten.

Apesar de plenamente adaptado à Europa, com ótimo salário e perspectivas de permanência, Júnior, sensível a um pedido de seu então pequeno filho Rodrigo, que gostaria de vê-lo jogar no Maracanã, cedeu ao coração e retornou ao “Mais Querido do Brasil” em 1989, ano em que o Clube viu a aposentadoria do incomparável ídolo Zico e que perdeu, para revolta da torcida, o ascendente artilheiro Bebeto (decisivo no Campeonato Brasileiro de 1987) para o arquirrival carioca.

Em um Flamengo com problemas financeiros e sem os craques que formaram o esquadrão da década de 80, Júnior voltou e assumiu responsabilidade triplicada, pois deveria, além de carregar o peso de estrela prevalente do elenco, mostrar-se decisivo dentro das quatro linhas, como armador do time, e, fora delas, capitanear uma promissora geração de bad boys egressa das divisões de base, que tinha Júnior Baiano, Djalminha, Marcelinho, Nélio e Paulo Nunes.

A despeito das dificuldades, o veterano Júnior, muito além de uma ótima resistência física e de uma liderança tão firme quanto serena, revelou o traço que gravou definitivamente seu nome na história eterna do Mengão: a maestria.

O outrora “Capacete”, alcunha que ganhou na década de 80 por causa de sua cabeleira no estilo black power, revelou-se um inspirado “Maestro”, apelido que marcou a fase final de sua carreira nos gramados, abusando de passes, cruzamentos e gols decisivos, os quais levaram o Flamengo, com o apoio maciço de sua torcida nos estádios, aos títulos da Copa do Brasil de 1990, do Campeonato Carioca de 1991 e do Pentacampeonato Brasileiro de 1992.

Na última conquista citada, o Maestro Júnior, com 38 anos de idade, ganhou a Bola de Ouro da Revista Placar, alusiva à condição de melhor jogador do certame nacional. Ademais, a reboque de suas brilhantes atuações na maturidade, retornou à Seleção Brasileira para mais algumas partidas.

O que poucos sabem é que, ainda em 1992, Júnior, estando com salários atrasados no Flamengo, chegou a ser convidado pelo técnico Telê Santana para integrar a equipe do São Paulo, a qual estava na iminência de sagrar-se campeã mundial de clubes, mas negou de modo enfático, afirmando que não tinha condições de, no Brasil, vestir outra camisa que não fosse a do Flamengo.

Em 1993, Júnior encerrou sua excepcional trajetória na Gávea como o atleta que mais vezes vestiu o Manto Sagrado (865 partidas), sempre o defendendo com fibra e mentalidade vencedora. Entre breves passagens como técnico (1993 e 1997) e dirigente do Clube (2004), o Maestro notabilizou-se como o melhor jogador do mundo de Beach Soccer, estrela máxima da multicampeã Seleção Brasileira.

São do ídolo Júnior, hoje comentarista da Rede Globo de Televisão, duas frases emblemáticas, as quais devem servir de inspiração às novas gerações: “a camisa do Flamengo é minha segunda pele” e “quem não tiver uma profunda identificação com o Clube, profissional e sobretudo pessoal, não durará muito tempo por aqui”.

Obrigado, Maestro! Pelos gols, pela liderança e pelos ensinamentos! Salve Júnior! Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!

Assuntos:CapaceteFlamengohistóriaidolosjuniormaestro
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15 Comentários
  • Paulo Moritz disse:
    25/01/2017 às 03:10

    Mto bacana a homenagem. Coluna bem escrita ! Vou ficar no aguardo de outras homenagens como essa, com fatos e curiosidades. Parabens !

    Reply
  • Marcello disse:
    25/01/2017 às 04:58

    Ídolo!

    Reply
  • Bruno Pires disse:
    25/01/2017 às 05:34

    Uma lenda. Agradeço a Deus por ter visto o maestro jogar. Exemplo de profissional.

    Reply
  • Marcelo Castro disse:
    25/01/2017 às 08:01

    Apesar de não ser Flamengo, gostei muito! Parabéns pela escrita e pelas pontuais recordações do antigo e bom futebol que encantou gerações e gerações.

    Reply
  • Magno González disse:
    25/01/2017 às 08:34

    Parabéns pela homenagem sempre merecida ao nosso querido e fora de série Maestro.

    Infelizmente o futebol hoje é puro business.

    Reply
  • André N Lessa disse:
    25/01/2017 às 08:42

    Junior sempre “fought the good fight”. Trata-se de um exemplo de cidadão.
    SRN

    Reply
  • Giulia Vargas disse:
    25/01/2017 às 08:43

    Seria um belo reserva pro Chiquinho

    Reply
    • Ednei P. de Melo disse:
      25/01/2017 às 14:51

      Passou um bom tempo sem fazer comentários e quando aparece… áfff! &;-D

      Reply
  • Mariano Gomes disse:
    25/01/2017 às 08:50

    Os jogadores de hoje, jogam bem mais; jogam bem mais conversa fora, rodeados de “aspones”, em seus faces, instagram,Twitter, e quetais. Júnior e sua geração, até hoje são reverenciados, não por puro saudosismo, mas sim por puro merecimento.
    SRN

    Reply
  • CARABAO disse:
    25/01/2017 às 08:52

    Sempre Junior 5
    Um dos grandes do futebol.

    Reply
  • Eric Bruno disse:
    25/01/2017 às 08:55

    Nem vi o Júnior jogar, mas meus olhos lacrimejaram lendo essa matéria! Parabéns pelo texto e toda homenagem ao maestro e a toda a geração de ouro do mengão será sempre bem vinda!

    Reply
  • Digodromo Mello disse:
    25/01/2017 às 09:40

    1992, Maraca lotado, eu então, um garoto de 9 anos meio entorpecido com todo clima ao redor, com toda a confiança dada por um resultado extremamente positivo no jogo anterior e com a angústia por um acidente até então inexplicável nas arquibancadas.
    Era um espectador do show das bandeiras rubro-negras no estádio, confesso que estava desatento naquele momento. Foi quando meu pai tocou por duas vezes meu ombro e disse: “olha lá moleque, olha o gol”. Partia o Júnior, para cobrar aquela falta.
    Inesquecível… Enquanto o Maestro girava seus braços, em comemoração eu sentia o gosto de ver de perto o Flamengo ser campeão, tão bom quanto meu pai mencionara várias vezes, me prometendo um dia me proporcionar a mesma emoção.
    Obrigado, pai.
    Obrigado, Júnior!

    Reply
    • André S. Oliveira disse:
      25/01/2017 às 09:48

      Muito bacana, me imaginei em seu lugar.

      Reply
  • Agnaldo Alves disse:
    25/01/2017 às 09:40

    Melhor LE do Flamengo? Pra mim Junior foi o melhor LE do Brasil, deixando um discípulo à altura que era o Leonardo. Junior viveu numa época em que jogadores técnicos eram comuns, um jogador como o Junior hoje seria disparado um dos mais bem pagos do mundo devido a sua técnica e principalmente sua dedicação e profissionalismo, além de jogar bola entendia muito de leitura de jogo, por isso sua adaptação em sair da LE e jogar no meio foi tão tranquila. Junior era (e é)craque de bola, jogou muito no Flamengo, jogou muito na seleção, jogou muito por onde passou, até depois de veterano, jogando o dificílimo futebol de areia se destacou, sendo um dos principais nomes desse esporte. Boa leitura, parabéns ao escritor e justíssima homenagem. Junior é ídolo e deve ser lembrado eternamente por qualquer rubro negro que se preze.

    Reply
  • mateus disse:
    25/01/2017 às 10:45

    Júnior ?????

    Reply

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