Ex-goleiro do Fla e da seleção que virou motorista de Uber recomeça no interior de MG

Quem vê Marcelo Carné fechando o gol do América de Teófilo Otoni na primeira divisão do Campeonato Mineiro deste ano certamente não imagina que até poucos meses atrás ele era motorista de Uber.

Após sair do Brasília no meio do ano passado, o goleiro revelado no Flamengo ficou quase seis meses dirigindo um carro pelas ruas do Rio de Janeiro para ganhar seu dinheiro.

“É muito complicado ficar sem trabalhar e precisava me sustentar. Sou formado em educação física, mas não poderia assumir um compromisso de dar aula em academia por causa do futebol. Poderia ter que ir embora a qualquer momento”, disse o jogador, ao ESPN.com.br.

Para não perder a forma, Marcelo lutava Muay Thai e treinava a parte física com o preparador Fábio Duarte, seu amigo dos tempos de faculdade.

“Ele é um ótimo profissional e me ajudou demais. Eu participava toda semana de uma pelada do Thiago Coimbra [filho do Zico] com jogadores e ex-atletas. Isso me ajudava muito. Também jogava um campeonato de futebol de sete com uns amigos meus do Pá e Bola”.

Marcelo conciliava a rotina de treinos e jogos amadores com o Uber, que rendeu situações engraçadas.

“Teve uma vez que uma passageira tentou passar a mão na minha perna de noite (risos). Umas meninas queriam me dar telefone quando voltavam da balada também”.

Marcelo acredita que o tempo passado nas ruas transformou o modo de encarar a vida.

“Foi uma experiência maneira porque abriu meus horizontes. Quando a gente joga em time grande e seleção acaba sendo muito paparicado. As pessoas te mimam muito. Você não consegue pensar além da caixa”.

“Apesar de ter feito faculdade e conhecido outras pessoas fora do futebol, nunca tinha feito nada além de jogar. Eu não me sentiria completo se não tivesse passado por isso. Agora dou muito mais valor à minha profissão”.

Promessa do Fla e seleção

Marcelo Carné começou ainda criança no futsal do Bangu antes de chegar ao Flamengo. No clube da Gávea foram mais de 300 partidas, segundo o goleiro, como titular nas categorias de base.

Companheiro de jogadores como Camacho, Bruno Paulo, Paulo Sérgio e Erick Flores, ele chegou à seleção brasileira sub-17, sendo titular no Mundial e nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, ambos em 2007.

Com a forte concorrência no profissional, Marcelo foi emprestado ao Duque de Caxias, Tombense. Pelo clube da Gávea, só atuou em uma partida amistosa contra a seleção do Piauí, em 2012.

“Naquele ano fiquei mais de 19 partidas no banco de reservas no Brasileiro. Como peguei uma geração que tinha o Bruno e depois o Felipe e Paulo Victor, não tive muitas oportunidades. Mas aprendi muito por treinar com goleiros deste nível”.

“Convivi com Adriano e Ronaldinho Gaúcho, dois ídolos que só tinha visto pela televisão. Era algo impensável para mim estar ao lado deles algum dia”.

Apesar de ter ficado chateado com a forma que saiu do time rubro-negro, em 2013, ele garante não ter qualquer tipo de mágoa.

“Não tenho o que reclamar do Flamengo. Foi o clube que me abriu as portas, me fez chegar até a seleção e ter uma carreira. Devo tudo mesmo ao Flamengo, tanto na minha formação profissional como na formação como homem”.

O goleiro ainda jogou por Tombense, Boavista e Nova Iguaçu. No segundo semestre de 2015, porém, ficou pela primeira vez sem clube. Após defender no Estadual do ano passado o Brasília, ficou desempregado novamente.

“Eu não pensei em desistir do futebol. Sinto saudade de jogar em alto nível e disputar Campenato Brasileiro. Estou cansado de não dar sequência, mas ainda tenho muita lenha para queimar. Espero que as coisas se desenvolvam neste ano, mas ainda tenho paciência”.

Após quase ir para o Bonsucesso, ele acertou com o América de Teófilo Otoni-MG.

“Já joguei um Campeonato Mineiro e cheguei à semifinal. Isso me traz boas recordações. Esperamos fazer uma boa campanha e nos manter na primeira divisão e chegando o mais longe possível. Com isso, quero dar sequência e pegar um Brasileiro no segundo semestre”.

Fonte: ESPN

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  • Gabriel tem cara de cobrador de lotação. Tenho certeza que iria se dar bem.

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