“Vinícius Jr. e a tristeza de só ter os craques do futuro e do passado”

Eu sei que é um pouco clichê reclamar da evasão de jovens talentos no futebol brasileiro. Por ela ser uma realidade faz um certo tempo, por ser um contexto sem previsões de mudança nem mesmo no longo prazo, por esse processo de “evoluir na Europa” já ser tão arraigado na nossa cultura que quando você compra uma bola dente de leite pro seu filho hoje em dia ela já vem com um documento ensinando como pleitear dupla cidadania para conseguir um passaporte italiano.

Mas, ainda assim, quando eu vejo no noticiário que um jovem como Vinícius Jr., de apenas 16 anos, já estaria com quase tudo acertado para defender o Real Madrid, permanecendo de agora em diante no Flamengo apenas pelo tempo estritamente obrigado pela lei – legalmente, um clube europeu não pode contratar um jogador com menos de 18 anos, única coisa que impede que os melhores espermatozoides sul americanos já estejam sendo recrutados por olheiros internacionais –, é impossível negar que bate uma certa tristeza.

Tristeza porque ainda que Vinícius vá possivelmente continuar no Flamengo até meados do ano que vem e você poderá vê-lo no time profissional algumas vezes, ainda que o Flamengo teoricamente vá receber por sua transferência uns 150 milhões de reais e ainda que talvez seja melhor para o garoto e para sua família a estrutura e os maços de euros que um clube espanhol pode oferecer, isso tudo ainda parece muito pouco diante do que o futebol brasileiro perde todo ano, todo mês, toda semana, ao exercer esse papel tão específico no cenário mundial.

Isso porque o nosso campeonato acaba se tornando o lar de três tipos de jogadores. As promessas, que estão começando a brilhar e já são rapidamente recrutadas para os grandes da Europa, antes mesmo que possam construir de verdade suas histórias em seus clubes; os veteranos, que voltam da Europa após conquistar – ou não – tudo que podiam, já nas retas finais de suas carreiras; e os jogadores medianos, que nunca conseguiram uma grande transferência ou que conseguiram e voltaram muito rapidamente. Nossos craques vivem seu auge longe, nosso campeonato não tem a qualidade que poderia, em pleno ano de 2017 Carlos Alberto ainda é um reforço relativamente interessante para um time de Série A do Campeonato Brasileiro.

É um exercício de imaginação dos mais inúteis imaginar o quão mais interessante, disputado e emocionante seria um Brasileirão em que Neymar pelo Santos enfrentaria Thiago Silva pelo Fluminense? Com certeza, além de ser o tipo de ideia que já apareceu em textos esportivos pelo menos umas mil vezes desde que a primeira transferência internacional aconteceu no nosso futebol. Mas imaginar que um jogador com o potencial que parece ter Vinícius só vai realizar esse potencial em outro continente, diante um monte de europeus de sobretudo, e não no Maracanã, diante de várias pessoas que naturalmente exageram um pouco no “s” e sabem o que é um Guaravita me parece dessas situações que mostram que o capitalismo falhou em algum ponto, as regras da Fifa estão erradas, vamos prender o moleque aqui até ele conquistar ao menos uns 5 campeonatos.

Mas isso não vai acontecer. Vinícius Jr. ainda vai ficar por um tempo, espero que tendo boas chances, mostrando seu futebol e alegrando a torcida, e depois ele vai embora e tudo que vamos ter é, assim como um cara acessando o Facebook de uma ex-namorada numa madrugada chuvosa, a sensação de que, por mais que ele pareça estar melhor, mais satisfeito, mais realizado, não era exatamente ali que ele devia estar. O único lado bom é que ao menos as fotos e os vídeos do Vinícius você vai poder curtir e comentar com os seus amigos sem acabar parecendo meio esquisito e triste demais.

João Luis

Fonte: Isso Aqui é Flamengo | ESPN

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  • Discordo de tudo. O capitalismo permite que as coisas se organizem. Se ele quer ir, acho errado ate q n possa ir menor de idade. Nao é pq nasceu aqui que é obrigado a ficar aqui. Somos livres. A vida na europa é mto melhor q aqui e o salario dos jogadores é mto maior. Queria ele no Flamengo? Sim. Acho certo criar burocracias para ele nao sair? Nao.

    • Sou meio anarquista e não tenho pátria, a não ser o Flamengo, por essas e outras que concordo contigo, faça o que tu queres, há de ser tudo da lei. Mas que é triste, é. Se soubéssemos nos organizar, nós brasileiros, fazer show em esportes, como é feito nos EUA e Europa, formar ligas independentes de federações maliciosas, certamente aqui seria a Europa do futebol mundial, os melhores jogadores são nossos, sul-americanos.

  • desculpe a expressão mas que idiota esse texto. O flamengo tem dívidas de quase 400 milhões, não tem estádio, tem um ct mal acabado e não tem ct pra base, um time ainda em formação e o jornalista me fala isso? filho, precisamos de dinheiro num primeiro momento, após melhorar tudo isso que citei ai sim devemos segurar o máximo nossos atletas. ! srn

  • É que falta eu sinto dos antigos jornalistas , comentaristas e colunistas Esportivos, que saudade de ouvir Kleber Leite direto do Restaurante do Hotel onde estava concentrado o nosso time, comentar , hoje os jogadores estão almoçando Bife com purê ou batata frita e salada de legumes com suco de laranja e de sobremesa pudim de leite. A que saudade , agora e só quanto o Vinicius vai custar. Tempos modernos ou o novo e eu ficando Saudosista.

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