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Trivela: “O árbitro de vídeo é necessário. Mas, do jeito que a CBF quer fazer, vira loucura”

Yuri Sobral
Yuri Sobral
Publicação: 18/09/2017
7 Comentários
Atualização: 18/09/2017
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Para uma entidade que organiza um campeonato de futebol, falta à CBF a compreensão de um princípio muito básico: a isonomia. Marco Polo Del Nero ordenou, nesta segunda-feira, que o árbitro de vídeo seja implementado no Campeonato Brasileiro o mais rápido possível. O desejo é que estreie já na próxima rodada. Mais uma vez, a CBF toma uma decisão apressada, improvisada, com alto risco de confusão, e que mina o seu principal produto.

O Brasileirão perde credibilidade quando as suas regras e critérios são modificados durante o andamento da competição, o que a CBF parece simplesmente incapaz de entender. Já havia sido assim ano passado, quando a venda de mando de campo foi proibida na reta final, e o número de vagas para a Libertadores pulou de quatro para seis.

Mais uma vez, cria-se uma desequilíbrio técnico entre metades diferentes do campeonato. O gol de Jô que deu a vitória ao Corinthians no último domingo seria certamente anulado com o uso da tecnologia. O Vasco tem muito direito de reclamar: se o dispositivo está em condições de ser implementado, por que não foi antes de o clube cruz-maltino ser claramente prejudicado pela arbitragem?

Este é apenas o exemplo mais próximo. O próprio Corinthians pode reclamar do gol que o Jô marcou contra o Flamengo, em posição absolutamente legal, erroneamente anulado. Ou daquele contra o Coritiba, assim como qualquer clube que foi prejudicado enquanto a CBF alegava que era muito caro colocar o sistema em funcionamento no Brasileirão. Mas parece que eles repentinamente encontraram um bau de dinheiro.

Se do ponto de vista esportivo a isonomia fica problemática, do ponto de vista jurídico ela está garantida porque todos os clubes estavam sujeitos a erros antes da implementação do recurso tecnológico e, a partir de agora, todos eles o terão à disposição, mesmo que, até aqui, alguns tenham sido mais prejudicados do que outros. E está previsto no Regulamento Geral das Competições, no artigo 77:

Art. 77 – O uso de “AV” deve ocorrer, a partir do momento em que a Comissão de Arbitragem da CBF apresente condições técnicas e materiais – o que poderá se dar no curso de qualquer das competições que coordena, independentemente da fase. 

O que dá pano para manga é o parágrafo primeiro:

 § 1º – A CBF não está obrigada a utilizar a tecnologia da arbitragem em todos os jogos da mesma competição ou da mesma rodada, na medida que depende de condições técnicas e materiais para fazê-lo.

Ou seja, a CBF pode usar o recurso tecnológico em todos os jogos da mesma rodada, mas não está obrigada a fazer isso. Pode utilizá-lo apenas nas partidas transmitidas pela TV aberta ou nos duelos mais importantes. Isso, sim, pode abrir possibilidade de recursos jurídicos, até mesmo na Justiça Comum. Principalmente porque o primeiro artigo do regulamento fala em assegurar “igualdade de oportunidades” e o “equilíbrio das disputas”.

Art. 1º – Este Regulamento Geral das Competições (RCC) foi elaborado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no exercício da autonomia constitucional desportivo para concretizar os princípios da integridade, continuidade e estabilidade das competições, do fair play (jogo limpo) desportivo e financeiro, da imparcialidade, da verdade e da segurança desportivas, buscando assegurar a imprevisibilidade dos resultados, a igualdade de oportunidades, o equilíbrio de disputadas e a credibilidade de todos os atores e parceiros envolvidos.

Além da instabilidade jurídica, e do desequilíbrio técnico, apressar a implementação de um dispositivo desses é um risco gigantesco de confusão. Países europeus que, sem vira-latismo, têm o costume de serem melhores nessas questões organizacionais passaram até seis meses testando e analisando os métodos mais eficazes para a utilização do VAR. E, mesmo assim, Holanda, Portugal, Itália e Alemanha têm encontrado problemas e discussões.

Imagina a CBF, com um currículo extenso de fazer as coisas nas coxas, causando uma revolução na maneira de apitar uma partida de futebol em uma semana? Quantos árbitros estão habilitados a usar o dispositivo tecnológico? Segundo Pedro Ivo Almeida, do UOL, apenas quatro, e são dez jogos por rodada. Quantos testes foram feitos até agora? Poucos, de acordo com Rodrigo Mattos, também do UOL, porque a entidade vinha empurrando o assunto com a barriga. O mais notório teste foi na final do Campeonato Pernambucano, quando Wilton Pereira Sampaio anulou um gol do Salgueiro, com um uso polêmico – e demorado – do recurso do vídeo.

A tecnologia para auxiliar a arbitragem é um imperativo para o futebol moderno. Não dá mais para permitir que o árbitro seja o único ser humano sem acesso às centenas de câmeras que transmitem um jogo de futebol. Trará mais benefícios do que prejuízo, se for bem utilizada. Mas não pode ser implementada às pressas, sem os devidos testes e protocolos, em um campeonato que está em andamento. Quais as chances de ela ser bem utilizada no Brasil, com esse processo de implementação atabalhoado? A maior probabilidade é que, por causa disso, os quase inevitáveis erros deponham contra a própria tecnologia. A CBF tem uma capacidade incrível de errar até mesmo quando teoricamente acerta.

Como funciona o árbitro de vídeo

A Fifa definiu protocolos para a utilização do árbitro de vídeo. Há quatro tipos de lances em que ele pode ser usado: pênaltis, gols, cartões vermelhos e erros de identificação. Estabeleceu-se um processo de três passos. O incidente ocorre, o lance é revisado pelos árbitros que têm acesso aos replays e a informação é passada ao árbitro principal, que, então, toma a decisão definitiva. Este vídeo explica o procedimento de maneira didática:

Reprodução: Blog Trivela/ UOL

 

Assuntos:brasileirão. árbitro de vídeoflaFlamengofutebol brasileiro
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7 Comentários
  • DefendaSeuDinheiro disse:
    18/09/2017 às 19:40

    Deixa a CBF trabalhar!
    A tecnologia já está na maioria dos esportes de alto desempenho!
    O futebol está atrasado!
    Sigamos em frente!

    Reply
    • Domingos Eduardo Rios Sender disse:
      18/09/2017 às 21:39

      Boa

      Reply
  • Arthur disse:
    18/09/2017 às 20:09

    Prato cheio pra que esse campeonato não acabe na rodada 38…

    Reply
  • Flamaster_Canada disse:
    18/09/2017 às 21:49

    “O gol de Jô que deu a vitória ao Corinthians no último domingo seria certamente anulado com o uso da tecnologia.”

    Todas às vezes que a desonestidade dos gambás é evidenciada nas grandes mídias corruptas eles nos lembram, logo em seguida, de algum caso com o Flamengo ou um dos escassos casos que esses safados foram prejudicados:

    “O próprio Corinthians pode reclamar do gol que o Jô marcou contra o
    Flamengo, em posição absolutamente legal, erroneamente anulado. Ou
    daquele contra o Coritiba,…”

    Esse um é padrão usado por TODAS as emissoras e meios de comunicação de grande porte no Brasil.

    E agora, gambás, não vão reclamar do gol impedido do Jô na vasquinha?

    Reply
    • Yvan Lima disse:
      20/09/2017 às 15:12

      Flamenguista querendo falar de arbitragem… Se ainda fosse um botafoguense, mas um flamenguista. Só rindo mesmo.

      Reply
      • Flamaster_Canada disse:
        20/09/2017 às 22:00

        Se perdeu, gambá? O veio sentir um pouco do gostinho do que é ser o Maior de todosw

  • Almir Ribeiro disse:
    19/09/2017 às 07:25

    Não tem mais como se evitar o uso da tecnologia. O Arbitro não tem como acompanhar com perfeição todos os lances. Agora que se tirem esses “assistentes de linha de fundo. Inútil na minha visão, e representam um gasto extra desnecessário. O Jô fez o gol irregular na cara do assistente, o que adiantou ele ali? Como o Arbitro de vídeo com certeza n~~ao vamos ter esse tipo de situação (como gols de mão, impedimentos gritantes…) assim espero né. A CBF é malandra e claro, que ela faz o seu joguinho…já era para ter essa tecnologia há muito. Dinheiro tem de sobra.
    A CBF muda as regras há tempos e nós Rubro-negros sabemos bem como é o joguinho sujo dela (quando mudou as regras no meio da Copa União), e nos prejudicou. Transparência nunca foi o forte da CBF.

    Reply

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