João Luis Jr.: “O ‘bonzinho’ Flamengo finalmente mostrou que sabe ser mau”

De todas as críticas ao Flamengo de 2017 – e não são poucas -, duas das mais frequentes eram sobre como o rubro-negro esse ano se mostrou um time, na falta de palavras melhores, “bonzinho” e “acomodado”.

Bonzinho porque é um time de poucas faltas, não afeito à violência, com jogadores disciplinados e que na maior parte do tempo se mostram bons moços, do tipo que se sua mãe, atualmente divorciada, desse um match no tinder, você pensaria “bem, tá aí um cara que parece de confiança, né?”. Já a acomodação, possivelmente uma das maiores queixas da torcida, vem do fato de que esse mesmo grupo não passava a sensação de se indignar com derrotas, se inflamar com gols sofridos, se revoltar com momentos negativos. Era um time que virava poucos jogos, buscava poucos resultados, deixava apenas o Paquetá correndo atrás da bola feito uma criança torturada no futebol do churrasco dos tios, enquanto parecia satisfeito com resultados que não eram em hipótese alguma satisfatórios.

Mas nessa noite de quarta-feira, durante o empate heroico que garantiu a classificação para a semifinal da Sulamericana, o Flamengo foi tudo menos bonzinho. Bateu até quando não precisava bater, meteu dedo na cara, fez cera quando o jogo caminhava para o final e teve como principal símbolo um William Arão que não apenas fez o gol decisivo, como também quase chegou as vias de fato com o lateral Lucas, do Fluminense, e o convidou para resolver a diferenças depois do jogo, no que seria a primeira partida de futebol a começar com transmissão na tv aberta e terminar como um evento do Canal Combate.

E acima de tudo, o Flamengo não foi acomodado. Começou perdendo, buscou o empate na linda cobrança de falta de Diego e, mesmo quando o adversário abriu 3×1 e os torcedores em casa já começavam a consultar na internet as datas do Campeonato Carioca 2018, não desistiu. Foi buscar com Vizeu, em bonita jogada de Vinícius Jr e com passe brilhante de Éverton Ribeiro, empatou faltando 7 minutos pro fim na cabeçada de Arão, quase virou a partida num chute de Diego na reta final. Se essa Sulamericana fosse um filme de super-heróis, o nosso time estava disposto a ficar na sala até a última cena pós-créditos.

Isso fez a diferença. Numa noite em que não se mostrou tão brilhante taticamente e alguns jogadores estiveram longe de sua melhor forma técnica, o Flamengo se classificou por uma soma de brilho individual – o gol de Diego, o passe de Éverton Ribeiro, a entrada de Vinícius Jr que mudou os rumos do jogo – e vontade coletiva – Vizeu correndo para o meio de campo e chamando a torcida após fazer seu gol, Paquetá lutando por todas as bolas até o final. Numa temporada em que várias vezes o time pareceu abatido, desanimado, conformado, finalmente tivemos uma noite em que o Flamengo, decidiu ser mais Rocky Balboa, apanhando mas sabendo levantar, e menos você durante aquela briga no aniversário da Fatinha na 8ª série em que um soco passou perto do seu rosto e você já achou melhor deitar logo no chão pra evitar apanhar de verdade.

Faltando agora 4 jogos até um possível título da Sulamericana e outros 7 até o fim do Campeonato Brasileiro, resta esperar que a postura, a coragem e a vontade de hoje continuem nas próximas partidas, que a lesão de Juan não seja grave, que Vizeu continue deixando seus gols e que Vinícius Jr não apenas se torne mais presente entre os titulares, como, se possível, alguém envie uma carta ao Real Madrid e aos pais do garoto pedindo para ele poder ficar no Flamengo até mais tarde, só mais uns 5 anos, não sei. O importante é garantir que o Flamengo bonzinho e acomodado que vimos durante o ano tenha sim ido embora, deixando no lugar dele um Flamengo mau e que não aceita outro resultado diferente da vitória.

Fonte: ESPNFC

Veja também

  • Vinícius Jr neles.

  • Jogadores com espírito lutador e boa técnica que cairiam muito bem no ano que vem: F. Mello, Eduardo Vargas e Gignac.

    • a media do gignac é parecidissima com a do guerrero é 6 por meia duzia

  • Precisamos de mais jogadores com esse espírito lutador para o ano que vem.

    Vendam: Trauco(pelo momento na seleção e possível título do FLA, acredito que receberá proposta), Arão(um título esse ano deve fazer com que receba propostas), Mancuello(recuperar dinheiro), Guerrero(muito marketing, luta, tem bom passe e faz bem o pivô, porém falha muito na finalização, momento no clube e seleção deve aparecer grandes propostas), F. Vizeu(um título pode fazer com que venham propostas)

    Troquem: Rômulo por F. Mello, Rodinei+Renê pelo Zeca(pode sair de graça se o Santos não negociar), Berrio+compensação financeira pelo Eduardo Vargas(Tigres)

    Emprestem: Muralha(Avaí), R. Vaz, Márcio Araújo(Vasco), Gabriel(Avaí ou Vasco), Ederson por F. Santos(tem experiência, marca bem e cruza bem)

    Comprem: Douglas(contrato com Avaí termina em dezembro, podemos pegar emprestado com o Corinthians), Miranda(contrato até o meio do ano com a Inter de Milão), Rafinha(contrato até o meio do ano com o Bayern), Matheus Galdezani(Coritiba), Gignac(contrato com o Tigres termina no meio do ano), Kayke(não vem jogando pelo Santos)

    4-4-2: Diego Alves(Douglas e Thiago), Rafinha(Pará), Réver(Rhodolfo e L. Duarte), Miranda(Juan), Zeca(Fábio Santos), Cuellar(Ronaldo), F. Mello(Matheus Galdezani e Jean Lucas), Diego(L. Paquetá), Everton Ribeiro(Geuvânio), E. Vargas(Vinícius Júnior), Gignac(Kayke e Lincoln)

    OBS: Torcendo para que Vizeu e L. Paquetá tenham um ótimo final do ano, assim não precisaremos contratar pra reserva do Diego e poderemos vender o Vizeu.

    • Cara, morro de rir com esses torcedores que vivem o mundo da lua.
      Fala como se fosse simples contratar, vender e trocar jogadores… kkk
      O cara vem sugerir 9 contratações de jogadores como se dinheiro desse em árvores.

      • Só pra trazer o Diego, o Fla fez no apagar das luzes – esses caras acham que trazer um jogador não envolva outros fatores, como o clube querer vender, o jogador querer vir, o valor negociado seja viável, não haja concorrência de outros times europeus ou asiáticos…

        Sempre dizemos aqui: “O ministério do futebol adverte: Desligue o Playstation antes de comentar!”

        SRN

    • que viagem amigo, menos dorgas da proxima.

  • Será que é difícil?

    É pedir demais? Seria injusto por parte da torcida, como relata nosso ilustríssimo companheiro Ednei, exigir isso em campo?

    Para todos os jogadores do Flamengo que estiverem com duvida de como se comportar em campo, é simples: olhem como Cuellar joga.

    Seja contra o Fluminense em quartas da sulamericana, seja contra a chapecoense na arena Condá em jogo “comum” pelo brasileiro: sangue no olho, 150%, no limite.

    Não precisa bater, não precisa encarnar José Aldo, nem catimba inapropriada e suja… Só precisa ser Flamengo, como foi quarta!

  • Prefiro um time de perebas com raça, do que uma equipe badalada sem brio. Esse Flamengo de Quarta-Feira, é aquele que sempre prezamos.

  • Muito feliz e bem colocada a análise de Raphael Spindola. Essa é a Raça da Nação Rubronegra.

    • Gostei,bela análise

  • Foi o flamengo brigar em campo que até as crônicas no coluna tb melhoraram, muito bom texto!

    • Tudo fica mais bonito quando o Flamengo é Flamengo

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