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Arthur Muhlenberg: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”

Redação
Redação
Publicação: 28/01/2018
8 Comentários
Atualização: 28/01/2018
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  1. Já faz muito tempo que os Flamengo x Vasca disputados na 3ª rodada da Taça Guanabara valem muito pouco. Se remédios fossem os Flamengo x Vasca com tal nível de relevância seriam classificados como placebos, palavra bonita que vem do latim placebo, que significa agradarei. Placebos são medicamentos, procedimentos ou terapias inertes, cujos efeitos terapêuticos se devem aos efeitos psicológicos da crença do paciente de que ele está se tratando.

O placebo é uma mentirinha do bem, particularmente importante quando atua nos mecanismos cerebrais que trazem consciência da dor. Lamentavelmente, a dor tem sido uma sensação exageradamente presente na crônica que a torcida rubro-negra faz dos nossos últimos 12 meses. Cada um aprende sobre a dor através das suas próprias experiências, por isso ela é sempre subjetiva, mesmo quando sentida coletivamente.

Dor é um negócio que quando estamos sentindo temos certeza de que nem devia existir, mas a principal utilidade dela é nos motivar a fugir de situações prejudiciais e a evitar experiências semelhantes no futuro. Essa parte da etiqueta da dor é a mais difícil de aprender. Pergunta se alguém, por mais escaldado que esteja da pornográfica desimportância de uma Taça Guanabara, abriu mão de esperar uma acachapante goleada imposta ao bacalhau devida a patente superioridade do nosso furioso dente-de-leite.

Porque muito torcedores insistem em conferir uma espécie de obrigatoriedade ao hábito de se importar com campeonatos cariocas, desprezando toda e qualquer experiência sensorial já acumulada em temporadas anteriores. Todo ano é a mesma coisa. O carioqueta começa e é como se oferecessem a cada torcedor a oportunidade de fazer gratuitamente o teste para saber se fio desencapado dá choque. Como para muitos é considerado de mau tom se recusar ofertas grátis, fica um monte de flamenguista agarrado lá no 110 com os cabelos arrepiados enquanto o modorrento campeonato papa-goiaba se arrasta por meses, crime ocorre, nada acontece, feijoada.

Foi muito bom ver a juveníssima geração de rebentos rubro-negros desempenhando condignamente seu papel de doutrinação nos primeiros jogos do estadual. Caras novas, que ainda não tiveram tempo para cultivar as desamizades unilaterais que desfrutam os nossos profissionais mais experientes, são para a torcida como analgésicos que mitigam aquelas dores proporcionadas pelas experiências malsucedidas que insistimos em repetir. Os moleques podem ser geniais, mas não são de ferro, e em algum momento eles forçosamente precisarão que os mais cascudos se apresentem no quartel para executar o serviço para o qual são regiamente pagos. Não é dificil ser coerente. Se ganhar do Volta Redonda, da Cabofriense ou do Bangu não significa nada, empatar com a Vasca não pode significar coisa alguma.

É inevitável que aos poucos o Carpegiani bote os cara grande todos pra jogar. Eles precisam ganhar ritmo de jogo e já sabemos que isso demora. Mas assim que o doloroso processo de queimar as banhas adquiridas pelos medalhões nas férias estiver concluído todos os moleques, salvo os luminares Paquetá e Vinicius Jr e talvez o contestado Vizeu, Léo Duarte e Ronaldo, vão cuidar de seus interesses sub-vintaneiros longe dos holofotes. Em linhas gerais o time do Flamengo em 2018 será aquele que nós vimos peidar em 2017, com exceção dos que deram vazari e do metabolistico Guerrero. Aturem ou surtem. Por mais café-com-leite que seja o Carioca, pensar que uma Cruzada dos Meninos para libertar a Terra Santa irá irromper no Ninho do Urubu é desconhecer o destino trágico de Stephen de Cloyes e seus imberbes seguidores.

Há quem tenha visto até algum valor educacional no empate com gol válido anulado do sábado. Entendem que o resultado levemente vexatório, dada a distância astronômica que separa os elencos de Flamengo e do vice-bacalhau, serve como um amargo antídoto ao oba-oba que já ameaçava contaminar até os mais esclarecidos apoiadores do vermelho e preto da Gávea. Como disse lá em cima, Flamengo x Vasca em 3ª rodada de Taça Guanabara, seja qual for o resultado, não passa de um placebo.

Quando usado com sabedoria o placebo é capaz de aliviar ou mesmo suprimir por completo a sensação de dor, mesmo que a causa da dor em si continue não tratada. Existe o fenômeno inverso, o efeito nocebo: a expectativa de que a dor seja excruciante já é suficiente para que se perceba a mesma como se fosse a tal dor, mesmo que a sua suposta causa não justifique, por si, a sensação. O poeta romano Virgílio dizia que “Uma dor assim, se tivesse podido prevê-la saberia suportá-la”. Se me permitem praticar ilegalmente um pouco de medicina segue a minha prescrição charlatã: Até que o time que efetivamente vai disputar as competições em 2018 entre em campo convém não sofrer mais por dores já sofridas. Ou por Libertadores já perdidas. Esperemos que as novas dores cheguem. Pois é fatal que elas chegarão.

Mengão Sempre 

Reprodução: República Paz e Amor 

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8 Comentários
  • Michael André disse:
    28/01/2018 às 11:56

    Que vergonha esse texto cheio de mimimi’s e palavras enfeitadas, só pra dizer que a Nação rubro negra queria uma vitória em cima do vascolixo e os caras que estavam em campo não demonstraram garra e raça pra consegui-la.
    É simplesmente isso, os que estiveram em campo não mostraram que estão motivados a ganhar, vamos sim com certeza passar vergonha com esse time sem raça e sem esforço, se não ganha do vascolixo mais ruim de muito tempo, libertadores então será mais um fiasco em 2018.
    SRN, isso aqui é Flamengo.

    Responder
    • Rafael Miranda disse:
      28/01/2018 às 12:22

      O cara que escreveu é um comunista nato. Tu já viu comunista ter boas ideias ou pensar algo “para frente” ?

      Responder
  • Edu Obina Mengão detona disse:
    28/01/2018 às 12:16

    Eu tô bebendo aqui e comendo um churrasco. Viva Mengão

    Responder
    • Dayvson Alves disse:
      28/01/2018 às 12:39

      E acabei de acordar agora e vou fazer o mesmo…..

      Responder
  • Ltom Macêdo disse:
    28/01/2018 às 12:36

    Dificil nao sofrer por antecipação com Rômulo, Para, Rene, trauco e rodinei.

    Responder
    • Joelson Costa Silva disse:
      28/01/2018 às 12:55

      Coloco Vizeu nessa turma aí

      Responder
  • Caio Sá disse:
    28/01/2018 às 16:53

    Vou aqui expor a minha opinião e nem espero aprovação, é apenas um manifesto pessoal. Gosto do estilo de Muhlenberg, apesar da pomposidade. Mas, a verdade é que ele, dessa vez, não entendeu nada, ao menos do que queria parte da torcida. O carioca já não vale coisa alguma e, justamente por isso, deveria ser reservado à base, ainda que composto o time com algum titular, com inquestionável ganho para o Clube. E o time principal, como poderia ser preparado para os confrontos que teremos esse ano? Simples, amistosos e torneios avulsos, de dois ou três jogos. Isso, por que não temos ousadia o suficiente. A verdade é que com o time do ano passado duvido que alguém acredite que seremos campeões de alguma coisa esse ano. Se tivéssemos coragem, entraríamos na liberta com a base salpicada com algum profissional, já que as chances são poucas, então que sejamos ousados. Afinal, já não fracassamos tantas vezes com times profissionais no campeonato sul-americano? Ás vezes, na vida, é preciso um pouco de coragem, de heroísmo. Desconfio que a torcida compreenderia e abraçaria o time, na libertadores, com a base jogando, com raça, com entrega total, com amor em vermelho e preto. É romantismo? É amadorismo? É sim, é tudo isso e um pouco de irresponsabilidade. Que a competência se restrinja à administração do Clube, que a aventura impere nas quatro linhas. Isso aqui deveria ser Flamengo. Ou não?

    Responder
    • Wagner Stadler disse:
      29/01/2018 às 02:01

      Arthur e sua vontade de ser Nelson Rodrigues, só lhe falta uma coisa, inteligência!!!!

      Responder

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