João Luis Jr.: “Se o Flamengo fosse o Super Mario, o Campeonato Carioca seria uma fase de bônus”

Não foi exatamente o teste mais complicado do mundo. Como ficou claro durante quase todas as partidas do Flamengo no campeonato estadual desse ano, a situação da equipe rubro-negra diante dos rivais, sejam grandes ou pequenos, vem sendo mais ou menos a mesma de um homem adulto jogando FIFA contra seu primo pequeno, com a diferença de que nenhuma das equipes rivais tentou ainda justificar sua derrota alegando que o joystick estava quebrado ou chamou a própria mãe na sala pra brigar conosco. Mas ainda assim a vitória de 4×0 diante do Madureira, a última partida do time titular antes da primeira partida realmente importante do ano, a estreia na Libertadores contra o River Plate, permite algumas observações interessantes.

Primeiro é a evolução do time dentro do novo esquema 4-1-4-1 de Carpegiani, um esquema que privilegia o talento dos meias, dá espaço para jogadores em ascensão como Paquetá e finalmente tira o Flamengo do famigerado 4-3-3 que começou como solução com Zé Ricardo mas rapidamente se tornou tão previsível que os sites de apostas nem aceitavam mais que você colocasse dinheiro em jogos do nosso time. Aumentamos a criatividade no meio de campo e o volume de jogadas ofensivas? Claro. Mas o esquema segue sem testes contra equipes de qualidade e mesmo contra times mais fracos ficou claro que em dados momentos o único volante fica bastante exposto, principalmente nos contra-ataques, o que contra um equipe mais eficiente pode se tornar fatal.

Depois é a questão dos laterais, que continuam sendo um dos pontos fracos da equipe nesse começo de temporada. Se na direita temos Pará, que é nulo ofensivamente mas defende mais ou menos e Rodinei, que participa mais no ataque porém falha na defesa, na esquerda vivemos basicamente o mesmo dilema com Renê e Trauco, onde um até sabe fazer a cobertura mas só conheceu a linha de fundo através de um documentário da Netflix e o outro é capaz de bons cruzamentos mas consegue ser driblado nos treinos até mesmo pelo lateral Maurinho, que não frequenta os treinos pois já abandonou o futebol e estava trabalhando como auxiliar técnico no Bragantino. Diante das declarações de Rodrigo Caetano de que esses são os atletas da posição para a temporada, só resta torcer para que no atual esquema, que exige menos deles, os laterais não comprometam tanto quanto na temporada passada.

E ainda que exista sim espaço para algumas discussões sobre a escalação de Carpegiani – Vinícius Jr não merece ser titular? Ronaldo não seria uma opção melhor do que Jonas? – a sensação que temos é a de que o Flamengo que enfrentará o River Plate na quarta que vem será o melhor possível dentro do elenco que temos e da escolha tática que o treinador fez. Isso será o bastante pra vencer a tradicional equipe argentina dentro de um Engenhão provavelmente vazio? É complicado saber, já que por enquanto não tivemos nenhuma partida que pudesse ser um termômetro real da qualidade desse time mas sim uma série de jogos-treino com variados níveis de indigência técnica. O que nos resta agora é torcer pra que quando o ano finalmente começar o time consiga vencer com a mesma facilidade com que venceu durante essa longa pré-temporada que vem sendo o Carioca.

Reprodução: ESPN/Blog Isso Aqui é Flamengo

7 Comentários
  • É naturalmente e totalmente injusta a maneira que o Flamengo é tratado. Jogadores e ex-jogadores do Vasco nos fazem coisas muito piores que a simples brincadeira do chororô que o Vinícuis Júnior fez, e não se tem nenhuma repercussão negativa referente a isso, pelo contrário, fazem é aprovar, achar muitíssimo engraçado, já quanto ao Vinícius Júnior, quiseram foi condenar o garoto por conta de uma simples brincadeira. É muitíssimo injusto tudo isso, e ainda dizem que a mídia nos favorece.

  • Não sei de onde taxam o Zé Ricardo do criador do 4-3-3 no Flamengo.
    O Dorival Jr. trouxe essa merda e assim ficou com todos os outros técnicos.
    Se eu estiver errado, me digam quem foi que jogou diferente disso?

  • O X da questão vem do privilégio que estamos dando aos jogadores técnicos ao invés de uma trinca ou dupla de brucutus no meio-campo ou fazer jogadores como Everton Ribeiro e Diego se desdobrarem na contenção dos flancos até a linha defensiva.
    Percebam que estes dois jogadores técnicos mencionados estão mais próximos da área do adversário e constantemente incomodando e chutando a gol. Quem lembra deles arrematando ou participando ofensivamente das jogadas com maior volume?
    Eu não lembro ao longo de todo 2017 seja com o Ze como Rueda.
    Passamos assim o problema pro time adversário, vem pra cima ou preenche o meio e segura os laterais para conter este quinteto ofensivo do Flamengo?
    Um outro ponto interessante é a participação do Rene, este parece ter limitações ofensivas mas defende muito e tem um pulmão invejável. Questionado ele é, mas este sua predileção defensiva e vigor pulmonar dão sustento ao setor defensivo do time. Trauco pode entrar pelo quesito técnico mas deve ser bem treinado e sincronizado com Everton e Jonas. Percebam que o próprio Everton não fica limitado a cobrir o lateral e joga mais solto e em alguns momentos fez a dupla de meias com Diego, liberando os flancos para Vinicius Junior e Paqueta.
    Temos o Rodinei que fez duas ótimas partidas recentes e tem hoje muito mais capacidade física que o Para.
    Enfim, este time está muito bom e com variações táticas e flutuações muito boas. Prova de fogo teremos contra o River.
    Jonas está muito bem, tem força física, sabe marcar muito e ainda tem técnica para sair jogando. Surpresa para mim este ano.

  • Acho injusto desconfiar do Jonas. O cara jogou um bolão contra o Madureira e até agora não comprometeu. Jogador ganha a posição em campo. Ronaldo, até agora, foi bem mais ou menos. Rômulo, tudo indica, pode devolver, não disse a que veio. Jonas é o cara. Deixa ele ali. E se o Cuellar bobear, o Scheizenteiger do Sertão assume. PS-Não tenho a menor ideia como se escreve esse nome. 🙂

  • O cara chegou e mudou para o sistema mais usado atualmente pelo chamados “técnicos modernos”, nos tirou da mesmice e nos livrou daquela bosta de 4-3-3 que era usado antes do Zagalo se tornar titular na ´década de 50 da Seleção e foi trazido pra nós pelo Dorival e a gente ainda reclama, desconfia fica com um pé atras. Ele está tentando dar uma cara ao nosso time definir um padrão e nos últimos jogos escalou o mais próximo que tínhamos do melhor que tínhamos, e se estiver errado ele vai ter humildade suficiente para mudar pois não é o Zé Ruela que só queria morrer abraçado com Márcio Araújo. Deixa o homem trabalhar e vamos ver daqui a um tempo os resultados.

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