Matheus Brum: “O que dá pra tirar de positivo deste empate horroroso?”

FOTO: ALEXANDRE VIDAL / FLAMENGO

Muito pouco, quase nada. A resposta, companheiros e companheiras do Coluna do Fla, é curta e grossa, assim como  a minha (e de grande parte da torcida rubro-negra) paciência com o trabalho do técnico Abel Braga. Em um ponto, pelo menos, ele acertou: poupou os principais jogadores para o confronto da próxima quarta-feira (08), diante do Peñarol, que vale vaga pro mata-mata da Libertadores.

O empate, em si, foi um ótimo resultado, devido às circunstâncias da partida. Abel armou o Flamengo num 4-1-4-1, deixando Piris e Hugo Moura revezando à frente da zaga. Ronaldo fazia a saída de bola, buscando Diego e Berrío, cada um aberto em uma das extremidades do campo.

Como haviam poucos jogadores com capacidade técnica de trabalhar a bola, basicamente nosso padrão de jogo foi recuar e explorar os contra-ataques. No primeiro tempo deu certo, mas no segundo não. Olhando as estatísticas pós-jogo, fica ainda mais gritante a discrepância entre os times.

  • Posse de bola: São Paulo (62,3%) x (37,7%) Flamengo;
  • Finalizações: São Paulo (21) x (6) Flamengo;
  • Passes: São Paulo (433) x (219) Flamengo;
  • Cartões Amarelos: São Paulo (1) x (7) Flamengo;

O mapa de calor das duas equipes mostra como que ficamos a maior parte do tempo no campo de defensa, tentando administrar o resultado. Na segunda etapa, apelamos pra cera, com diversos jogadores caindo, recebendo atendimento médico, numa tentativa de esfriar o ímpeto do São Paulo.

Pela esquerda (São Paulo) vemos que a bola ficou bem mais no campo de ataque, explorando nosso lado mais frágil, o direito. Já o Flamengo (direita) atacou pouco, mais pela esquerda, posição onde estava Diego. (Reprodução: Footstats)

A derrota não veio porque o adversário é tão inconstante como nós. Cuca está começando o trabalho e os vários jogadores de qualidade não deram liga. Tanto que amargam resultados pífios na temporada.

Pois bem, tudo de ruim já foi dito. Só que se analisarmos bem (e tivermos um pouco de otimismo), podemos tirar pontos positivos. Primeiro, queria destacar a atuação de Diego. O camisa 10 fez um ótimo primeiro tempo, numa posição que não é a dele. Muitas vezes o criticamos por partidas abaixo da média, mas é preciso destacar a determinação que tem com o Manto Sagrado. Onde é escalado, tenta fazer o melhor.

O retorno de Berrío foi bom. Pena que o colombiano está numa “onda de azar”. Se machucou de novo e teve que ser substituído. Estando bem, vai ser uma ótima peça pra usar no decorrer da temporada. Um ataque com ele e Bruno Henrique pode render bons frutos.

Gostei dos zagueiros. A dupla de Matheus, Thuler e Dantas, foi segura, não dando brechas pra equipe tricolor. Tanto que a maioria das finalizações veio de fora da área sem dar sustos pra César. Bom saber que nossos garotos podem ajudar em jogos difíceis.

Até agora, no Brasileirão, começamos relativamente bem. Os teóricos afirmam que é necessário vencer em casa e empatar alguns jogos fora. Vencemos o Cruzeiro em casa, perdemos pro Inter fora e empatamos com o São Paulo, também fora.

Pra partida de quarta-feira, infelizmente, estas avaliações não têm grande impacto. Haja vista que apenas Diego pode ser escalado como titular. De qualquer maneira, o clima de apreensão continua. São cinco meses em que o Flamengo não consegue se postar como uma equipe. Joga como um bando, sem nenhum tipo de padrão de jogo, jogada ensaiada, triangulação, infiltração, etc.

O que nos resta é torcer e rezar, muito, pra que os Deuses do futebol nos abençoem. Ah, e claro, que algum(uns) atleta(s) esteja(m) em noite inspirada. Até porque, nossas vitórias têm acontecido por causa da individualidade e não da coletividade.

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @MatheusTBrum

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