Tulio Rodrigues: “Os ídolos do Flamengo, Rafinhas, Leandros e Marís”

Eu considero a definição de ídolo em qualquer seguimento como algo muito pessoal e particular. No Flamengo, isso não é diferente, mas há exceções à regra. Zico, Junior, Leandro, Andrade… São unanimidades, mas há os que não são. Durante os anos 2000, o meia Renato Abreu era ídolo de muitos. Léo Moura a mesma coisa. É um debate que levanta grandes discussões. Renato fez gols importantes, conquistou títulos, mas também roeu muito osso no clube. Época de vacas magras. O mesmo vale para o ex-lateral do Fla. Muitos guardam em sua lembrança afetiva um gol, uma jogada, um encontro, uma foto, uma ação de solidariedade… E isso marca o torcedor.

Na minha avaliação, um ídolo de verdade transcende o campo. Além do jogador ser muito bom naquilo que faz, ele é uma ótima pessoa, um grande ser humano, é apaixonado pelo Flamengo como o torcedor… Posso trazer alguns exemplos: Ronaldo Angelim e Hernane Brocador. Dois grandes operários no campo, mas dois personagens marcantes. O primeiro por além de ter feito o gol do Hexa, ser um rubro-negro apaixonado e o segundo, por ganhar um título importante e fazer história num momento de reconstrução. Fora o carisma e identificação. Coisas que vão além do campo.

Zico, Andrade, Junior, Nunes, Adílio…. Todos esses craques do passado e multicampeões, deixaram o Flamengo em algum momento da carreira. O Galinho foi pra Itália em 83. Sua venda acarretou até em impeachment de um presidente, mas ele nunca iludiu a torcida com clichês: “Eu assinaria um contrato vitalício com o Flamengo“, “Se eu tivesse pensado no dinheiro, ficava na Europa“… Frases de Cuéllar e Rafinha. O primeiro, não ganhou nada pelo Fla, mas tinha o carinho da Nação. Saiu forçando uma transferência e criando vários problemas internos. O segundo, só comunicou um dia antes que voltaria pra Europa. O Fla não tem lateral e a janela internacional está fechada. O camisa 13 vai para um campeonato menor e sem relevância por dinheiro.

Não há problema no jogador ou técnico ganhar o seu dinheiro e sair do clube. O Renato Gaúcho, que muitos tem bronca por causa de sua passagem no Fluminense, é considerado ídolo por muitos, inclusive por mim. Pablo Marí ficou seis meses no Flamengo, deixou o clube rumo ao Arsenal, mas nunca falou frases de efeito para agradar a torcida. Veio aqui, jogou, ganhou título e foi para um mercado que para ele é melhor. Foi ganhar mais e só deixou saudades. Normal. Faz parte do jogo e quando há honestidade, a torcida compreende.

O argumento de muitos é que estou sendo inocente, pensando como torcedor… Claro que sempre penso como torcedor, o coração fala, mas não sou ingênuo a ponto de pensar que o Gabigol ficará aqui a vida inteira. Ele sempre deixou claro que seu objetivo é voltar pra Europa e esse dia vai chegar. Compreensível. A questão de um profissional falar um coisa e agir completamente diferente, diz mais sobre o seu caráter do que se imagina. A história escrita e os troféus conquistados não se apagam! Jamais! A gratidão também, mas essa relação é uma via de mão dupla. O Flamengo paga, eles jogam, ganham e nós fazemos nossa parte do outro lado.

O jogador sempre vai pensar nele. Poucos serão como Leandro, que assinou um contrato em branco com o Mais Querido. Agora, comparem como foi a saída do Pablo Marí com as saídas de Cuéllar, Rafinha e Jorge Jesus. Por que em nenhum momento o zagueiro espanhol foi questionado sobre sua postura ao deixar o Fla?

Quem ama o Flamengo é realmente o torcedor! Há jogadores que simplesmente jogam, não deixam saudades, ganham, conquistam os títulos, mas poucos, muitos poucos são os que encarnam não só esse sentimento rubro-negro, como o respeito pela instituição que temos. Rafinha passou o final de semana ensaiando o seu discurso e sua assessoria preparando um texto bem emocionante com frases de efeito para ser postado no Instagram. De repente ele até chora! De fato, não importa por qual porta ele sai, mas quem sempre esta nela esperando quem chega, permanece e respeita! Ídolo tem postura! Ídolo tem caráter! Ídolo tem respeito pelo clube e pela sua alma, o torcedor!

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  • Penso como o Marcos. Sim, perdemos a capacidade de olhar pro outro, de se colocar no seu lugar. Acredito que os nomes citados se tivessem, no passado, uma proposta dessa relevância, teriam saído sim, mesmo sendo torcedor do Fla.

  • O “time” na saida do JJ e do Rafinha diz muito sobre caráter e dinheiro. Isto os difere da saida do Pablo Marí, para pior.

    JJ com todo aquele “amor” até agora não deu um pio para nós…

    Por essas e outras que ídolo é por exemplo:

    Adriano Imperador, simples.

    Obina, com todo o folclore que possa circundar, mas na era do osso estava ali.

    Os lembrados no artigo também.

    Vivi a era Zico, 55 anos.

  • O “time” na saida do JJ e do Rafinha diz muito sobre caráter e dinheiro.

    JJ com todo aquele “amor” até agora não deu um pio para nós…

    Por essas e outras que ídolo é por exemplo:

    Adriano Imperador, simples.

    Obina, com todo o folclore que possa circundar, mas na era do osso estava ali.

    Os lembrados no artigo também.

    Vivi a era Zico, 55 anos.

  • BOA TARDE A TODOS, CONCORDO COM O TEXTO E AFIRMO QUE RAFINHA TEM O DIREITO DE FAZER OQ QUISER, SÓ ACHO UMA SACANAGEM ELE SAIR DEPOIS DO FECHAMENTO DA JANELA DE TRANSFERÊNCIAS E APENAS POR DINHEIRO. DA PRA VER QUEM É O RAFINHA AGORA, VEIO DIZENDO QUE NÃO ERA POR DINHEIRO, E VIMOS AGORA QUEM É ESSE JOGADOR. FUI UM DOS QUE CRITICOU O EDMUNDO QUANDO ELE DISSE QUE O RAFINHA ERA O MESMO NÍVEL NO PARÁ , ELE MENTIU, O NÍVEL DELE É MUITO PIOR, ELE NÃO TEM É CARÁTER, O PARÁ HONROU NOSSO FLAMENGO, MESMO COM TODA LIMITAÇÃO. ESSE CARA CONSEGUIU SER TITULAR DE UM TIME GRANDE NO FINAL DE SUA CARREIRA E FAZ ISSO COM O FLAMENGO. NÃO VENHA COM DISCURSO SENTIMENTALISTAS , ACHANDO QUE VAMOS ACEITAR, VC FEZ HISTÓRIA RAFINHA! COMO UMA MANCHA NEGRA A SER RASGADA.

  • Colocação perfeita.

  • Esse texto é uma porrada;representa tudo que eu penso , tem muitos torcedores que ainda idolatram e mandam mensaginhas de obrigado rafinha e bla bla bla

  • Jesus até agora não falou nada pro torcedor. Pior, o landim disse que ele saiu para ganhar muito mais e com a perspectiva de se aposentar em 5 anos no Benfica, clube q possui maior identificação na carreira. Pois bem, Jesus, em sua apresentação, disse que vai ganhar menos que no Flamengo e que não foi pra lá pra se aposentar, mas sim pq acredita no projeto e aquelas coisas. Sem falou q convenceu jogadores a ficar para disputar mundial novamente etc. Demonstrou falta de caráter, na minha opinião.
    Acho muito pior q o Rafinha, afinal ele era o comandante.

  • Concordo plenamente com vc
    Total mente

  • Rafinha não é ídolo do Flamengo.

  • Bela resenha, com ressalvas… Tenho 55 anos, sou torcedor de verdade, fui à Lima, vou ao Maraca sempre e até comprei duas cativas, em 2018. Pela minha idade, pode-se perceber que vivi o passado da era Zico. E aí é que vem minhas humildes ressalvas. O que aconteceria com os citados do passado se os salários recebidos por eles fossem os de hoje? Não creio que Rafinha, Cuellar ou outros menos citados tenham cometido sacrilégios, nem com o manto, nem com a torcida. Por meu tempo de vida, tendo visto tudo o que até agora vi, creio que estamos, definitivamente, perdendo a capacidade de olhar o outro lado… O que não desmerece, em hipótese alguma, a resenha… Lado muito bem descrito.