Flamengo adia pagamento de comissões, gera reação de empresários e caso chega à CBF
A decisão do Flamengo de reprogramar o pagamento de comissões a empresários provocou forte repercussão no mercado do futebol. A medida fez com que a Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) recorresse à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), defendendo que os agentes também sejam contemplados pelo Sistema de Sustentabilidade Financeira, conhecido como fair play financeiro, criado pela entidade nesta temporada.
O episódio ganhou ainda mais destaque porque envolve o clube que, historicamente, é apontado como um dos mais sólidos financeiramente do país. Apesar da repercussão, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, foi direto ao comentar o assunto: “Quem não está satisfeito, não faz negócio com o Flamengo”.
POR QUE A ABAF LEVOU O CASO À CBF, ENTÃO?
A Abaf encaminhou um ofício ao presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), Caio Resende, solicitando que os empresários passem a integrar oficialmente o sistema de fair play financeiro administrado pela CBF.
O documento, assinado pelo presidente da entidade, Jorge Moraes, recebeu o apoio de 41 agentes de futebol. No texto, a associação utiliza a situação envolvendo o Flamengo como exemplo da necessidade de ampliar a proteção aos empresários.
Segundo a Abaf, o caso ganha maior relevância justamente por envolver um clube reconhecido pela estabilidade financeira. Para a entidade, isso demonstra que o problema pode atingir qualquer negociação no futebol brasileiro.
O QUE MUDA SE O PEDIDO DOS EMPRESÁRIOS FOR ACEITO, AFINAL?
Atualmente, empresários que não recebem valores acordados podem recorrer à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, ou buscar a Justiça Comum para cobrar os débitos. Caso a Anresf passe a reconhecer oficialmente os agentes como credores aptos a denunciar inadimplências, a situação muda de patamar. Além da cobrança financeira, clubes que descumprirem obrigações poderão ficar sujeitos a sanções esportivas previstas pelo regulamento do fair play financeiro.
A reivindicação da Abaf, vale destacar, não surgiu agora. A entidade já buscava espaço no novo sistema desde a criação da agência reguladora, mas reforçou o pleito após a decisão administrativa adotada pelo Flamengo.
PORTANTO, QUAL FOI A JUSTIFICATIVA APRESENTADA PELO FLAMENGO?
Nos últimos dias, o departamento responsável por negociações e contratos do Flamengo encaminhou comunicados aos empresários informando uma reorganização no cronograma de pagamentos. Nas mensagens, o clube afirma que identificou a necessidade de renegociar e reprogramar parte das comissões previstas até o fim de 2026. Tradicionalmente, o Rubro-Negro trabalha com o pagamento de 7% sobre o valor das negociações realizadas.
Em outro comunicado enviado aos representantes, o Flamengo informou que as comissões ainda pendentes em 2026 serão transferidas para 2027. Entretanto, o clube não apresentou um novo calendário para a quitação desses valores, o que aumentou a preocupação entre os agentes envolvidos nas operações.
O QUE DISSE BAP SOBRE O ASSUNTO, PORTANTO?
– É possível (renegociação) porque em alguns casos a gente entende que as condições não eram necessariamente adequadas. A vantagem é o seguinte: como o Flamengo paga, tem credibilidade na praça. Pergunta para esse empresário se ele está recebendo de todo mundo em dia? Ou se ele está recebendo? Ele sabe que não —, disse Bap, em entrevista recente ao jornalista Venê Casagrande.
— Quem não está satisfeito, não faz negócio com o Flamengo. Pode fazer negócio com os outros clubes, não tem problema. Agora, alguns contratos, alguns negócios que foram feitos com o Flamengo, algumas condições que o Flamengo aceitou contratualmente e não nos parecem razoáveis, nós temos, sim, buscado renegociar. Faz parte, é do jogo –, acrescentou.
