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A Justiça Federal de São Paulo acatou recurso do Flamengo e barrou, em caráter liminar, a entrega da Taça das Bolinhas ao São Paulo. A decisão suspende a manobra que pretendia encerrar a briga jurídica pelo troféu, que se arrasta desde 2007 e envolve a polêmica sobre o título brasileiro de 1987. Abaixo, o Coluna do Fla explica a origem da taça e os motivos do impasse que trava o destino do prêmio.
A Taça das Bolinhas é um troféu criado em 1975 para premiar o primeiro clube que alcançasse três títulos brasileiros consecutivos ou cinco alternados. O nome popular surgiu pelo design da base, decorada com pequenas esferas.
No entanto, mais do que isso, o objeto acabou se tornando o maior símbolo de uma disputa que atravessa décadas no futebol nacional.
A honraria nasceu de uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e a antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), entidade que regia o futebol à época, antes da fundação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O objetivo era valorizar as conquistas nacionais e premiar a hegemonia das equipes que dominassem o campeonato ao longo das décadas.
O Flamengo alcançou o quinto título brasileiro em 1992, sendo a conquista da Copa União de 1987 um dos marcos fundamentais que levaram o clube a atingir esse patamar de pentacampeão. Contudo, a entrega da taça não aconteceu na época devido a manobras políticas e divergências nos bastidores.
A postura do São Paulo em pleitear o troféu é vista por muitos como contraditória, visto que o clube paulista foi um dos líderes da realização da Copa União, torneio que ajudou o Flamengo a se consagrar como o primeiro penta do país. Em vez de considerar esse contexto, a CBF optou, anos mais tarde, por chancelar o Sport como campeão de 1987.
Com base nessa interpretação, a entidade indicou o São Paulo como detentor do prêmio ao atingir a marca de cinco títulos, em 2007, ignorando a conquista rubro-negra. Entretanto, esse cenário ganhou novos contornos recentemente, com o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) defendendo, junto ao STF, que o Flamengo seja reconhecido como campeão ao lado do Sport.
A entrega da taça ao São Paulo, em 2011, gerou revolta imediata. Isso porque, o Flamengo tratou o episódio como uma decisão política da CBF.
Após várias liminares, o clube paulista devolveu o prêmio à Caixa Econômica Federal. Desde 2019, existe uma ordem para que a Caixa entregue o objeto à CBF, mas, como não há prazo definido, a taça segue sem destino e longe de qualquer sala de troféus.
A vitória do Flamengo na Justiça Federal, confirmada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, barra a entrega definitiva ao São Paulo. O Rubro-Negro argumenta que a transferência causaria dano irreparável antes do julgamento final do processo.
Além disso, o departamento jurídico contesta sentenças que restringiram a produção de provas, exigindo o respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Em suma, enquanto o litígio prossegue, a Taça das Bolinhas permanece guardada, sem dono oficial.
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