Presidente rubro-negro Bap prevê gastos com advogados no lugar de reforços e avisa que novos patrocínios pagarão bem menos que os atuais
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, admitiu que o clube não tem condições, hoje, de honrar compromissos assumidos em contratos legais. O dirigente culpa a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as casas de apostas no Brasil.
As declarações fazem parte da entrevista ao ‘Mengo Cast’, divulgada nesta segunda-feira (28) na ‘FlamengoTV’. Na conversa, Bap também previu uma troca de prioridades no Rubro-Negro. Segundo o cartola, o dinheiro que iria para reforços deve pagar advogados.
Além disso, o presidente reconheceu que o clube já procura novos patrocinadores. Entretanto, alertou que os valores ficarão muito abaixo dos pagos pelas empresas de apostas. Por fim, Bap pediu que o Supremo Tribunal Federal ou o Congresso Nacional derrube a medida.
— Nós vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados. Nós não temos condições, hoje, de honrar os compromissos que nós assumimos baseados em contratos legais. Eu não tenho condição. Vamos buscar alternativas, novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais.
— Espero sinceramente que, a partir da semana que vem, isso seja revisitado, ou pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Congresso Nacional, que têm todas as ferramentas e as possibilidades de rejeitar essa Medida Provisória.
STF ainda não decidiu sobre pedidos contra a MP das bets
O apelo de Bap chega enquanto a disputa jurídica ganha corpo. Na segunda-feira (28), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o ministro Luiz Fux. As entidades pedem a suspensão imediata da MP.
O futebol também entrou na briga. O Sinafut pediu ao STF a suspensão da MP das bets e quer atuar como amigo da corte. Como alternativa, o sindicato defende uma transição que preserve os contratos até 31 de dezembro de 2026.
Até a manhã desta terça-feira (29), porém, Fux não havia decidido sobre os pedidos. Assim, as regras da medida continuam valendo. Os apostadores podem sacar os saldos até as 23h59 de 05 de outubro. A partir do dia seguinte, as plataformas ficam proibidas de oferecer apostas e publicidade.
No Congresso, o caminho é outro. A MP entrou em vigor imediatamente, mas depende da aprovação de deputados e senadores. O texto vale por 60 dias, prorrogáveis por mais 60. Se os parlamentares não votarem nesse prazo, a medida perde a validade.
Flamengo já recebe propostas menores pelo espaço máster
A previsão de patrocínios mais baratos tem base concreta. Atualmente, a Betano paga cerca de R$ 268 milhões por temporada ao Flamengo, em contrato até o fim de 2028. Contudo, a empresa sinalizou ao clube, de maneira informal, o risco de encerrar o acordo.
Segundo avaliação interna, os patrocínios ligados às apostas representam até 20% da receita prevista pelo clube. A Betano responde por 15%, enquanto a Brax soma os outros 5%. Por isso, Bap estima um prejuízo acima de R$ 400 milhões.
O mercado já começou a se mexer. No domingo (27), a Fatal Model enviou proposta de mais de R$ 100 milhões para estampar a marca na camisa por um ano. A oferta, portanto, equivale a menos da metade do valor anual da Betano. Paralelamente, a diretoria avalia a Lubrax como possível substituta.
Paquetá e folha salarial entram na conta
Na mesma entrevista, Bap citou exemplos práticos do impacto. O presidente questionou como o clube vai pagar Lucas Paquetá em janeiro. O Flamengo contratou o meia junto ao West Ham (ING) com pagamento parcelado.
Além disso, o dirigente afirmou que a medida atinge a folha do futebol, os esportes olímpicos e os campeonatos regionais. Bap ainda criticou o momento da decisão, tomada a poucos dias do primeiro turno das eleições.
Mesmo diante da crise, Bap rejeitou ajuda do Governo para pagar dívidas. Enquanto isso, o BNDES descartou, por ora, uma linha de crédito para socorrer os clubes afetados. Dessa forma, o Flamengo concentra as esperanças numa decisão judicial ou numa derrota da MP no Congresso.
