Dirigente afastou risco de atrasos salariais e detalhou reuniões emergenciais com a presidência do Flamengo após proibição das bets
O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, voltou a comentar nesta quinta-feira (01) os impactos da medida provisória do governo que proíbe as bets no Brasil. Em resposta ao repórter Rock Hudson, do Coluna do Fla, o dirigente esclareceu que, a princípio, a medida não afetará a renovação de contrato dos atuais jogadores do elenco. Por outro lado, o cartola admitiu que a perda de patrocínios pode obrigar o clube a negociar peças e correr o risco de não conseguir repor à altura no mercado.
— Em princípio não (vai impactar na renovação de algum jogador), em princípio não, na renovação não. Até vai fazer com que a gente cuide mais do que já temos. Como não podemos ir comprar, se calhar — porque para comprarmos precisamos de dinheiro, e é uma coisa que não temos neste momento, não temos esse patrocínio, no pior cenário, estamos falando no pior cenário —, o pior cenário, se calhar, passa por termos que vender um jogador, ou dois ou três jogadores, e não conseguirmos repor com a mesma qualidade -, esclareceu.
Cabe lembrar que o Flamengo está em tratativas para renovar contratos de jogadores como Danilo, Pedro e Léo Pereira. Recentemente, o clube assegurou as permanências de Erick Pulgar, Bruno Henrique e Alex Sandro.
IMPACTO DA PROIBIÇÃO DAS BETS
Nos bastidores, a diretoria rubro-negra estima um rombo financeiro de R$ 430 milhões provocado pela proibição das bets. Diante do impacto, José Boto destacou a articulação constante com a presidência para contornar o problema e garantiu que a situação não afetará a folha de pagamento do clube.
— Eu falei ali há pouco e expliquei um pouco o impacto que isso pode ter e que nós estamos trabalhando. Estou trabalhando com o presidente desde a semana passada. Eu estava em Portugal e nós tínhamos reuniões por telefone. Ontem o presidente passou quatro horas aqui no Ninho trabalhando sobre essas questões -, iniciou o dirigente.
— Essas questões não vão impactar nunca nos salários dos jogadores, não vão. Portanto, eu garanto a vocês que o Flamengo não vai atrasar um salário, não vai deixar de pagar aos funcionários e aos seus jogadores, como é óbvio que são funcionários do clube. Portanto, isso não tem esse impacto -, disse.
BOTO ESCLATECE DECLARAÇÃO DE BAP
Uma declaração recente de Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, gerou forte repercussão nos bastidores. Ao listar os prejuízos que o clube sofrerá com a decisão do governo de proibir as casas de apostas, Bap citou a contratação de Lucas Paquetá e colocou em dúvida a forma como o Rubro-Negro quitará a operação, que custou mais de R$ 315 milhões entre transferência, luvas e intermediação.
Diante da repercussão, o diretor de futebol José Boto tratou de esclarecer a real intenção por trás do questionamento do mandatário. O dirigente explicou que a preocupação não se resume exclusivamente ao meia, mas sim ao impacto que a perda da receita gerará nos compromissos legais firmados pelo clube.
— Quando o presidente diz “como é que eu vou pagar o Paquetá?”, não é o Paquetá, são os acordos firmados, que foram firmados tendo em consideração que tínhamos contratos assinados, contratos legais assinados. Isto é como na casa de vocês: vocês contam com o dinheiro dos salários de vocês; se de repente deixam de pagar o salário, vocês não vão poder pagar a casa de vocês, não vão poder pagar o carro de vocês -, iniciou.
— E é isso que se passa aqui. Nós assumimos compromissos, temos compromissos em janeiro, compromissos importantes, e a questão é como é que vamos fazer frente a esses compromissos, o que é que isso impacta no planejamento da temporada de 2027, que nós estamos trabalhando e trabalhando sempre pelo pior cenário. No pior cenário, nunca há de deixarmos de pagar salários aos jogadores, atrasar os salários, atrasar as imagens aos jogadores e aos funcionários todos do clube -, disse José Boto.
