Entidade avalia que sairia enfraquecida se o tribunal se sobrepuser às regras da Libertadores; julgamento do mérito está marcado para 12 de novembro
A Conmebol está muito irritada com o desfecho do caso Marcos Rojo, segundo apuração do jornalista Rock Hudson, do Coluna do Fla. Além disso, a entidade já articula um movimento para que o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) não se sobreponha ao regulamento da Libertadores.
Nos bastidores, a confederação enxerga um risco institucional no episódio. De acordo com Rock Hudson, a leitura interna é direta: “A entidade sairia muito enfraquecida, por mais que o TAS seja superior“.
O zagueiro do Estudiantes (ARG) enfrentou o Flamengo amparado por uma medida cautelar do TAS. Antes disso, porém, a própria Conmebol havia rejeitado a inscrição do defensor na competição.
O episódio ganhou peso depois da eliminação rubro-negra. Na quinta-feira (22), as equipes empataram sem gols no Maracanã, e o Estudiantes avançou nos pênaltis, por 3 a 2. Na ida, em La Plata, o placar também terminou em 0 a 0.
Por que a irritação da Conmebol importa para o Flamengo
O Flamengo protocolou na sexta-feira (23) uma reclamação formal contra a escalação de Rojo. O clube pede a aplicação do artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol. A regra prevê derrota por 3 a 0 em casos de escalação irregular.
A tese rubro-negra se apoia justamente no conflito entre o regulamento e a liminar. Para a diretoria, a autorização do TAS tinha caráter provisório e não eliminou a infração às regras da competição. Além disso, o clube entende que a decisão do tribunal deixou com o Estudiantes o risco de escalar o jogador.
Dessa forma, a postura da Conmebol toca no centro da discussão. Ainda assim, a irritação da entidade não garante, por si só, uma decisão favorável ao Flamengo. Os órgãos disciplinares ainda vão analisar o pedido, e ninguém conhece o resultado.
Como o caso Rojo chegou ao TAS
O Estudiantes contratou Rojo para ocupar a vaga do uruguaio Gabriel Neves, afastado por lesão. Entretanto, a Conmebol negou a inscrição em 15 de outubro, horas antes do jogo de ida. Para a entidade, a situação de Neves não atendia aos critérios de substituição na lista de inscritos.
De acordo com a imprensa argentina, a confederação consultou a Fifa antes de vetar o defensor. A resposta indicou que o caso não se enquadrava como exceção para inscrições fora do período permitido.
O clube argentino reagiu no mesmo dia. Em comunicado, acusou a Conmebol de adotar critérios diferentes em casos recentes e anunciou recurso ao TAS. Depois, na quarta-feira (21), véspera do jogo de volta, o tribunal concedeu a medida cautelar. A decisão determinou a inclusão de Rojo na lista, e o zagueiro começou como titular no Maracanã.
Julgamento no TAS acontece antes da final
O TAS ainda não julgou o mérito da inscrição. Como o Coluna do Fla mostrou, o tribunal marcou o julgamento do caso Rojo para 12 de novembro. A data fica 16 dias antes da final, prevista para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Enquanto isso, o processo disciplinar segue na Conmebol. O Estudiantes tem até segunda-feira (26), às 18h, para apresentar a defesa. Até uma decisão, o time argentino mantém a vaga na final contra o Palmeiras.
O Flamengo também cita o caso Carlos Sánchez como precedente. Em 2018, a Conmebol declarou o Santos derrotado por 3 a 0 após o meia atuar contra o Independiente (ARG) com suspensão pendente. Os episódios, porém, têm origens diferentes, já que Rojo atuou com autorização provisória do tribunal.
Por fim, a diretoria rubro-negra avalia enviar uma comitiva à Suíça para acompanhar o julgamento. A sede do TAS fica em Lausanne, e a decisão pode influenciar também o desfecho da reclamação apresentada à Conmebol.
