Conselho de Administração se reúne na quarta (28) para ajustar as contas, e previsão de R$ 1,8 bilhão em receitas fica fora de alcance
O Conselho de Administração do Flamengo vai se reunir na próxima quarta-feira (28) para discutir um ajuste no orçamento de 2026. A pauta surgiu depois da eliminação para o Estudiantes (ARG), na semifinal da Libertadores, na última quinta-feira (22).
De acordo com a projeção do clube, a queda representa quase R$ 300 milhões em receitas que deixarão de entrar no caixa. A conta reúne arrecadação em dias de jogos, venda de ingressos e premiações. Dessa forma, o Flamengo não atingirá a previsão de cerca de R$ 1,8 bilhão em arrecadação na temporada.
A revisão expõe um contraste no ano rubro-negro. Afinal, o clube cumpriu a meta de chegar ao menos à semifinal da Libertadores. Em outras frentes, porém, o desempenho ficou abaixo do esperado, como na Copa do Brasil, em que o time caiu antes das oitavas de final.
O que pesa na conta da eliminação
No Maracanã, o jogo de volta terminou empatado sem gols, assim como a ida, em La Plata. Nos pênaltis, o Estudiantes venceu por 3 a 2. Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique.
A própria semifinal mostrou o tamanho do faturamento em jogo. O duelo bateu o recorde de bilheteria do futebol brasileiro em 2026, com R$ 13,1 milhões de renda bruta. Além disso, 72.492 torcedores foram ao estádio.
A final única, marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, colocaria ainda mais dinheiro em disputa. Isso porque a Conmebol paga US$ 7 milhões ao vice-campeão e US$ 25 milhões ao campeão. Agora, o Estudiantes enfrentará o Palmeiras na decisão.
Com a queda, o Flamengo encerra a campanha com US$ 7,95 milhões em cotas da Conmebol, cerca de R$ 40 milhões. O valor soma participação, vitórias na fase de grupos e classificações no mata-mata. Ao mesmo tempo, o clube deixou de faturar ao menos R$ 40 milhões apenas com a premiação mínima da final.
Orçamento de R$ 1,8 bilhão já previa cautela
O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, apresentou a previsão de R$ 1,8 bilhão aos sócios em dezembro de 2025. Segundo a ESPN, o orçamento seguiu uma linha conservadora e não incluía premiações por títulos.
Na ocasião, a diretoria repetiu as metas esportivas de 2025: semifinal da Libertadores e, no mínimo, vice-campeonato do Brasileirão. Além disso, estimou R$ 256 milhões em vendas de jogadores ao longo da temporada.
A Copa do Brasil trouxe o primeiro tropeço relevante. Em maio, o Flamengo perdeu para o Vitória por 2 a 0, no Barradão, e caiu na quinta fase. O time havia vencido a ida por 2 a 1, no Maracanã.
Mesmo assim, o clube fechou o primeiro semestre com receita de R$ 839 milhões. O número representou alta de 9,5% sobre o mesmo período de 2025, ano em que o Mundial de Clubes reforçou o caixa.
Outra frente também pressiona as finanças. A medida provisória que proibiu o patrocínio de casas de apostas atingiu o espaço master da camisa, ocupado pela Betano. Em resposta ao veto, o Flamengo chegou a estampar um protesto no lugar da marca.
Caso Rojo e Brasileirão seguem no radar
Apesar da eliminação, o Flamengo mantém uma contestação contra a participação de Marcos Rojo, do Estudiantes, na semifinal. A Corte Arbitral do Esporte (CAS) marcou o julgamento do caso para 12 de novembro.
Enquanto isso, o Brasileirão virou a última chance de título na temporada. Neste sábado (24), o Palmeiras venceu o Bragantino e assumiu provisoriamente a liderança, com 69 pontos. O Flamengo soma 67 e tem um jogo a menos.
Na segunda-feira (26), o Rubro-Negro recebe o Atlético-MG, às 20h, no Maracanã. Depois da reunião do Conselho, o time enfrenta o Vasco na quinta-feira (29), às 20h, no Nilton Santos, pela 33ª rodada.
