Rubro-Negro disputou duas partidas na Argentina em 2026 e voltou sem derrotas, mas precisa melhorar a efetividade ofensiva para buscar a vaga na final da Libertadores
Vou começar pelo resultado: não considero ruim o empate sem gols do Flamengo com o Estudiantes (ARG), em La Plata, pela ida da semifinal da Libertadores. E digo isso sem ignorar a atuação rubro-negra, que ficou muito abaixo do esperado. Afinal, jogar na Argentina é historicamente ‘embaçado’, e quem acompanha futebol sul-americano sabe que uma partida por lá exige muito mais do que qualidade técnica.
Se antes do apito inicial alguém oferecesse o empate para boa parte da torcida do Flamengo, acredito que muita gente assinaria. Não por falta de confiança no potencial do time, mas porque existe uma diferença entre acreditar na superioridade do elenco e ignorar as dificuldades de uma semifinal fora de casa. O Flamengo é o atual campeão da Libertadores e tem um dos elencos mais caros do continente, mas isso não elimina os desafios de uma partida como essa.
O RESULTADO NÃO APAGA OS PROBLEMAS OFENSIVOS
O Flamengo terminou os 90 minutos sem acertar uma finalização no gol defendido pelo goleiro Muslera. É pouco, muito pouco para uma equipe com tantas alternativas ofensivas. O problema, aliás, não começou em La Plata: a falta de efetividade acompanha o Rubro-Negro há algum tempo e voltou a aparecer em um jogo decisivo.
A arbitragem de Juan Gabriel Benítez também merece ser considerada. Em diferentes momentos, contatos físicos interromperam as tentativas rubro-negras, e algumas faltas sequer foram assinaladas. Ainda assim, isso não pode servir como muleta para uma produção ofensiva tão baixa. Um time com a qualidade técnica do Flamengo precisa encontrar soluções mesmo quando o jogo não acontece da maneira desejada.
O ESTUDIANTES NÃO CHEGOU À SEMIFINAL POR ACASO
É possível questionar a qualidade técnica do Estudiantes e reconhecer que o Flamengo tem um elenco superior. O que não dá é para tratar a equipe argentina como se tivesse chegado à semifinal por acaso. O time de Alexander ‘Cacique’ Medina aposta bastante nos cruzamentos, nas bolas aéreas e na intensidade física, mas encontrou maneiras de competir e avançar na Libertadores.
Não é o futebol mais vistoso, tampouco aquele que o torcedor rubro-negro gostaria de ver no próprio time. Entretanto, mata-mata não se decide apenas pela qualidade individual. Organização, intensidade e capacidade de suportar momentos difíceis também contam, e o Estudiantes mostrou isso em La Plata.
Por isso, o empate precisa ser analisado sem extremos. O Flamengo poderia ter produzido mais, mas também precisava evitar um resultado que tornasse a volta ainda mais complicada. Nesse contexto, sair da Argentina sem derrota tem valor, mesmo que a atuação esteja longe de convencer.
SEGUNDO JOGO NA ARGENTINA, SEGUNDA VEZ SEM DERROTA
Existe outro ponto que merece destaque: o Flamengo disputou duas partidas na Argentina em 2026 e voltou sem perder nenhuma delas. É um dado relevante em um cenário historicamente complicado para equipes brasileiras, principalmente quando a disputa envolve a pressão de uma competição como a Libertadores.
O peso da camisa rubro-negra e o investimento feito no elenco aumentam a expectativa, mas não tornam os confrontos fora de casa mais simples. O Flamengo pode e deve jogar mais, porém, também precisa saber atravessar partidas difíceis sem transformar todo resultado que não seja uma vitória em motivo para desespero.
NO MARACANÃ, O CENÁRIO MUDA
A classificação está longe de garantida. O Estudiantes já mostrou que consegue competir fora de casa e eliminou a Univerdidad Católica (CHI) e o Corinthians como visitante. Portanto, não seria prudente imaginar que a equipe argentina sentirá automaticamente o peso de jogar no Maracanã.
Por outro lado, o Flamengo terá o retorno de Jorginho, que cumpriu suspensão na partida de ida. Além disso, contará com o apoio da torcida rubro-negra, que vai lotar mais uma vez o Maracanã e assumir o papel de 12º jogador em uma noite decisiva.
É nesse cenário que o Flamengo precisa apresentar mais futebol. A equipe tem recursos técnicos para encontrar espaços, criar oportunidades e transformar a superioridade do elenco em vantagem no placar. Para isso, precisará circular a bola com mais qualidade, vencer os duelos individuais e finalizar melhor.
O empate em La Plata não me parece um mau resultado, mas também não apaga a insatisfação com o futebol apresentado pelo Flamengo. O resultado foi aceitável; a atuação, não. A vaga na final está em aberto, e o Maracanã oferece o cenário ideal para uma resposta. Agora, cabe ao Rubro-Negro mostrar dentro de campo, na próxima quinta-feira (22), que a confiança depositada no elenco tem sustentação.
