Ex-zagueiro e ex-auxiliar do Flamengo apoia a regra que o clube rejeitou na CBF
Com nome marcado na história do Flamengo, Rodrigo Caio defendeu a redução do número de estrangeiros no futebol brasileiro. Em entrevista à ESPN, que repercutiu nesta quarta-feira (21), o ex-camisa 3 criticou a contratação de jogadores de nível intermediário e deu razão a Renato Gaúcho.
— Os melhores têm que vir. Mas os melhores não vêm para o Brasil, eles vão para a Europa. Aí os clubes trazem jogadores intermediários, mas aqui tem iguais ou melhores. Isso que me incomoda. Eu vi uma entrevista do Renato Gaúcho e entendo perfeitamente ele —, iniciou Rodrigo Caio.
— Como que ele vai passar uma informação? São muitos estrangeiros. E sem tempo para treinar. É muito necessário diminuir a quantidade de estrangeiros. Quem vai ganhar com isso é o nosso futebol, que dará mais oportunidade à base —, acrescentou.
A opinião vai na direção oposta à do Rubro-Negro. Em setembro, o clube votou contra a proposta aprovada pela CBF, ao lado de Bahia e Londrina. Pela nova regra, o limite de estrangeiros relacionados por partida cairá de nove para cinco até 2030.
O que disse Renato Gaúcho sobre os estrangeiros do Grêmio
A entrevista citada por Rodrigo Caio aconteceu no último dia 11. Na ocasião, Grêmio e Internacional empataram por 1 a 1, pela 30ª rodada do Brasileirão. Na coletiva, Renato reclamou da quantidade de estrangeiros no elenco gremista. Além disso, descreveu um vestiário dividido em grupos que falam idiomas diferentes. Segundo o treinador, um reforço de fora pode levar meses até se adaptar aos companheiros.
O técnico também citou o atacante belga Amuzu, que ainda não fala português após cerca de um ano e meio no clube. Por fim, Renato disse que a permissão da CBF não obriga os clubes a trazer estrangeiro “de qualquer jeito”.
Atualmente, o Grêmio tem 11 jogadores nascidos fora do Brasil. Como o zagueiro Kannemann possui nacionalidade brasileira, o clube consegue respeitar o limite atual de nove estrangeiros por jogo. Segundo a ESPN, porém, as declarações do técnico causaram desconforto no vestiário.
Rodrigo Caio trabalhou com Renato em dois clubes. Primeiro, no Flamengo, em 2021. Depois, no Grêmio, em 2024, última equipe que defendeu antes de encerrar a carreira.
Como fica o limite de estrangeiros no Brasileirão
Os clubes das Séries A e B aprovaram a mudança em 21 de setembro, em reunião na CBF. Entre os 40 participantes, apenas Flamengo, Bahia e Londrina votaram contra a redução.
Hoje, cada time pode relacionar até nove estrangeiros por partida. O número cairá de forma gradual: oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco a partir de 2030.
De acordo com a CBF, o objetivo é abrir mais espaço para jogadores brasileiros, sobretudo os mais jovens. Na mesma semana da votação, Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, defendeu publicamente a medida.
No Flamengo, entretanto, a leitura é outra. Em entrevista ao Coluna do Fla, o diretor de futebol José Boto afirmou em setembro que a medida “vai pôr a liga mais fraca”.
O argumento do dirigente parte da mesma premissa usada por Rodrigo Caio. Para Boto, os melhores jogadores continuarão saindo cedo para a Europa. Dessa forma, sem conseguir reter esses talentos, os clubes teriam de jogar com atletas de menor valor. Rodrigo Caio, por sua vez, entende que os estrangeiros que chegam hoje não superam os jogadores formados no país.
Flamengo tem 10 estrangeiros no elenco
O debate atinge diretamente o Rubro-Negro. Segundo levantamento do Coluna do Fla sobre os contratos dos estrangeiros do Flamengo, o clube tem dez atletas de fora do país no elenco profissional.
Os argentinos Rossi e Joaquín Freitas e os uruguaios Arrascaeta, De la Cruz e Varela estão na lista. Completam o grupo o chileno Pulgar, o espanhol Saúl, o colombiano Carrascal e os equatorianos Plata e Valencia.
Portanto, o Flamengo já tem mais estrangeiros do que poderá relacionar a partir de 2027. Ainda assim, a regra limita apenas a lista de cada partida, e não o número de contratos. Além disso, parte do grupo tem vínculo longo. Varela e Rossi têm contrato até 2027, enquanto Valencia e Joaquín Freitas estão ligados ao clube até 2031.
Rodrigo Caio deixou o Flamengo em março
Rodrigo Caio defendeu o Flamengo entre 2019 e 2023 e conquistou 11 títulos. Entre eles, estão duas Libertadores e dois Brasileirões. Depois de uma passagem curta pelo Grêmio, ele se aposentou aos 31 anos.
Em maio de 2025, o ex-zagueiro voltou ao Ninho do Urubu como auxiliar de Filipe Luís. Na função, integrou a comissão técnica que conquistou o tetra da Libertadores.
No início de março deste ano, o Flamengo demitiu Filipe Luís. Em seguida, Rodrigo Caio pediu desligamento e se despediu do clube em carta. Ele deixou a Gávea apesar dos pedidos do presidente Bap para que permanecesse. Depois disso, em maio, acertou com a CazéTV para atuar como comentarista na Copa do Mundo.
