Goleiro comentou momento no clube, relembrou disputa de pênaltis contra equipe argentina e projetou semifinal da Libertadores
Agustín Rossi chega a mais uma decisão continental pelo Flamengo com a experiência de quem já viveu momentos decisivos na Libertadores. Antes do confronto com o Estudiantes (ARG), o goleiro falou sobre a pressão de defender o Rubro-Negro, a possibilidade de renovar o contrato e as expectativas para a semifinal.
O argentino também relembrou a disputa de pênaltis contra a equipe de La Plata na edição de 2025, quando ajudou o Flamengo a avançar na competição. Além disso, comentou a adaptação ao futebol brasileiro, a possibilidade de naturalização e o sonho de voltar a defender a Seleção Argentina, em entrevista ao GE.
ROSSI COMENTA PRESSÃO E AUTO COBRANÇA NO FLAMENGO
A posição de goleiro exige concentração durante os 90 minutos, mesmo depois de uma falha. Rossi explicou que costuma analisar o desempenho após cada partida, inclusive em lances que não terminam em gol, para identificar pontos de melhoria.
“Eu, pessoalmente, sou o que mais se cobra se tenho algum tipo de falha ou ação que talvez poderia ter feito melhor, mesmo que não seja gol. Se tem um passe no campo que poderia ser por fora e eu jogo a bola longa, por exemplo. Depois de cada jogo, nós, com o Thiago e o Fabinho (preparadores de goleiros), fazemos uma análise mais detalhada. Eles passam as ideias e pequenas coisas que podem melhorar para continuarmos evoluindo. Se deixarmos de trabalhar e evoluir, fica difícil progredir. Sempre tem que ter alguma coisa para melhorar porque não é fácil ser goleiro. Muita gente não entende”.
O goleiro também destacou a importância de manter a cabeça fria durante as partidas. Afinal, uma falha não pode comprometer a concentração nas jogadas seguintes, principalmente em confrontos decisivos.
“Falam que os goleiros são doidos, né? Acho que para escolher ser goleiro tem que ter um pouco dessa cabeça tranquila, porque acaba sendo decisivo. Se nós, como goleiro, errarmos em uma jogada cedo no jogo, tem mais 90, 70, 50 minutos ainda. Tem que estar pronto para a seguinte ação e tentar esquecer o mais rápido possível. Depois do jogo se cobrar ao máximo, mas dentro do jogo manter a cabeça fria, porque o mais importante é a jogada seguinte, que pode definir muitas coisas”.
EXPERIÊNCIA E PRESSÃO DE JOGAR PELO FLAMENGO
Rossi ressaltou que a cobrança faz parte da rotina de qualquer goleiro, embora o tamanho do Flamengo amplifique a repercussão dos erros. Mesmo assim, o argentino procura manter o foco no próximo compromisso, já que o calendário oferece pouco tempo para lamentações.
“Para quem é goleiro, está acostumado. Não só no Flamengo, em todos os times do mundo acontece. Talvez aqui, pelo tamanho do Flamengo e como vivemos o Flamengo, ainda parece que se cobra mais. Mas eu, pessoalmente, não ligo muito para isso, porque em três dias tem outro jogo. Tem que tentar resolver, tentar continuar sem falhar, que é o que eu mais procuro. Nenhum goleiro quer falhar, mas acaba acontecendo. Aconteceu agora nos jogos da Liga das Nações, goleiros tops do mundo. Vou dar o exemplo do David Raya, melhor goleiro da Premier League, acabou levando um gol que nenhum goleiro quer tomar”.
O argentino ainda reforçou que a capacidade de reagir depois de um erro faz parte da função. Por isso, a análise precisa considerar os 90 minutos, e não apenas uma jogada isolada.
“Convivemos com erros e temos de saber lidar com isso, porque pode acontecer a qualquer momento. O jogo tem 90 minutos. Se você falhou no minuto 1, no 90 o time vira e acaba salvando de um empate, sai com a vitória. A vida do goleiro é assim. Estamos acostumados há muito tempo nessa posição aqui”.
A pressão também aparece na adaptação de jogadores contratados durante a temporada. Com partidas a cada três dias, o elenco encontra pouco espaço para treinar e assimilar as ideias da comissão técnica, principalmente quando recebe reforços na janela do meio do ano.
“A melhor forma de demonstrar para alguém como é o ambiente é a cada três dias nos jogos. Seja no Maracanã com a nossa torcida ou fora, com os rubro-negros que acompanham muito e apoiam. Para quem chega de fora é até difícil se adaptar rápido porque jogando a cada três dias não tem tempo de treino, pegar as ideias do treinador, conhecer os companheiros e as movimentações. Acaba sendo mais complicado chegar nessa janela da metade do ano. Não te dá muito tempo para trabalhar e conhecer os jogadores. Tem paradas de Data Fifa, mas mesmo assim acaba perdendo atletas. Mas, com o tempo, cada jogador se adapta para ajudar ao máximo o Flamengo e o time”.
RENOVAÇÃO DE CONTRATO COM O FLAMENGO
A permanência de Rossi também entrou na conversa. O goleiro tem vínculo com o Flamengo até 31 de dezembro de 2027 e demonstrou interesse em continuar no clube, embora tenha destacado que o foco imediato está na reta final da temporada.
“Hoje em dia minha cabeça está nessa reta final da temporada. Óbvio que esse desejo sempre está aqui, tenho contrato até o final de 2027. Por enquanto algumas conversas já aconteceram, mas pontual, nada além do que se tinha falado. Por enquanto manter a cabeça no momento, tentar fazer o melhor. Conquistando coisas e sendo importante nesse final de temporada, essas coisas acontecem. Vou focar no lado esportivo que é o importante agora”.
O argentino foi anunciado oficialmente pelo Flamengo em 1° de julho de 2023, depois de assinar um pré-contrato em janeiro daquele ano. Rossi chegou sem custos de transferência, após o encerramento do vínculo com o Boca Juniors (ARG) e uma passagem por empréstimo pelo Al-Nassr (SAU).
Desde então, o goleiro construiu espaço no elenco rubro-negro e participou de campanhas importantes. Agora, a possibilidade de conquistar mais um título continental aparece como parte dos objetivos esportivos antes de qualquer avanço nas conversas contratuais.
NATURALIZAÇÃO E SELEÇÃO ARGENTINA
Com anos de atuação no Brasil, Rossi também comentou a possibilidade de obter a naturalização. O goleiro poderá buscar o processo a partir de 2027, quando completará quatro anos no país, e avaliou como a medida pode influenciar a utilização de estrangeiros nos clubes brasileiros.
“Se o futebol brasileiro quer potencializar os jogadores de base, tem muitas opções para apostar. Tem o campeonato sub-23 que não sei se não deu certo, mas na Argentina acontece. Muitos jogadores dessa idade jogam nessa categoria por muito tempo para chegar mais prontos para jogar no profissional. Com respeito à quantidade de estrangeiros, muitos aqui que já têm filho brasileiro, têm anos de Brasil. Muitos estrangeiros no Brasil têm essa possibilidade de naturalizar para não ocupar a vaga, será mais um problema da organização dos clubes do que do futebol em si”.
O goleiro ainda citou companheiros que também podem se naturalizar. A possibilidade, no entanto, não significa uma mudança imediata de planos, já que o foco segue na sequência da temporada.
“Aqui somos 10 estrangeiros, Varela, Arrascaeta e Saúl têm filho brasileiro. O Erick também pode se naturalizar porque está aqui há quatro anos, eu no próximo ano também. Já são cinco. Muitos times têm a possibilidade de encontrar essa alternativa”.
Rossi também mantém o desejo de voltar a receber uma oportunidade na seleção argentina. Para isso, o goleiro entende que precisa continuar apresentando bom desempenho pelo Flamengo e deixar o trabalho em campo falar mais alto.
“Hoje em dia o nível do futebol brasileiro permite que se olhe mais para cá. Tem o Flaco (López), o Giay, que foi titular nos jogos da Data Fifa. Tem possibilidade de todo mundo se desempenhar bem no seu time e a comissão técnica da seleção gostar do estilo do jogador, o que dá no campo e o que pode dar fora. Acho que essas possibilidades chegam, mas sempre vou falar a mesma coisa: o mais importante é fazer o melhor aqui para que essa chance possa chegar e, se chegar, será bem-vinda”.
LEMBRANÇA DA DISPUTA DE PÊNALTIS CONTRA O ESTUDIANTES
O reencontro com o Estudiantes traz uma lembrança especial para Rossi. Na Libertadores de 2025, o goleiro defendeu cobranças na disputa de pênaltis e ajudou o Flamengo a garantir a classificação, após dois confrontos equilibrados.
“Eu pessoalmente tenho muita confiança quando tem disputa de pênalti. Me sinto confortável em uma situação assim em todas as disputas que tivemos. Acabamos sendo campeões do Carioca, teve ano passado com o Estudiantes, tivemos a disputa com o PSG na final que eu peguei um pênalti ainda. Mas isso aí tem o goleiro do outro lado, os batedores. É um conjunto de situações. Naquele momento senti que o time estava um pouco nervoso, poderíamos ficar fora da Libertadores depois de fazer um bom jogo no Maracanã e sofrendo lá. Senti que tudo daria certo e falei para o Filipe que eu falhei, agora te salvo. Foi só para ele e acabou dando certo. Em uma disputa de pênaltis, quem tem mais a perder é sempre o goleiro. Graças ao estudo que tínhamos dos pênaltis fizemos um bom trabalho”.
Apesar da experiência anterior, Rossi evitou tratar a semifinal como uma repetição dos confrontos passados. O goleiro destacou que o contexto mudou e que o Flamengo terá a vantagem de decidir a vaga no Maracanã.
“É óbvio que jogamos contra eles no ano passado e também neste ano na fase de grupos, mas cada partida é especial. O que passou foi nas quartas, esse já é em uma semifinal. Cada jogo é diferente e tem que ser encarado diferente do nosso lado. A diferença do ano passado para esse é que temos a possibilidade de decidir em casa. É tentar fazer um bom jogo lá para trazer a classificação ao Maracanã”.
PASSAGEM PELO ESTUDIANTES E EXPECTATIVA PARA A SEMIFINAL
Antes de ganhar espaço no futebol sul-americano, Rossi passou pelo próprio Estudiantes. O goleiro atuou no clube por cerca de um ano e meio, ainda jovem, mas disputou apenas três partidas pela equipe profissional.
“Eu estive lá por um ano e meio, depois fui emprestado ao Defensa y Justicia antes de ser comprado pelo Boca Juniors. Joguei só três jogos no profissional. Foi um time que apostou em mim quando eu era mais novo, tinha 19 anos, como uma aposta futura. Acabou não dando certo. Tenho boas lembranças de todo mundo que trabalha lá, a maioria continua. Tenho boa relação com todo mundo que esteve naquela época. É um clube familiar e muito bem organizado que sempre se preparou para estar onde está hoje em dia, disputando títulos na Argentina e brigando nas fases finais da Libertadores. Passaram muitas comissões, mas o preparador de goleiros que estava naquela época continua, os médicos, dirigentes, roupeiros, essas pessoas. Daquele período tiveram jogadores que foram e voltaram, como o Carrillo, o González Pírez, o Rojo. Tem vários conhecidos com quem tenho boa relação quando vejo eles”.
Mesmo com a ligação com o clube argentino, o objetivo de Rossi é ajudar o Flamengo a avançar à final. A equipe brasileira enfrenta o Estudiantes nesta quinta-feira (15), às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata. O jogo de volta está marcado para 22 de outubro, no Maracanã, também às 21h30 (de Brasília).
O Coluna do Fla faz ampla cobertura dos compromissos decisivos pela Libertadores. As informações serão publicadas no site, nas redes sociais e no canal do YouTube, com atualizações sobre os jogos e os bastidores da equipe.
