Vision Scout atende atletas da base de Flamengo, Grêmio, Fluminense e Seleção Brasileira; trabalho individual considera as orientações dos clubes e adapta a linguagem ao estágio de desenvolvimento dos jogadores
A análise de desempenho individual, cada vez mais presente na rotina do futebol profissional, também vem ganhando espaço nas categorias de base. Com o objetivo de ajudar jovens jogadores a compreender melhor suas ações dentro de campo e identificar pontos de evolução, o trabalho de scout exige adaptações na abordagem, na linguagem e na escolha dos conteúdos apresentados aos atletas.
A Vision Scout, empresa especializada em análise de desempenho no futebol, já atende jogadores das categorias de base masculina de Flamengo, Grêmio e Fluminense, além de atletas das Seleções Brasileiras de base.
Segundo Thiago Gualberto, sócio e analista da empresa, a principal diferença em relação ao trabalho com profissionais está na complexidade dos conceitos abordados e na forma de transmiti-los.
“Um atleta profissional tem uma bagagem maior do que um jogador em desenvolvimento. Então, se pode falar de conceitos táticos mais elaborados, consequentemente mais complexos. O atleta de base, por outro lado, tem que ser destacado que a gente foca bastante no quesito individual do jogo dele. A ideia é favorecer os comportamentos dominantes que aquele atleta possui e buscar quebrar alguns vícios que possam ser prejudiciais para ele na sequência da carreira”, explicou Thiago.
Especializada em análise de desempenho no futebol, a Vision Scout utiliza dados, imagens e inteligência estratégica para analisar o desempenho de atletas e equipes. Na base, o trabalho busca ajudar os jogadores a desenvolver uma compreensão cada vez maior sobre o próprio jogo.
Na avaliação do analista, iniciar esse acompanhamento ainda na base permite que o jogador desenvolva maior consciência sobre suas características e construa uma identidade dentro de campo. A idade, no entanto, precisa ser considerada na quantidade e na profundidade das orientações.
“Quanto mais novo é o atleta, mais se deve dar liberdade e criatividade para ele. Não deve haver tanta sobrecarga tática em cima daquele jogador. É mais deixar ele se desenvolver e, quando ele estiver perto ou já desenvolvido, a gente começar a trabalhar dentro desses conceitos que a gente considera positivos e dentro dos conceitos que a gente considera negativos”, analisou.
Outro aspecto importante é a integração com o trabalho realizado pelos clubes. A análise individual não substitui as orientações dos treinadores ou da comissão técnica. Pelo contrário, é construída a partir das instruções recebidas pelo jogador e dos comportamentos que a equipe espera dele em campo.
“É muito importante que o nosso trabalho, como analistas individuais, sempre vá de acordo com os interesses do clube, claro, porque o jogador defende a camisa de uma instituição. Então, através da análise em si, é possível identificar alguns comportamentos que o treinador ou a comissão técnica deseja explorar de cada atleta”, afirmou Thiago.
A comunicação com o jogador também faz parte desse processo. As reuniões são adaptadas à maturidade de cada atleta, com uma linguagem mais didática e recursos visuais que facilitam a compreensão dos conceitos. Entre as ferramentas utilizadas está o tabuleiro tático dinâmico, que transforma situações das partidas em representações visuais.
Durante os encontros, o atleta também participa ativamente da análise, respondendo a perguntas sobre suas decisões e refletindo sobre alternativas para determinadas jogadas.
“O foco entre os atletas jovens e o jogador profissional é o mesmo no geral, é fazer aquele atleta entender o conceito que nós queremos explicar, porque no fim não adianta nada eu produzir uma análise extremamente complexa, extremamente rica em material e não conseguir transformar esse material em uma análise didática, explicativa para aquele jogador”, destacou.
