Petição da concessionária do estádio usa o clássico no Nilton Santos para atacar o argumento do rival e cita 489 cadeiras quebradas em Vasco x Boca Juniors (ARG)
Flamengo e Fluminense acusaram o Vasco de mentir à Justiça do Rio de Janeiro para conseguir o Maracanã contra o Boca Juniors (ARG). A acusação aparece em petição da Fla-Flu Serviços, concessionária que reúne os dois clubes na gestão do estádio. Além disso, a empresa afirma que o clube de São Januário ainda não pagou pelos danos da partida, estimados em mais de R$ 300 mil.
A ESPN revelou o documento na quarta-feira (4). Segundo a emissora, a concessionária anexou a petição ao processo na noite de terça-feira (3), depois das 22h. Trata-se da mesma ação em que o Vasco conquistou o direito de usar o Maracanã na semifinal da Copa Sul-Americana, em 20 de outubro.
Por que Flamengo e Fluminense acusam o Vasco de mentir?
O argumento central da concessionária envolve o clássico contra o Flamengo, disputado em 29 de outubro, pelo Brasileirão. Mesmo com o mando de campo, o Vasco levou a partida para o Estádio Nilton Santos. Para a administradora do Maracanã, essa escolha derruba a tese que o rival apresentou à Justiça para jogar contra o time argentino no estádio.
Em um dos trechos mais duros, a empresa escreve: “Concessionária não pode deixar de denunciar a lamentável conduta do Vasco SAF, que na sua sanha incontida de demonstrar alguma espécie de ‘poder’, mentiu ao Poder Judiciário com o objetivo de levar a partida ao Maracanã“. Em seguida, a petição compara os dois jogos:
— O Vasco, detentor do mando do jogo, decidiu levar a partida ao Nilton Santos, apesar de a rivalidade com o Flamengo ser muito maior que a existente com o Boca Juniors e da diferença brutal de torcedores do Boca – 4 mil – e do Flamengo, com ingressos divididos meio a meio. Isso demonstra que o argumento lançado pelo Vasco no processo não passou de bravata para constranger os magistrados.
A concessionária também classificou como inadmissível a insistência do rival pelo estádio. Segundo a petição, o Vasco manteve o pedido mesmo depois de sete decisões judiciais contrárias. A primeira vitória do Vasco veio em 9 de outubro, no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Depois, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o pedido da empresa. Por fim, o Órgão Especial do TJRJ manteve Vasco x Boca no Maracanã por unanimidade.
Quanto o Vasco deve pelos danos no Maracanã?
Na petição, a Fla-Flu Serviços cita 489 cadeiras quebradas na semifinal da Sul-Americana. Segundo a empresa, o número representa um recorde e supera em 10 vezes o volume anterior de danos. Além das cadeiras, o documento descreve estragos em outros pontos do estádio:
— O quebra-quebra também não poupou sanitários, paredes, bebedouros e diversos outros itens do estádio. Além disso, foi constatado ato de vandalismo consubstanciado na adesivagem massiva do Maracanã, que demandará o uso de mão de obra específica para limpeza e, em determinados casos como de placas de sinalização, a sua substituição.
Os números repetem o balanço que a concessionária divulgou em 22 de outubro. Na ocasião, a vistoria apontou que 47 das cadeiras ficavam no setor visitante. O levantamento ainda incluiu vasos sanitários, bebedouros, torneiras e corrimãos danificados.
Agora, a empresa pede que a Justiça condene o Vasco ao pagamento de indenização, custas processuais e honorários advocatícios. De acordo com a petição, a concessionária ainda não recebeu nenhum valor do clube de São Januário.
Qual é a versão do Vasco?
Por outro lado, a ESPN apurou que o Vasco vai assumir os gastos com as cadeiras danificadas. Nos bastidores, o clube já avisou a concessionária que pagará os prejuízos, calculados em pouco mais de R$ 300 mil.
A emissora também contestou parte das alegações da empresa. Segundo a apuração, nenhum registro anterior sustenta a comparação de 10 vezes feita na petição. Além disso, pessoas ligadas à operação do estádio relataram que os problemas nos banheiros e os adesivos já existiam antes do jogo. A reportagem ainda encontrou no Maracanã adesivos ligados ao Flamengo, e não apenas à torcida do Vasco.
Como a briga envolve o Flamengo fora dos tribunais?
O Rubro-Negro sentiu os efeitos do episódio dentro de casa. Dois dias depois de Vasco x Boca, o Maracanã recebeu Flamengo x Estudiantes (ARG), pela semifinal da Libertadores. Segundo a concessionária, o curto intervalo impediu a conclusão de todos os reparos antes da abertura dos portões. Na época, o Flamengo publicou nota oficial sobre as depredações.
Depois disso, o Vasco tirou o clássico do Brasileirão do Maracanã e mandou o jogo no Nilton Santos. No gramado sintético, entretanto, o Mais Querido goleou o rival por 4 a 1.
Na sequência, a concessionária colocou o Maracanã à disposição do Vasco para a semifinal da Copa do Brasil. O presidente Pedrinho, porém, criticou a oferta e disse desconfiar da intenção do consórcio. Assim, o Vasco recusou o estádio e recebe o Palmeiras neste domingo (8), às 17h (de Brasília), em São Januário.
Qual é o próximo jogo do Flamengo?
O Brasileirão faz uma pausa por causa da Data FIFA. Dessa forma, o Fla volta a campo na quarta-feira, 18 de novembro, contra o Athletico-PR, às 20h30 (de Brasília). A partida da 35ª rodada acontece justamente no Maracanã, e o time rubro-negro chega como líder do campeonato.
